“A estratégia de marketing assenta numa abordagem híbrida entre narrativa emocional e comunicação segmentada”, Alberto Pires (Lisbon Bar Show)

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Sandra M. Pinto
21/04/2026
10:10
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Sandra M. Pinto
21/04/2026
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Num momento em que Lisboa se afirma cada vez mais como um dos destinos europeus de referência na área da hospitalidade e da mixologia, o Lisbon Bar Show prepara-se para dar início a um novo capítulo. A 11.ª edição do evento marca não apenas um ponto de maturidade, mas também uma renovação clara da sua ambição e posicionamento internacional.

Por Sandra M. Pinto

À frente deste projeto está Alberto Pires, fundador do evento, que tem acompanhado de perto a evolução da indústria e o crescimento da marca além-fronteiras. Nesta conversa, fala sobre a escolha do México como país convidado, as novidades desta edição — como o Lisbon Coffee Lab — e a forma como o evento continua a equilibrar tradição e inovação, reforçando o seu papel como plataforma global de conhecimento, networking e experiências no universo do bar.

O que levou à escolha do México como país convidado para esta edição do Lisbon Bar Show e de que forma a presença do México vai enriquecer a experiência internacional do evento?
O México está num dos momentos mais fortes da mixologia global. Tem identidade, tem produto e uma abordagem muito própria à cultura de bar, o que o torna uma escolha natural para o Lisbon Bar Show. Destaca-se pela combinação única de produto, identidade e experiência. Destilados icónicos como tequila e mezcal, profundamente ligados ao território e à tradição, trazem autenticidade ao copo. Ao mesmo tempo, existe uma cultura de hospitalidade muito calorosa e próxima, onde a experiência vai além do serviço. Mais do que um país convidado, a presença do México permite cruzar culturas, trazer novas perspetivas e abrir o diálogo com uma das cenas mais influentes da atualidade.

Quais são os principais elementos culturais e de mixologia que os visitantes poderão descobrir no stand ou nas apresentações do México?
O México traz uma ligação muito forte entre produto, território e identidade. De um lado, destilados como tequila e mezcal, técnicas tradicionais e ingredientes locais. Do outro, uma nova geração que está a reinterpretar tudo isso de forma contemporânea. É esse contraste entre raiz e inovação.

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Como é que os workshops, debates e competições contribuem para a valorização dos profissionais do setor?
Criam contexto, visibilidade e evolução. Os workshops e debates são onde acontece a partilha real de conhecimento, experiência e visão. As competições trazem exposição e elevam o nível. No conjunto, estes momentos ajudam a desenvolver talento, a estimular novas ideias e a reforçar o sentido de comunidade dentro da indústria.

O que diferencia a 11.ª edição de todas as anteriores?
A edição deste ano do Lisbon Bar Show marca, acima de tudo, um momento de maturidade e afirmação do evento, mas também de renovação clara da sua proposta. O ano passado foi não só um momento de celebração dos 10 anos, mas também de reflexão sobre o caminho que fizemos e, sobretudo, sobre o futuro que queremos construir. A partir daí, esta 11.ª edição afirma-se como o início de um novo ciclo, mais ambicioso e mais alinhado com a evolução da indústria. O que a diferencia das edições anteriores é a forma como conseguimos elevar a experiência a vários níveis, desde a diversidade de temas, até à criação de novos conceitos dentro do próprio evento, como o Lisbon Coffee Lab. Este tipo de iniciativas mostra a nossa vontade de evoluir e acompanhar as transformações da indústria, trazendo novas ligações, neste caso entre café, bar e hospitalidade contemporânea.
Outra grande diferença está na crescente internacionalização e na qualidade dos profissionais envolvidos. Conseguimos reunir um alinhamento cada vez mais forte entre nomes de referência mundial e talento nacional, criando um diálogo mais rico e relevante para quem participa. Esta edição reflete também uma maior preocupação em proporcionar experiências completas: não apenas conteúdos técnicos, mas momentos de inspiração, partilha e ligação entre diferentes áreas do setor. É um Lisbon Bar Show mais integrado, mais dinâmico e mais alinhado com o futuro da indústria.

