Eisenberg Paris: entre a ciência e a arte, a beleza ao serviço de uma marca com alma e legado familiar.
A história de quem lidera uma marca familiar confunde-se, inevitavelmente, com a da própria marca. E, no caso da Eisenberg Paris, essa ligação é feita de forma natural, quase inevitável, mas nunca forçada. De três irmãos, filhos do fundador da marca – José Eisenberg –, apenas Edmond ficou a trabalhar na empresa da família, enquanto as suas irmãs seguiram caminhos distintos. Actualmente, CEO da empresa, Edmond Eisenberg prossegue o legado do pai de uma forma muito orgânica, e quando questionado sobre o momento em que percebeu que este seria o seu caminho, o profissional recorda que nunca existiu um ponto de viragem evidente, mas sim uma progressão natural – uma sequência de acontecimentos que o levaram até onde está hoje.
A decisão de integrar a Eisenberg Paris foi, nas suas palavras, um reflexo de valores profundamente enraizados. Desde muito cedo, cresceu a ouvir o pai falar sobre a marca e os princípios que a guiavam – valores que lhe foram também transmitidos enquanto pessoa e que ainda hoje personificam e transparecem na sua rotina profissional e com a sua família. «Passei por muitos estádios até ser CEO. Foi tudo muito fluido. Nunca houve um momento em que tive de mudar de direcção de forma forçada – foi simplesmente uma evolução. Fui muito abençoado por ter o meu pai como o meu mentor de vida», partilha, enquanto carinhosamente acolhe a pequena Elsa, a sua filha, que quer muito fazer parte desta entrevista.
Voltando à sua história, a afinidade entre a formação pessoal e a identidade da empresa foi muito presente e, embora inicialmente tivesse projectado uma carreira na música clássica, reconheceu, com o tempo, que talvez fosse demasiado curioso e comunicativo para o grau de isolamento que essa profissão exigiria.
AMOR À ARTE
O amor pela música, contudo, permaneceu e, ainda hoje, Edmond Eisenberg compõe – por vezes até para vídeos da própria insígnia –, reconhecendo que essa formação lhe trouxe uma sensibilidade especial para o que faz no seu dia-a-dia: «A música deu-me criatividade, mas também uma certa forma de ver e sentir o mundo. No fim do dia, Eisenberg Paris é uma marca, mas também é uma paixão.»
A abordagem à marca está, assim, longe de ser puramente comercial. Para ele, Eisenberg Paris é vivida com autenticidade e com um entusiasmo que não se resume a métricas de vendas. Talvez por isso se recuse a olhar para os produtos apenas como objectos de consumo: «A ligação emocional que as pessoas criam com a marca é o mais importante. No fim de contas, as pessoas ligam-se à marca e voltam a ela pelo prazer que experimentam, pelos efeitos dos produtos e porque se identificam com a mesma. Queremos ser uma presença positiva no quotidiano, por mais pequena que esta seja», adianta.
Esta visão é algo que vem do seu pai, que continua a ser uma referência fundamental. A paixão que sempre demonstrou pelas artes e pela cultura não apenas moldou o universo Eisenberg Paris como também definiu uma forma de estar. Como o seu filho gosta de recordar, «ele vive com paixão, emoção, criatividade, e isso nota-se em tudo o que faz. A marca é um reflexo disso».
Entre as muitas memór ias que guarda, há uma em particular que permanece vívida: o cheiro da espuma de barbear do pai. Um aroma intenso, mas também carregado de simbolismo. Aliás, a evocação desse ritual – o gesto de passar a lâmina no rosto, o ambiente, a transição da infância para a masculinidade – é, para si, uma verdadeira “madeleine de Proust”: «Basicamente, é aquela nostalgia provocada pelo cheiro de algo. Pode ser um cheiro ou até uma memória visual de um ritual. Por exemplo, a minha “madeleine de Proust” é recordar o cheiro do meu pai a colocar espuma de barbear enquanto se barbeava. É uma imagem muito forte que tenho na memória. Já [Marcel] Proust recordava-se da mãe a fazer “madeleines”, e é daí que vem essa expressão», explica o CEO da Eisenberg Paris. Este cheiro da espuma de barbear ficou-lhe gravado na memória como uma porta de entrada para o universo sensorial que, hoje, está no centro da marca.
RESISTIR A “MODAS”
Num sector onde as tendências se impõem com força e velocidade, manter a essência pode ser desafiante. Para Edmond Eisenberg, esse equilíbrio é uma exigência constante: estar atento à actualidade, sim, mas sem ceder à sedução fácil das novidades passageiras. «É preciso saber quem somos. Questionarmo-nos se somos pertinentes hoje, sem deixar que a resposta a essa pergunta nos afaste do nosso propósito», refere, acrescentando que «é uma questão de estar atento à evolução do mundo, mas sem responder ao canto das sereias. Um equilíbrio subtil entre consciência do exterior e confiança no que fazemos».
Essa resistência manifesta-se também nas decisões técnicas. Por exemplo, Eisenberg Paris nunca aderiu à tendência dos produtos com um só ingrediente activo – uma moda que, nas suas palavras, se revelou perigosa e superficial. «As pessoas começaram a fazer misturas em casa como se fossem especialistas, e isso gerou muitos problemas. Agora, felizmente, a sociedade despertou e percebeu que isso era perigoso. Mas nós nunca embarcámos nessa tendência, porque tínhamos confiança no que fazíamos», esclarece o responsável. A marca preferiu manter-se fiel à sua identidade e às suas crenças, seguindo a sua linha com responsabilidade e consistência, sem a pressão de “estarem na moda” ou de serem virais nas redes sociais.
