Adeus ao hábito de esmagar garrafas: saiba como funciona o Sistema de Depósito e Reembolso que arranca hoje

SustentabilidadeFacebook
Marketeer
10/04/2026
09:41
SustentabilidadeFacebookLinkedin
Marketeer
10/04/2026
09:41
Partilhar

Portugal entra esta sexta-feira, dia 10 de abril, numa nova fase da economia circular com a entrada em vigor do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), conhecido pela marca “Volta”. A iniciativa, que se aplica a garrafas de plástico e latas de bebidas, pretende alterar comportamentos de consumo e posicionar o país ao nível das melhores práticas europeias na gestão de resíduos.

O sistema abrangerá embalagens de bebidas de plástico, metal e alumínio até três litros, funcionando através de um mecanismo simples: o consumidor paga um depósito de 10 cêntimos no momento da compra e recupera esse valor quando devolve a embalagem num ponto autorizado. O objetivo passa por aumentar as taxas de recolha seletiva e aproximar Portugal das metas europeias, que apontam para 90% de recolha destas embalagens até 2029.

A medida, há muito aguardada pelo setor e prevista na legislação europeia, marca o início de uma mudança estrutural na forma como consumidores, retalhistas e marcas lidam com resíduos de plástico e metal. O sistema será implementado de forma faseada, mas a partir desta sexta-feira as máquinas, já instaladas em vários pontos do país, passam a operar com depósito e reembolso.

“O sistema de depósito e reembolso é um sistema complexo que vem mudar comportamentos, mudar as mentalidades dos consumidores. Nós tivemos durante anos a esmagar garrafas e latas de bebidas e vamos, a partir do dia 10 de abril, pedir às pessoas para passar a guardar essas embalagens intactas para as devolver numa das mais de 2.500 máquinas que vão estar espalhadas pelo país, para receber de volta os 10 cêntimos que pagaram quando as compraram”, tinha já enquadrado Lia Oliveira, diretora de marketing e comunicação da SDR Portugal, à Marketeer, aquando a apresentação da marca Volta.

Esta criação foi, portanto, essencial para suportar esta transição comportamental. “Estamos a falar de um sistema complexo que vem mudar mentalidades. Ter uma marca faz todo o sentido, porque vai ser a cara, a voz e a ilustração deste grande projeto de economia circular, que assim consegue criar uma relação emocional com base neste propósito que tem de mobilizar as pessoas para deixarem um planeta melhor”, explicou a responsável numa entrevista que pode ler aqui.

Continue a ler após a publicidade

Como funciona o sistema

O SDR aplica-se a embalagens de bebidas de uso único em plástico, alumínio e aço, sendo que no momento da compra, o depósito é cobrado separadamente do preço do produto e identificado na fatura. Depois de consumido o produto, o consumidor pode devolver a embalagem em máquinas automáticas instaladas em supermercados, pontos de recolha manual em lojas ou em quiosques dedicados em zonas de grande circulação, numa infraestrutura que inclui cerca de 2.500 máquinas e milhares de pontos de recolha espalhados pelo país, numa operação logística de escala nacional.

Para receber o dinheiro de volta, os consumidores precisam assim apenas de entregar as embalagens vazias num Ponto de Recolha em condições de serem aceites, podendo escolher como querem o reembolso, em formato voucher convertível em dinheiro, voucher de desconto em loja, cartão de fidelização, doação ou soluções digitais futuras.

Para ser aceite no sistema das máquinas, cada embalagem tem de ter o símbolo Volta, estar intacta, não pode estar espalmada, não ter líquido, ter tampa e um código de barras legíveis, não sendo necessário as mesmas estarem lavadas, devendo o consumidor apenas assegurar que estão vazias e em condições que permitam a sua identificação.

Continue a ler após a publicidade

As máquinas dos Pontos Volta, automáticas, aceitam uma embalagem de cada vez, sendo que, após leitura para garantir que faz parte da Volta, a embalagem é recolhida e esmagada, sendo no final apresentadas as opções de reembolso. Já os Quiosques Volta permitem a recolha de grandes quantidades de uma só vez.

O arranque do sistema será faseado, pelo que entre 10 de abril e 9 de agosto, apenas as embalagens com o símbolo “Volta” estarão abrangidas pelo depósito e reembolso, enquanto as restantes continuam a ser encaminhadas para o ecoponto amarelo. A partir dessa data, o sistema torna-se universal para todas as embalagens elegíveis colocadas no mercado, uma vez que passam todas a contar com o símbolo Volta.

Até 9 de agosto, poderão encontrar-se ambas as embalagens à venda, uma vez que se encontra a decorrer o período de transição, mas se a embalagem não estiver identificada com o símbolo Volta, não será cobrado o valor de depósito, assim como não será aceite nos Pontos Volta.

A entrada em vigor do Volta representa uma transformação profunda na cadeia de valor das bebidas embaladas, sendo que para as marcas, o SDR implica uma reformulação de embalagens para garantir compatibilidade com o sistema e adaptação de rotulagem, com códigos e símbolos específicos. Já para os retalhistas, o desafio é sobretudo operacional, nomeadamente com a instalação de máquinas de recolha, reorganização de espaços, formação de equipas e integração dos sistemas de reembolso.




Notícias Relacionadas

Ver Mais