O Lisbon Coffee Lab é uma novidade nesta edição. Pode explicar o conceito e o que os visitantes podem esperar desta experiência?
É uma das grandes novidades desta 11ª edição do Lisbon Bar Show e nasce como um conceito especial dentro do próprio evento. Trata-se de um verdadeiro One Room Festival, um micro-festival concentrado numa única sala. Inspirámo-nos nos grandes coffee festivals internacionais para criar um espaço que cruza o universo do café com o bar e a hospitalidade contemporânea.
O que os visitantes podem esperar é uma experiência imersiva e multidimensional. Não é apenas um espaço de demonstração. É um ponto de encontro onde acontecem momentos culturais, educativos e sensoriais ao longo do dia. Desde talks e apresentações, a provas, criações ao vivo e cruzamentos inesperados entre café, cocktails e outras áreas da gastronomia. Mais do que uma tendência, acreditamos que esta ligação entre café e bar reflete a evolução natural da hospitalidade. O Lisbon Coffee Lab surge precisamente para explorar esse território híbrido, onde bartenders e criativos se encontram, partilham conhecimento e criam experiências.

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Pode detalhar como funciona a shortlist dos Prémios Lisbon Bar Show 2026 e quais as categorias mais relevantes?
A shortlist dos Prémios começa com uma fase aberta de nomeações, durante o mês de janeiro, onde público e profissionais podem sugerir nomes. Depois, uma academia composta por cerca de 100 pessoas influentes na indústria define os finalistas e vencedores, garantindo um processo equilibrado entre participação e curadoria especializada. São 11 categorias que refletem a diversidade da hospitalidade: Produto do Ano, Produto Português do Ano, Melhor Bar de Restaurante, Melhor Bar de Hotel, Melhor Equipa de Bar, Melhor Carta de Bar, Melhor Bar, Melhor Embaixador de Marca, Melhor Barmaid, Melhor Bartender e Melhor Bartender Português Internacional. O objetivo é reconhecer o que de melhor se fez no setor ao longo do último ano.

Que importância têm os historiadores de cocktails, como Jared Brown e Anistatia Miller, na programação do evento?
O Jared Brown e a Anistatia Miller, assumem um papel ainda mais relevante nesta edição do Lisbon Bar Show, sobretudo no contexto da grande novidade deste ano: o Lisbon Coffee Lab. Este novo hub nasce precisamente para explorar a interseção entre o café e o bar, e a presença de figuras como o Jared e a Anistatia permite-nos ancorar essa exploração numa base histórica sólida. Ao abordarem a criação do Espresso Martini e a relação entre café e mixologia, trazem contexto, autenticidade e uma compreensão mais profunda de como estas duas culturas se cruzam e evoluíram ao longo do tempo. Mas o mais interessante é a forma como esse conhecimento histórico dialoga com abordagens contemporâneas dentro do mesmo espaço. Nessa linha, vamos ter o Francisco Siopa a cruzar pastelaria e café, o Paulo Gomes a trazer a sua visão de bar, e o Rui Mota a explorar a vertente mais experimental da mixologia. É precisamente este equilíbrio que queremos criar no Lisbon Coffee Lab: um espaço onde passado, presente e futuro coexistem. Os historiadores ajudam a perceber de onde vimos, enquanto os restantes convidados mostram para onde podemos ir. E é essa ponte entre conhecimento e inovação que torna a programação mais rica, relevante e alinhada com a evolução da hospitalidade contemporânea.

