Por Mário Barros, Markets manager da Ingka Centres para o Sudoeste da Europa
Os centros comerciais deixaram de ser apenas destinos de consumo. Hoje, são hubs multifuncionais que integram retalho, lazer, serviços públicos e, cada vez mais, infraestruturas de mobilidade. Esta tendência, e transformação, é uma consequência do desenvolvimento da sociedade impulsionada pelo investimento público e privado. Esta evolução não é apenas uma resposta às exigências ambientais, mas também uma oportunidade estratégica para o setor do retalho se posicionar como agente ativo na regeneração urbana e na criação de novas centralidades sustentáveis.
De facto, a Agenda Urbana da União Europeia reconhece a mobilidade urbana como um dos seus 12 temas prioritários, promovendo parcerias entre cidades, Estados-Membros, Comissão Europeia e Stakeholders privados para encontrar soluções inovadoras e sustentáveis. Existem fundos europeus destinados a estes projetos, mas também uma crescente regulação, estando a ser introduzidas quotas mais ambiciosas para carregadores de carros elétricos e para espaços destinados a transportes não motorizados em parques de estacionamento, tanto em estruturas novas, como em outras já existentes. Ao mesmo observamos a criação dos Planos de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) por município, e vemos a expansão das linhas de metro nas principais cidades do país, e a criação de várias vias de metrobus, entre outras iniciativas.
Os Centros Comerciais são, ou podem vir ser, hubs de mobilidade na comunidade. Estão a evoluir para se tornarem hubs multimodais integrados na malha urbana, nomeadamente na integração com transportes públicos: muitos centros já são pontos de ligação com metro, autocarros, comboios suburbanos e ciclovias. Na micromobilidade: estações de bicicletas e trotinetes partilhadas, parques de estacionamento para veículos elétricos, e zonas de carregamento rápido. Mas principalmente na logística urbana: centros comerciais como pontos de distribuição de última milha, reduzindo congestionamento e emissões.
Este último ponto é a chave para a verdadeira experiência multicanal sustentável. Tinha um professor de logística que há mais de dez anos me dizia que, em termos logísticos, não é sustentável enviar milhões de caixas de cartão a casa dos clientes. Creio que essa opinião não poderia estar mais acertada, e aos dias de hoje mantém a sua pertinência – os centros comerciais podem ser a chave para superar este desafio.
Isto significará que, para o sector de retalho, teremos uma diminuição da pegada de carbono na nossa cadeia de valor, mas também um aumento de visitantes, dada a integração da rede de transportes, bem como a criação de novas oportunidades de negócio com os operadores de mobilidade. Os clientes sairão beneficiados e as cidades também com a criação de novas centralidades mais sustentáveis.
Um exemplo do contributo regenerativo que o sector dos centros comerciais pode ter, tal como já havia comentado no artigo “Localização, Localização, Localização!” é o que temos vindo a desenvolver na Ingka Centres, onde estamos a traçar um caminho. Queremos criar pontos de encontro para a nossa comunidade para além do retalho, onde as pessoas possam conectar e desfrutar. Na mesma medida, queremos contribuir para um impacto positivo no planeta, sendo a mobilidade um aspeto crítico nessa ambição.














