O serviço de e-mail mais usado no mundo está a entrar numa nova era, depois de a Google ter começado a disponibilizar uma série de funcionalidades de inteligência artificial no Gmail, potenciadas pelo Gemini, o assistente de IA da gigante tecnológica.
Segundo o de The New York Times, a Google começou em janeiro a introduzir ferramentas que usam o Gemini para ajudar utilizadores a gerir caixas de entrada sobrecarregadas e a automatizar tarefas rotineiras de escrita e organização de e-mails.
No centro desta transformação está o novo AI Inbox, uma funcionalidade que ainda está em fase de testes com um pequeno grupo de utilizadores, mas que deverá chegar mais amplamente este ano. Esta versão reinventada da caixa de entrada promete deixar de ser apenas uma lista cronológica de mensagens para passar a apresentar um resumo inteligente das ações mais importantes a tomar, desde responder a pedidos pendentes até lembrar compromissos ou tarefas decorrentes de conversas por e-mail.
Por exemplo, ferramentas piloto detetaram conversas relevantes e geraram uma lista de tarefas, como responder a uma escola sobre matrículas ou completar um formulário clínico que constava nos e-mails.
Além do AI Inbox, algumas das funcionalidades gratuitas já disponíveis incluem “AI Overviews”, apresentando pequenos resumos gerados pela IA no topo de conversas longas, que condensam vários e-mails num resumo claro.
O Gmail passa também a contar com ferramentas de escrita assistida, que ajudam a compor e melhorar mensagens com base no estilo do utilizador. Os utilizadores vão ter disponível um botão “Ajude-me a escrever” que, ao ser clicado, ajuda a compor um e-mail a partir de um texto inicial, como “Escreva uma carta para a minha empresa de energia a perguntar a razão de a minha fatura ser tão elevada”.
Mas a Google também lançou novas ferramentas que estarão disponíveis apenas para assinantes de um dos planos de IA do Google, como a visão geral da IA para procura de e-mails, que permite procurar informações no histórico do e-mail com perguntas simples — como “Qual é o nome do recrutador que conheci no mês passado?” — em vez de depender de palavras-chave.
Outra ferramentas está relacionada com revisão ortográfica, com a IA do Google a conseguir destacar frases inteiras que precisam de melhorias e a sugerir uma revisão completa. Por exemplo, ela pode reduzir uma frase longa e confusa a algumas palavras concisas.
A expansão destas ferramentas levanta questões sensíveis sobre privacidade e acesso a dados pessoais, tendo em conta que para gerar resumos e responder a questões, o Gemini precisa de analisar o conteúdo completo da caixa de entrada do utilizador o que, por definição, significa que a IA lê esses e-mails.
A Google, no entanto, refere que essa análise é feita de forma isolada e que o processamento é realizado automaticamente pelo sistema de IA dentro de um ambiente “privado” para cada conta. A empresa também afirma que o conteúdo dos utilizadores não é utilizado para treinar o modelo público do Gemini, um ponto importante para tranquilizar os utilizadores preocupados com a forma como os seus dados são utilizados.














