Portugal perdeu mais de metade das publicações periódicas em 20 anos: 1204 já não existem

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06/05/2026
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Portugal contava, em 2024, com um total de 860 publicações periódicas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) disponíveis no sistema de geomarketing Sales Index da Marktest, através da aplicação web Municípios Online.

Os dados revelam uma tendência de quebra contínua no setor da imprensa, com o número de publicações a representar menos de metade do registado em 2004, ano em que existiam 2.064 títulos. Em duas décadas, o país perdeu 1.204 publicações periódicas.

A distribuição territorial evidencia uma forte concentração da imprensa em poucos concelhos. Em 183 dos 308 municípios portugueses é editada pelo menos uma publicação periódica, enquanto em 62 concelhos existem três ou mais títulos. Nos restantes 125 concelhos não se regista qualquer publicação.

Lisboa destaca-se como o principal centro editorial do país, com 228 publicações, o que representa 26,5% do total nacional. Seguem-se Porto, Oeiras, Coimbra e Sintra, que em conjunto concentram 379 títulos, cerca de 44% do total.

Face a 2004, a redução do número de publicações é transversal ao território. Em 68 concelhos deixou de existir qualquer publicação periódica e, em vários municípios, a quebra ultrapassou os 80%, incluindo Amadora, Funchal, Chaves, Gondomar, Almada, Seia, Faro, Arcos de Valdevez, Olhão, Pombal e Vila Nova de Cerveira.

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Em termos absolutos, Lisboa regista a maior diminuição, com menos 459 publicações. Seguem-se Oeiras e Porto, ambos com menos 58 títulos, Funchal com menos 36 e Amadora com menos 29.

A análise evidencia uma crescente concentração da produção de conteúdos nos principais centros urbanos, em detrimento da cobertura local mais dispersa. O fenómeno reflete uma transformação estrutural no setor dos media em Portugal, marcada pela redução de títulos impressos e pela reorganização da oferta informativa ao longo dos últimos 20 anos.

Os dados têm por base a informação concelhia disponível na aplicação Sales Index da Marktest, desenvolvida desde 1992, que permite analisar a distribuição geográfica de diversos indicadores socioeconómicos no país.

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