Quando fala em confiança, o CEO refere-se ao facto de a ciência estar no centro do trabalho da marca, sem deixar a criatividade de lado. O mesmo acredita que, para inovar, é preciso imaginar, experimentar, tentar prever necessidades ainda não expressas. E isso, afirma, é um exercício que exige tanto rigor como intuição. «A ciência é uma arte e uma forma de criatividade. Mesmo na medicina, os bons profissionais têm de ser criativos. É preciso imaginar e reflectir além do que está nos livros.»
Criar um novo produto, hoje, é talvez mais exigente do que nunca. Apesar do acesso a mais tecnologia, Eisenberg Paris mantém a convicção de que só lança algo quando é verdadeiramente relevante. «Se a fórmula não acrescenta valor, não faz sentido existir. A perfeição é o nosso critério máximo e o produto tem de ser perfeito. Tem de ser seguro. Tem de ter verdadeira inovação. E isso pode demorar anos», partilha, ao mesmo tempo que relembra que, a título de exemplo, um dos desodorizantes da marca demorou sete anos a ser desenvolvido.
A propósito dos ingredientes naturais, há um alerta que Edmond Eisenberg repete durante a nossa conversa: nem tudo o que é natural é bom. A história está cheia de venenos naturais: «Na Idade Média, há 300 anos, nos tempos dos reis e rainhas, as pessoas envenenavam-se com produtos completamente naturais. Portanto, o facto de algo ser natural não significa que seja bom.» Nas palavras do seu pai, Eisenberg Paris inspira-se na natureza, mas é potenciada pela ciência – mais precisamente, pela sua Trio-Molecular® Formula patenteada. «Não usamos tudo o que está disponível só porque é permitido. Eliminamos qualquer ingrediente cuja segurança seja questionável.»
A IMPORTÂNCIA DO “PORQUÊ”?
E quando se pergunta o que espera que os consumidores sintam ao usar um produto Eisenberg Paris, a resposta é quase poética. «Se conseguirmos provocar um pequeno sorriso de manhã, já é uma conquista. Não queremos mudar o mundo, mas se pudermos ser uma parte silenciosa e positiva do dia de alguém quando acorda, então o nosso propósito está cumprido», afirma.
Mas, para o CEO, essa não é a pergunta mais importante. Na sua opinião, tudo começa no “porquê”, antes mesmo do “como” ou de “o quê”. O que a marca oferece é, acima de tudo, uma experiência emocional, um gesto de bem-estar. Tudo o resto – os ingredientes, o design, a tecnologia – vem depois. «No fim de contas, somos uma marca de beleza. Mas a verdadeira pergunta é: porque é que Eisenberg Paris faz o que faz? Porque queremos ser uma pequena e humilde parte da vida e do bem-estar diário das pessoas», reflecte.
No que diz respeito à estratégia internacional, o responsável recusa a ideia de “rostos da marca”. Embora Eisenberg Paris colabore com figuras públicas em mercados locais, não gosta de assumir uma celebridade oficial. Para ele, os verdadeiros rostos da marca são os consumidores – e, em segundo lugar, os próprios produtos. «Celebramos as pessoas. Não as estrelas.»
Sobre os desafios que Eisenberg Paris enfrenta hoje, o maior continua a ser resistir à homogeneização. Manter-se fiel à identidade, sem deixar de ser relevante. Esse equilíbrio, embora difícil, é vivido com convicção. De acordo com o mesmo, «o mais importante é mantermo-nos relevantes na sociedade moderna e, ao mesmo tempo, intemporais».
A sustentabilidade, inevitavelmente, é outro dos tópicos. Mas também aqui, Edmond Eisenberg alerta para a necessidade de desmistificar alguns tópicos, como, por exemplo, a utilização de recargas, que considera algo potencialmente perigoso. «Estamos, supostamente, a resolver um problema, criando outro. Ao recarregar o frasco, não o fazemos num ambiente estéril e também não é sustentável enviar para o laboratório da marca para o fazer de forma regulada. Podemos ser sustentáveis à custa da segurança do produto?», questiona.
O CEO defende, ainda, que a sustentabilidade deve ser praticada e não vendida. «Muitas marcas falam apenas de sustentabilidade porque já não têm mais nada a dizer. Nós não a usamos como argumento de marketing, integramo- la no que fazemos.»
Questionado sobre o legado emocional que gostaria de deixar, a resposta é simples e firme. Querem ser uma marca honesta, coerente, que cumpre o que promete. «O nosso legado é a autenticidade », reforça. E se em tempos quis ser músico clássico, não carrega qualquer frustração por não o ter sido. Muito pelo contrário. Vê na gestão da marca uma forma de criar tão rica e desafiante como a música, afirmando que se trata de «um universo cheio de camadas – da ciência ao marketing, da logística ao design. Como um grande puzzle, em que tudo se entrelaça».
Nesse sentido, quando pedimos uma associação musical simbólica à marca, a resposta não deixa de ser surpreendente: a banda sonora do filme “Inception”, de Hans Zimmer. Não tanto pela melodia, mas pelo que representa: um conjunto de estruturas complexas, camadas de sonho, realidades sobrepostas. Tal como uma marca, com os seus ritmos, nuances, emoções. «É uma metáfora perfeita para Eisenberg Paris: uma sinfonia complexa, mas clara. E profundamente humana», remata.
Este artigo faz parte da edição de Setembro (n.º 350) da Marketeer.














