Dona Maria tem sabores portugueses com vista para o Porto

Da mesa para a bocaGood Living
Rafael Reis
02/07/2021
15:01
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Rafael Reis
02/07/2021
15:01
Dona Maria tem sabores portugueses com vista para o Porto

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Diz-se que é de Gaia que se tem a melhor vista para o Porto. E essa vista fica ainda melhor quando estamos no Dona Maria, o restaurante do The Lodge Wine & Business Hotel, onde se eleva a cozinha tradicional portuguesa para criar experiências que despertam memórias.

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Num espaço intimista, com uma decoração elegante mas acolhedora, podemos desfrutar da criatividade do chef Ricardo Simões, que não só promove pratos portugueses como apresenta-os numa lógica de partilha. É por isso que, no Dona Maria, o tacho vem para a mesa, para que possamos descobrir novos sabores mas replicar a intimidade de uma refeição caseira.

Fazendo jus ao conceito de partilha, nada como começar com uma enorme (literalmente) tábua de queijos e enchidos, apelidada “As boas companhias”, a fazer par com o Quinta Monte D’Oiro Reserva 2017, um vinho da região de Lisboa.

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De seguida, “Comes caldo…vives alto…anda quente…viverás longamente”. A tradução: uma canja de galinha. Pode parecer simples mas a confecção, essa, denota elaboração. A começar pelo conceito, já que o chef Ricardo Simões pretendeu que o prato representasse um ninho: na base, existe um disco de arroz, previamente cozido até à exaustão e depois frito. Por cima, eis a galinha. Para dar corpo a este ninho, surge alho francês frito e um ovo (aqueles bem amarelos típicos da canja). Falta apenas o caldo, servido à mesa. Os ingredientes unem-se para criar uma experiência que, além de visual, é igualmente apelativa ao paladar, com destaque para o crocante e saboroso alho francês. Acompanhando o prato, pudemos apreciar o Sílica 2019, de Raúl Riba D’Ave, da região do Douro.

Era hora do prato principal. Para a mesa vem um tacho que traz consigo um conjunto de fragrâncias que antevêem clássicos sabores portugueses. E cumpriu. “Bom guisado, mas bem repousado”: vitela estufada com arroz de enchidos. A vitela, cozinhada lentamente durante a noite, tem um sabor intenso e foi bem amaciada pelas longas horas ao lume. O arroz, cremoso, junta os enchidos para criar um prato tradicional que anima as papilas gustativas mas também reconforta a alma. Homenageando a região, o vinho foi novamente do Douro, desta vez um Muxagat 2016.

Por último, as sobremesas. Existem opções mais clássicas, como Pudim de Abade de Priscos e Barriga de Freira, e outras mais técnicas, como as texturas de chocolate. Para bem dos indecisos, vem tudo para a mesa, numa ardósia de sobremesas com o nome “Doces ou travessuras”. Sendo um incondicional fã de chocolate, o destaque tem de ir para as texturas de chocolate, um prato que contempla elementos como mousse, brownies ou um molho de caramelo. Indulgente, sim, mas é uma incrível conjugação de sabores. Quanto ao acompanhamento vínico, desta feita o destino foi Setúbal, com um moscatel DSF Colecção Privada Superior, de 2002.

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Findo o jantar, já sem o sol a fazer companhia, mas com as luzes da Invicta a alegrar a vista, só podemos ficar física e mentalmente satisfeitos. As propostas do chef Ricardo Simões transparecem a imensa paixão que tem pela cozinha, com sabores intensos e tradicionais, mas com um rigor que se se exige face ao hotel de 5 estrelas onde está inserido. Os sabores, o espaço e a vista (que nos permitiu contemplar o pôr-do-sol) fazem do Dona Maria um espaço muito agradável aos olhos e ao paladar. Também o staff está de parabéns, nomeadamente a sommelier Joana, que tão bem nos acompanhou nesta noite.

Texto de Rafael Paiva Reis




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