Cerca de um em cada cinco adolescentes australianos continuam a utilizar plataformas como TikTok ou Snapchat, apesar da proibição de redes sociais para menores de 16 anos que entrou em vigor no país no final de 2025. Os dados, divulgados dois meses após a implementação da medida, levantam assim dúvidas quanto à eficácia dos mecanismos de verificação de idade utilizados pelas plataformas digitais.
De acordo com um relatório da empresa de software de controlo parental Qustodio, mais de 20% dos jovens entre os 13 e os 15 anos ainda acediam a aplicações como TikTok e Snapchat em fevereiro, mesmo depois da entrada em vigor da legislação que obriga as plataformas a bloquear utilizadores abaixo dos 16 anos, refere a Reuters.
Mas, ainda assim, a utilização registou de facto uma quebra significativa face ao período anterior à proibição, tendo o uso do Snapchat entre adolescentes caído cerca de 13,8 pontos percentuais, para 20,3%, enquanto o TikTok registou uma descida de 5,7 pontos, para 21,2%.
Já o YouTube – que pode ser utilizado sem login em muitos casos – apresentou uma redução mais moderada, com cerca de 36,9% dos adolescentes a continuarem a usar a plataforma.
A Austrália tornou-se, em dezembro de 2025, o primeiro país do mundo a proibir o acesso a redes sociais para menores de 16 anos através da implementação de legislação que obriga plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, Snapchat e YouTube a impedir a criação ou utilização de contas por jovens abaixo dessa idade, sob pena de multas que podem chegar aos 49,5 milhões de dólares australianos.
Apesar da redução registada, especialistas sublinham que a presença continuada de uma parte significativa de adolescentes nas plataformas mostra os desafios técnicos associados à verificação de idade online, com algumas análises a apontarem que os jovens conseguem contornar os sistemas ao indicar idades falsas ou recorrer a outros métodos para evitar os bloqueios.
Por outro lado, os receios de que os adolescentes migrassem em massa para plataformas menos reguladas não se confirmaram até agora, embora tenha sido observado um ligeiro aumento da utilização do WhatsApp entre jovens nesta faixa etária.














