Opinião de Cátia Simões, EU Digital Transformation Lead na Viatris
É praticamente um axioma: o marketing digital deixou de ser um apêndice dos negócios para se tornar no território onde estes acontecem. Assim, este já não é apenas um canal, mas sim um espaço onde as marcas vivem, crescem e competem.
As empresas que ainda o tratam como um “departamento” estão a perder relevância para aquelas que o encaram como cultura corporativa e como motor estratégico de crescimento, inovação e liderança. Porém, estar presente no digital não basta. O verdadeiro desafio é transformar essa presença em performance de excelência, em impacto real e em resultados tangíveis.
Neste novo cenário, a transformação digital está a lançar as cartas. Cada ponto de contacto digital – uma app, um site, um post, um e-mail, um chatbot, etc. – é uma oportunidade de criar proximidade e de estabelecer relações. E o desafio está em transformar cada interação numa experiência que gera confiança, conversão, fidelização, enquanto reduz a percentagem de churn. Por isso, as marcas que vencerão serão aquelas que souberem equilibrar automação com autenticidade, envolvimento, diferenciação e proximidade.
Neste cenário, a IA (Inteligência Artificial) é uma aliada poderosa. Não para substituir o humano, mas para o libertar. Libertar tempo, libertar criatividade, libertar pensamento estratégico. A IA poupa tempo em tarefas operacionais e otimiza recursos, mas o seu verdadeiro valor reside em elevar a capacidade humana: permite analisar melhor, decidir com maior clareza, criar com mais ambição e liderar com impacto estratégico. O futuro pertence a quem souber unir o rigor dos dados com a sensibilidade humana, porque é nesse equilíbrio que nasce a verdadeira vantagem competitiva. Sistemas todas as empresas têm… as pessoas certas já não. Espírito crítico e pensamento estratégico serão os óscares vencedores dos próximos tempos.
Hoje, construir um ecossistema digital não é só comunicar – é criar ativos que geram retorno, posicionamento, diferenciação e insights estratégicos. As marcas que percebem isto transformam cada campanha, cada automação, cada dashboard e cada conteúdo num investimento que produz valor contínuo. Time to market, numa era de competitividade elevada, não pode ser a consequência de eficiência processual, é a chave de ouro de quem quer abrir a porta no momento exato. Quem hesitar, chega tarde.
E essa relevância é dada pelo cliente. No final, é ele que decide, e decidirá em função de quem melhor o entender, antecipar e servir. No ambiente certo, com a frequência certa, no timing certo. De quem conhece o seu comportamento com profundidade e entrega valor antes mesmo de ser solicitado. O cliente já não é o destino da jornada: é o ponto de partida. Uma relação contínua, emocional e personalizada. Hoje é imperativo compreender o consumer behaviour e posicionarmo-nos como parceiros, não como vendedores.
Por isso, mesmo num ambiente automatizado, é o propósito que conecta. A nova liderança de marketing, no contexto da transformação digital, já não é company-centricity, mas antes transformar cada interação digital numa experiência individual que gera confiança, conversão e fidelização – costumer centricity. É uma liderança que une estratégia e humanidade, dados e emoção, inovação e impacto. Que entende que os dados contam histórias, mas são as emoções que as tornam inesquecíveis. Porque não basta estar – é preciso marcar a diferença, gerar ligações únicas, trazer valor acrescentado para o negócio e para o cliente, transformar cliques em relações. E é aí que começa o verdadeiro jogo.














