Assim nasce uma ideia… com Filipe Mesquita, diretor criativo do This is Pacifica

CriatividadeAssim Nasce
Rafael Ascensão
24/08/2026
09:49
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Rafael Ascensão
24/08/2026
09:49
Assim nasce uma ideia… com Filipe Mesquita, diretor criativo do This is Pacifica

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Uma ideia não vale apenas pelo impacto que gera no momento em que é lançada, mas também pela capacidade de se tornar parte da própria marca, entende Filipe Mesquita. O cofundador e diretor criativo do estúdio de design This is Pacifica considera ainda que quando estratégia, design e execução se tornam indissociáveis, a ideia deixa de ser apenas comunicação para ganhar outra dimensão e se transformar num verdadeiro ativo, capaz de criar valor e resistir ao tempo.

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É também por isso que o criativo recusa separar criatividade, research e estratégia em territórios distintos, defendendo que a criatividade é uma consequência do conhecimento profundo do negócio, da cultura e da ambição de quem desafia uma agência ou estúdio. “Quanto maior o conhecimento, maior a liberdade criativa”, aponta.

Como um dos maiores desafios, Filipe Mesquita elege a defesa de ideias que ajudam a construir a marca de amanhã, mesmo quando o seu valor não é imediatamente visível. “Muitas vezes é preciso convencer o cliente de que o valor não está numa campanha ou numa mensagem chamativa, mas na coragem de tomar decisões consistentes e criar ativos de marca que resistam ao tempo”, diz.

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  1. O que é, atualmente, uma boa ideia em publicidade?

Uma boa ideia é aquela que pode ser reduzida à sua forma mais simples sem perder força. Quando estratégia, design e execução são indissociáveis, a ideia deixa de ser comunicação e passa a ser um ativo da marca.

  1. Uma boa ideia nunca nasce sem…?

Sem envolvimento. As melhores ideias não aparecem por inspiração; aparecem depois de compreender profundamente o negócio, a cultura e a ambição de quem nos desafia. Quanto maior o conhecimento, maior a liberdade criativa.

  1. Como se equilibra a criatividade com dados, research e estratégia?

Não se equilibra. A criatividade é uma consequência da estratégia. A research permite descobrir aquilo que torna uma marca única, mas o design transforma essa descoberta numa vantagem competitiva.

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  1. Qual o maior desafio ao defender uma ideia junto do cliente?

O maior desafio é defender ideias que não resolvem apenas o problema de hoje, mas que constroem a marca de amanhã. Muitas vezes é preciso convencer o cliente de que o valor não está numa campanha ou numa mensagem chamativa, mas na coragem de tomar decisões consistentes e criar ativos de marca que resistam ao tempo.

  1. A criatividade está mais condicionada ou mais livre do que há 10 anos?

Hoje podemos produzir muito mais. Mas criar significado continua a ser muito exigente. Quanto mais fácil é executar, mais importante é encontrar uma ideia que mereça existir.

  1. Que impacto têm a tecnologia e a IA no processo criativo?

A IA vai mudar profundamente a forma como trabalhamos, mas não muda aquilo que realmente importa. O valor continuará a estar na capacidade de formular as perguntas certas, encontrar relações inesperadas e construir significado.

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  1. Onde vai buscar inspiração fora da publicidade?

Em tudo o que resolve problemas com inteligência. Arquitetura, design industrial, engenharia, arte ou urbanismo. As melhores ideias raramente vêm do mesmo sítio.

  1. Como lida com bloqueios criativos?

Não acredito muito em bloqueios criativos. Acredito em problemas mal compreendidos. Sempre que o processo abranda, voltamos ao essencial: Qual é a essência da marca, porque deve existir e que impacto pode ter?

  1. Uma ideia que gostaria de ter tido?

The Periodic Fable, criado pela Uncommon para a The Ordinary, é um excelente exemplo de uma ideia que ultrapassa a comunicação de produto. Em vez de promover os benefícios da marca, expôs os termos pseudo-científicos usados pela indústria da cosmética para justificar preços mais elevados e promessas infundadas. Ao transformar 49 destes conceitos numa tabela periódica aberta ao público, criou uma ferramenta de literacia que desafiou toda a categoria, reforçou o posicionamento da The Ordinary e gerou impacto tanto cultural como comercial.

Uma boa ideia é aquela que muda a conversa. Não comunica apenas uma marca; desafia uma categoria, cria um novo ponto de vista e torna-se impossível de ignorar. Quando isso acontece, deixa de ser publicidade e passa a criar impacto cultural e valor para o negócio.

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  1. Que conselho daria a quem quer hoje seguir uma carreira criativa?

Não procurem ser criativos. Procurem compreender profundamente as pessoas, os negócios e a cultura. A criatividade é apenas a consequência desse processo.

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