Enquanto Hollywood continua a debater diversidade, inclusão e representatividade, um novo estudo veio expor que, nos últimos três anos, foi mais provável encontrar um filme protagonizado por um ator chamado “Chris” ou por um animal falante, do que por uma mulher com mais de 60 anos.
A conclusão surge de uma análise conduzida pela britânica Age Without Limits, a propósito de uma campanha contra o idadismo, e divulgada pelo The Guardian. Os resultados mostram que apenas cinco dessas produções tiveram uma mulher com mais de 60 anos no papel principal. Em contraste, seis filmes foram liderados por atores chamados Chris e cerca de 20 tiveram animais falantes como protagonistas.
O dado pode parecer insólito, mas o objetivo do estudo é chamar a atenção para a questão da sub-representação das mulheres mais velhas no cinema comercial, algo que é também extensível à publicidade.
A divulgação do estudo contou com o apoio da atriz Emma Thompson, de 67 anos, que não poupou críticas à indústria cinematográfica. Segundo a atriz, as mulheres representam metade da população e continuam a envelhecer, mas as suas histórias raramente chegam ao grande ecrã, tendo Emma Thompson defendido que as mulheres mais velhas são personagens complexas, relevantes e interessantes, merecendo um papel mais central nas narrativas contemporâneas.
Os responsáveis pela campanha Age Without Limits argumentam que esta ausência de representação não é apenas uma questão artística, mas também social, sendo que apesar de uma parte significativa dos espectadores de cinema ter mais de 55 anos, as produções continuam a privilegiar protagonistas mais jovens, sobretudo homens.
Mais do que um debate sobre casting, o estudo evidencia uma desconexão entre a realidade demográfica e aquilo que chega aos ecrãs, pelo que num panorama em que o envelhecimento da população é uma das grandes transformações sociais e económicas das próximas décadas, ignorar este público pode representar uma oportunidade perdida não só para os estúdios de cinema, mas também para marcas, anunciantes e produtores de conteúdos.












