Marketing Relacional Aumentado: A nova disciplina de Gestão para 2026

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Marketeer
12/01/2026
20:02
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Opinião de Pedro Miguel Oliveira, Professor Adjunto no IPAM, Coordenador do Mestrado em Gestão de Marketing

À medida que entramos em 2026, a gestão de marketing vive um paradoxo. Nunca houve tanta tecnologia disponível (inteligência artificial agêntica, computação quântica, algoritmos de recomendação) e, ainda assim, a desconexão emocional entre marcas e pessoas continua a crescer. 70% dos consumidores afirmam que recebem tantas mensagens que já ignoram o que as marcas dizem, e 59% apagaram avisos importantes por confundi-los com publicidade (1). A resposta é reumanizar a relação, usando tecnologia como amplificador, não como substituto.

É neste contexto que surge o Marketing Relacional Aumentado (MRA). Em vez de recorrer à inteligência artificial para falar mais alto e com mais frequência, esta disciplina procura falar menos, melhor e com mais respeito. Inspira-se no marketing relacional clássico (2), mas vai mais longe. Não basta estar em contacto. É preciso perceber como o cliente se sente, o que realmente precisa naquele momento e quando é que falar deixa de ser cuidado e passa a ser pressão.

O centro desta mudança é a Inteligência de Experiência do Cliente. Em vez de painéis com métricas como cliques e partilhas, precisamos de sistemas que identifiquem momentos em que o cliente se sente ignorado e proponham ações concretas para o acolher. A competência crítica passa a ser o silêncio estratégico. Saber, com base em dados, quando não interromper. Dizer “hoje não vamos enviar nada” pode ser a decisão mais humana que uma equipa de marketing toma.

Também a forma como escolhemos o que comprar está a mudar. A Kantar estima que uma parte significativa dos utilizadores de inteligência artificial já recorre a assistentes para comparar produtos, ler opiniões e tomar decisões de compra (3). Isto obriga a outra viragem. Deixa de bastar escrever para motores de busca por meio de Search Engine Optimization (SEO). Passa a ser essencial falar com agentes inteligentes por meio de Agent Engine Optimization (AEO). Em termos simples, significa produzir conteúdos claros, verificáveis e alinhados com valores que um agente digital possa recomendar sem pôr em causa a confiança do utilizador.

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Nada disto funciona sem uma base ética sólida, já que a confiança é condicional. A maioria dos profissionais de marketing confia apenas em IA agêntica com supervisão humana e defende que decisões sensíveis devem ter validação explícita por pessoas4. Em paralelo, sustentabilidade e inclusão deixaram de ser diferenciais e passaram a ser critérios de exclusão. Uma parte significativa dos consumidores diz valorizar empresas que promovem ativamente a diversidade e práticas ESG (4), penalizando silenciosamente quem não o faz.

As principais tendências de gestão de marketing em 2026 não se resumem à automação. O verdadeiro ponto de viragem é a coragem de usar tecnologia para amplificar o que o marketing tem de melhor. Escuta, empatia, clareza, capacidade de criar sentido. Não para esconder a ausência de propósito. As marcas que praticarem MRA serão menos barulhentas, mais úteis e, acima de tudo, mais merecedoras da atenção que pedem.

 

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Referências

1. CSG. (2025). 2026 State of the Customer Experience: Winning Loyalty in the Age of Overwhelm. CSG. https://www.csgi.com/resources/2026-state-of-the-customer-experience/

2. Sheth, J. N., & Parvatlyar, A. (1995). Relationship Marketing in Consumer Markets: Antecedents and Consequences. Journal of the Academy of Marketing Science, 23(4), 255–271. https://doi.org/10.1177/009207039502300405

3. Kantar. (2025). Kantar Marketing Trends 2026. Kantar. https://www.kantar.com/campaigns/marketing-trends

4. SAS. (2025). 2025 Report—Marketers and AI: Navigating New Depths. SAS. https://www.sas.com/content/dam/sasdam/documents/20250124/marketers-and-ai-navigating-new-depths.pdf

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