Qual é a visão estratégica do Lisbon Bar Show para os próximos anos e como a internacionalização do evento contribui para esse objetivo?
A nossa visão para o Lisbon Bar Show passa por consolidá-lo como uma das principais plataformas europeias de partilha de conhecimento, networking e inovação no setor da hospitalidade. Queremos que Lisboa seja, cada vez mais, um ponto de encontro global para profissionais de bar, marcas e criadores de tendências. Ao longo dos anos, o Lisbon Bar Show, que começou como uma marca portuguesa de nicho e evoluiu de forma consistente para se afirmar hoje como uma marca internacional de hospitalidade contemporânea. Esse crescimento resulta da nossa capacidade de adaptação, da qualidade dos conteúdos e da ambição de ir além-fronteiras.
A internacionalização é fundamental para esse caminho. Ao atrairmos oradores, marcas e visitantes de diferentes geografias, elevamos o nível de discussão, trazemos novas perspetivas e colocamos Portugal no mapa mundial da mixologia. Mais do que crescer em dimensão, queremos crescer em relevância e impacto e, assim, tornar o Lisbon Bar Show um verdadeiro hub global da indústria.

Como definiria o posicionamento da marca Lisbon Bar Show face a outros eventos internacionais de bar e mixologia?
Este evento posiciona-se como uma iniciativa que combina autenticidade, proximidade e excelência. Não procuramos apenas replicar modelos internacionais, queremos oferecer uma experiência distintiva, onde a identidade portuguesa se cruza com o melhor que se faz lá fora. Somos reconhecidos por criar um ambiente mais humano e acessível, onde há espaço para aprender, partilhar e criar relações genuínas. Ao mesmo tempo, mantemos um padrão elevado de curadoria de conteúdos e convidados, o que nos permite estar lado a lado com os melhores eventos internacionais, mas com uma personalidade muito própria.

De que forma equilibram a tradição e a inovação na identidade do evento, mantendo-o relevante para profissionais e entusiastas?
Esse equilíbrio é, de facto, uma das nossas prioridades. Portugal apresenta uma herança riquíssima no que toca a produtos, hospitalidade e cultura. E, nesse sentido, fazemos questão de a valorizar. Ao mesmo tempo, estamos constantemente atentos às tendências globais, às novas técnicas e às mudanças no comportamento do consumidor. No Lisbon Bar Show, isso traduz-se numa programação que tanto celebra clássicos e raízes, como apresenta conceitos disruptivos e inovadores. Trabalhamos com profissionais que respeitam o passado, mas que também estão a trabalhar para o futuro. A relevância vem precisamente daí: conseguimos falar com quem está a começar, com quem já tem carreira consolidada e até com entusiastas, todos encontram algo que os inspira e desafia.

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Que estratégias de marketing utilizam para atrair tanto profissionais do setor como o público em geral?
A comunicação do Lisbon Bar Show vive muito do equilíbrio entre indústria e cultura. Não falamos só para bartenders, mas sim para quem se interessa por experiências, tendências e criatividade. A estratégia de marketing assenta numa abordagem híbrida, onde combinamos comunicação direcionada para profissionais com conteúdos mais acessíveis e inspiracionais para o público em geral.
Por um lado, trabalhamos uma comunicação mais segmentada, com foco em conteúdos educativos, oradores e tendências da indústria, pensada para bartenders, marcas e profissionais de hospitalidade. Por outro, criamos uma narrativa visual e emocional que aproxima o evento de um público mais amplo, destacando experiências, ambiente e momentos únicos que vão além do lado técnico.
As redes sociais têm aqui um papel central, não apenas como canal de divulgação, mas como plataforma de storytelling, onde mostramos o que acontece antes, durante e depois do evento. Esta dualidade permite-nos posicionar o Lisbon Bar Show como um evento relevante para a indústria, mas também como uma experiência cultural e social apelativa.

