M.ª João Vieira Pinto
Directora de Redacção Marketeer
A caderneta de cromos do Mundial da Panini é um fenómeno. Todos a querem. Não se sabe bem o valor final da mesma, quando completada com todos os cromos, mas menos ainda se sabe como se consegue comprar, já que esgotadíssima. Certo é que tem que se ter. É um fenómeno, lá está.
Pego no exemplo da caderneta porque me atira para um dos temas que tanto se fala aos dias de hoje. O de tantos de nós quererem estar ao mesmo tempo em todo o lado. Do medo de se ficar de fora. De se estar excluído, sem perceber que somos nós que podemos excluir, escolhendo o que nos faz sentido. Do não querer passar ao lado de conversas, mesmo sabendo que há tantas que em nada nos alimentam e raramente constroem.
Corremos desenfreadamente nos dias. Fazemos scroll sem limites durante horas. Compramos e procuramos porque os outros o dizem, e assim tem que ser. E, ao fim da noite, deitamo-nos cansados e… vazios.
No meio deste delírio colectivo, as marcas vivem das fases mais difíceis das suas vidas. Herculeamente, tentam responder a todos, os consumidores que têm e os que nem sabem se querem ter.
Desdobram-se em campanhas em TV, na rádio, na imprensa e nas redes; fazem acções de charme e vão para a rua; pagam a influenciadores e seguem tendências, muitas das quais de um só dia. E chegam, também elas, mais que cansadas no final do sprint.
Nesta espuma dos dias, não estaremos todos a deixar cair o que tem valor?
O tempo, o silêncio, a conversa tranquila e boa, o conhecimento e a partilha do que realmente importa? É só uma dúvida, como a da compra da caderneta.
Editorial publicado na revista Marketeer n.º 358 de Maio de 2026














