Adeus a Luís Represas (1956-2026). A voz que deu palco ao marketing social

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Rafael Ascensão
22/07/2026
10:01
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Adeus a Luís Represas (1956-2026). A voz que deu palco ao marketing social

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Luís Represas morreu esta quarta-feira, aos 69 anos, preto de celebrar 50 anos de carreira entre os Trovante e o percurso a solo. A sua morte leva milhares de portugueses a recordar temas como “Perdidamente ou “Feiticeira”, mas o cantor teve também uma ligação ao universo das marcas que foi também feita através de um território menos mediático: o marketing social e as campanhas solidárias.

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Muito antes de conceitos como brand purpose ou marketing de impacto social se tornarem centrais nas estratégias das empresas, o músico participou em iniciativas que cruzavam comunicação comercial com causas sociais, emprestando a sua notoriedade a projetos de solidariedade e angariação de fundos.

Um dos exemplos mais marcantes aconteceu em 2002, quando a Swatch convidou Luís Represas a compor o tema inédito “Quero uma Casa deste Tamanho”. A música foi editada num CD que acompanhava uma edição especial de relógios da marca, juntamente com duas gravações ao vivo do concerto “25 Anos de Música”, realizado no então Pavilhão Atlântico, tendo as receitas da iniciativa revertido integralmente para a Ajuda de Berço, instituição dedicada ao apoio de crianças em risco, numa ação que aliava consumo, cultura e solidariedade.

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Também a Casa do Gil contou com o envolvimento do cantor ao longo dos anos, sendo que a ligação do artista à Casa do Gil teve origem no seu casamento (entre 1998 e 2013) com Margarida Pinto Correia, que dirigiu a Fundação do Gil como administradora executiva entre 2004 e 2013. Foi por essa via que Luís Represas se tornou presença regular nas iniciativas da instituição, cantando, por exemplo, no 4.º aniversário da Casa do Gil, em 2010, ao lado de João Gil.

Há ainda outro episódio que foge do registo mais comercial para o político-humanitário, mas que pertence à mesma lógica de emprestar a voz a uma causa: o envolvimento dos Trovante em 2000 na luta pela independência de Timor-Leste – a canção “Timor” tornou-se um dos temas de referência dessa resistência -, tendo Luís Represas sido inclusive convidado pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, para o acompanhar numa visita oficial a Timor-Leste.

Regressaria depois a convite de Xanana Gusmão para as comemorações do primeiro aniversário do referendo da independência, e mais tarde gravaria uma versão em tétum da canção, traduzida pelo próprio Xanana Gusmão. Foi também por este percurso que recebeu, mais tarde, a Medalha da Ordem de Timor-Leste, atribuída pelo Presidente Taur Matan Ruak.

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Embora não seja um rosto associado de forma recorrente à publicidade tradicional, Luís Represas mostrou assim, em diferentes momentos da carreira, que a notoriedade artística podia ser colocada ao serviço de projetos com impacto social, com iniciativas que antecipavam uma tendência que hoje faz parte da estratégia de muitas marcas e que passa por usar a comunicação para gerar impacto para lá do negócio puro e duro.






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