Como planeiam integrar as parcerias com marcas e patrocinadores na comunicação do evento, sem comprometer a experiência do visitante?
A integração de marcas é pensada de forma orgânica e alinhada com a experiência Lisbon Bar Show. Mais do que presença visual, o trabalho passa muito por garantir que cada parceria faz sentido dentro do universo do evento, seja através de ativações, conteúdos ou presença no espaço. Quando isso é bem feito, deixa de parecer publicidade e passa a ser algo natural. Para nós, as marcas são parte da experiência. E o objetivo é simples: que o visitante sinta valor, não ruído.

Existem campanhas específicas de marketing digital dirigidas a mercados internacionais para promover a presença de profissionais estrangeiros?
Sim, e são cada vez mais importantes. Trabalhamos campanhas segmentadas para mercados estratégicos, mas mais do que isso, usamos muito os próprios convidados como pontos de amplificação. Cada nome internacional traz consigo uma audiência e uma comunidade e isso é uma ferramenta poderosa. Ao mesmo tempo, garantimos que a comunicação, a linguagem visual e a identidade sejam consistentes, para que o Lisbon Bar Show seja reconhecido independentemente do país.

Qual é o papel do storytelling e das experiências imersivas na comunicação do evento e no fortalecimento da marca?
Hoje, comunicar um evento não passa por lançar nomes ou horários, mas sim em criar desejo. E isso faz-se com storytelling. Seja com o Lisbon Bar Show ou com qualquer outra marca. O storytelling deve ser um dos pilares da comunicação de qualquer marca. Trabalhamos muito a forma como o evento é sentido emocionalmente, desde o design até ao tipo de conteúdos que partilhamos. As experiências imersivas são uma extensão disso: são o momento em que aquilo que comunicámos ganha vida. No fundo, não queremos só informar. Queremos que as pessoas sintam que têm de lá estar.

Como é que a interação do público nos workshops, competições e espaços como o Lisbon Coffee Lab reforça a ligação emocional à marca?
Quando as pessoas participam, a relação muda completamente. Deixam de ser espectadores e passam a fazer parte do evento. Seja num workshop, numa competição ou num espaço como o Lisbon Coffee Lab, há uma proximidade que cria envolvimento real. Na verdade, é ai que a magia acontece, quando alguém experimenta, aprende e vive o momento, e depois acaba por levar para casa um bocadinho do Lisbon Bar Show, seja conhecimento ou uma história/ memória para contar.

Que tipo de ações implementam para manter o engagement do público antes, durante e após o evento, incluindo redes sociais e apps?
Antes, construímos expectativa. Durante, vivemos muito do real-time com conteúdo rápidos, dinâmicos, quase no imediato. Depois, prolongamos a experiência com recaps, highlights e conteúdos que mantêm a conversa viva. As redes sociais funcionam como uma extensão natural do evento. É onde a comunidade continua ligada, mesmo quando o evento já terminou.

Existem iniciativas de gamificação, votações ou prémios (como a Vodafone Canção do Ano) planeadas para este evento que aumentem a participação do público?
Sim, e o melhor exemplo disso são os próprios Prémios do Lisbon Bar Show, que funcionam como um dos momentos mais marcantes e participativos do evento. Mais do que uma cerimónia, é um processo que começa muito antes. Durante o mês de janeiro, abrimos as nomeações ao público e à indústria, onde qualquer pessoa pode sugerir nomes (incluindo auto-nomeações) para as diferentes categorias ligadas à hospitalidade. Isso garante uma base aberta, democrática e representativa do que está a acontecer no setor.
A partir daí, entra uma academia composta por cerca de 100 profissionais influentes da indústria, que define os finalistas e os mais votados são os vencedores. O facto de os prémios distinguirem o trabalho desenvolvido ao longo do ano anterior dá-lhes ainda mais relevância e credibilidade.
O anúncio dos vencedores acontece apenas no último dia, como momento final do evento, o que cria expectativa e reforça esse lado emocional e coletivo. No fundo, é uma dinâmica que envolve toda a comunidade, desde a nomeação até à celebração final. E acaba por traduzir o espírito do Lisbon Bar Show: participação, reconhecimento e ligação entre pessoas.




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