Opinião de António Caiado, Diretor de Marketing da Škoda em Portugal
Vivemos um momento de redescoberta. Se, durante décadas, o automóvel foi visto maioritariamente como uma ferramenta utilitária de mobilidade, o meio para chegar a um fim, o panorama atual revela uma mudança profunda. Quando a digitalização toma conta da nossa atenção e nos afasta do que verdadeiramente na rodeira, sentimos a necessidade de sermos nós a procurar e descobrir por nós próprios em vez de termos tudo simplificado na palma da mão. Os portugueses estão a voltar a apaixonar-se pela estrada, mas com uma motivação renovada: a curiosidade.
Dados recentes não deixam margem para dúvidas. As pesquisas por “viagens de carro” no Google atingiram recordes históricos no nosso país, com um crescimento de 70%, em 2025, face a 2021. Mais do que uma simples deslocação, a road trip afirmou-se como a nova forma de explorar o mundo, oferecendo algo que os aeroportos e horários rígidos não permitem: o controlo total sobre o imprevisto e a liberdade de parar onde a vista mais nos agrada.
Esta tendência não é apenas romântica, é também pragmática. O aumento exponencial de 630% na procura por custos de viagens de carro, mostra que as famílias portuguesas estão a ser mais ponderadas e conscientes nas suas escolhas financeiras, mas também mais criativas, procurando na estrada uma alternativa flexível e acessível para criar memórias.
Esta mudança no “como” viajamos espelha uma evolução clara nas dinâmicas familiares. As famílias de 2026 são mais ativas, curiosas e exigentes. Já não procuram apenas um veículo com espaço e soluções inteligentes, o território onde o claim Simply Clever construiu o seu legado de sucesso. Hoje, as famílias procuram inspiração.
A transição para o Let’s Explore é crucial. Surge, precisamente, como resposta a este novo cliente. Se antes o foco estava na facilitação do dia-a-dia (a dimensão funcional), hoje o foco está na capacitação para a descoberta (a dimensão emocional). As marcas automóveis têm de deixar de ser apenas
fornecedoras de metal e tecnologia para passarem a ser facilitadoras de momentos.
O interesse crescente por pesquisas como “colchões para carro” ou “jogos para viagem” revela que o habitáculo passou a ser visto como uma extensão do espaço familiar. Seja numa travessia pela Nacional 2, numa escapadinha cultural a Salamanca, ou micro-aventura num parque natural, o carro é o cenário onde a conversa acontece, onde a música é partilhada, onde a educação dos mais novos se faz através da janela e o destino não termina a viagem.
Para as marcas, assumir este papel emocional significa compreender que a segurança e o conforto já não são “extras”, são a base sobre a qual se constrói a exploração. Segundo um estudo recente do Observatório ACP, 49% dos condutores admitem trocar de carro nos próximos um a cinco anos, mais 25 pontos percentuais do que em 2025, trazendo mais oportunidades ao mercado para realmente colmatar as necessidades reais das famílias portuguesas. Uma família exploradora precisa de um parceiro que simplifique o planeamento para que o foco possa estar na experiência.
À medida que entramos em 2026, o papel das marcas no setor automóvel deve ser o de alimentar esta chama da curiosidade. O nosso compromisso passa por entregar veículos que não servem apenas para “ir”, mas para “descobrir”.
A mobilidade do futuro será cada vez mais elétrica, sustentável e conectada, mas o motor principal continuará a ser a vontade humana de descobrir o que está para lá da próxima curva. Let’s Explore.














