A invasão do “brainrot”: a inteligência artificial está a mudar o YouTube

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Marketeer
07/01/2026
17:10
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O YouTube está a entrar numa nova fase marcada pela proliferação de conteúdos gerados por inteligência artificial, produzidos em grande escala e com reduzido valor criativo. O fenómeno, conhecido como “brainrot”, está a alterar de forma significativa o ecossistema da plataforma, colocando a quantidade acima da qualidade e levantando questões sobre o futuro da criação de conteúdos digitais.

De acordo com um estudo recente da Kapwing entre 21% e 33% do feed do YouTube poderá já ser composto por vídeos de baixo valor criados com recurso a IA. Trata-se, na maioria dos casos, de conteúdos repetitivos e superficiais, concebidos para maximizar cliques e tempo de visualização, explorando os mecanismos de recomendação da plataforma.

Associado a este fenómeno surge o conceito de “AI Slop”, expressão utilizada para descrever conteúdos automatizados de fraca qualidade, distribuídos de forma massiva. Estes vídeos não procuram informar ou entreter de forma aprofundada, mas sim beneficiar de algoritmos que favorecem a frequência de publicação e o volume de interações.

O impacto económico deste modelo é visível. Alguns canais baseados quase exclusivamente em produção automatizada atingiram níveis de audiência elevados e receitas significativas.

Para os criadores de conteúdo tradicionais, este cenário representa um desafio crescente. A concorrência deixou de ser apenas entre pessoas e passou a incluir sistemas capazes de publicar dezenas de vídeos por dia, sem limitações de tempo ou custo criativo. A lógica algorítmica tende, assim, a favorecer o volume em detrimento do trabalho autoral.

Do lado dos utilizadores, a proliferação de conteúdos superficiais contribui para a fadiga digital e para uma experiência de consumo menos diversificada. A crescente presença de vídeos automatizados nas recomendações dificulta o acesso a conteúdos informativos, culturais ou criativos, alterando a perceção de valor do tempo passado na plataforma.

O crescimento do uso de inteligência artificial na produção de vídeo não é, em si, negativo. O desafio está em encontrar um equilíbrio entre inovação tecnológica e qualidade editorial.




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