Estarão os portugueses satisfeitos com Seguro Multirriscos Habitação?

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06/06/2026
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As tempestades do início do ano renovaram preocupações sobre o Seguro Multirriscos Habitação. O tema levou a Mudey a lançar um inquérito online com dois principais objetivos: avaliar o nível de conhecimento sobre o seguro da casa e recolher perceções sobre satisfação com a contratação e utilização.

Perante a pergunta transversal a quem tem ou não um seguro contratado de como classificam o seu grau de conhecimento sobre o Seguro Multirriscos Habitação, 38% avaliaram os seus conhecimentos como altos ou muito altos (4 e 5, numa escala de 1 a 5), enquanto 43% atribuíram-lhes um nível médio (3). O nível de conhecimentos é percecionado de forma diferente, de acordo com o género: 47% dos homens indicam um nível de conhecimentos alto ou muito alto; algo que só 26% das mulheres fazem.

Porém, o inquérito identificou uma diferença entre o conhecimento percecionado e o real. Em média, os inquiridos acertaram apenas 1,8 em 4 perguntas sobre o funcionamento e obrigatoriedade legal de algumas das coberturas do Seguro Multirriscos Habitação. Quem afirmou ter conhecimentos bons ou muito bons sobre este seguro acertou, em média, 2,6 perguntas; enquanto quem avaliou os seus conhecimentos como médios não foi além de 1,7 perguntas respondidas acertadamente. O desconhecimento revelou-se particularmente evidente ao nível das coberturas efetivamente incluídas nas apólices contratadas. Muitos consumidores demonstraram não saber se estavam protegidos contra riscos específicos, como fenómenos sísmicos, tempestades ou incêndio, evidenciando uma relação distante com o próprio seguro.

Entre os inquiridos com Seguro Multirriscos Habitação contratado, o nível médio de satisfação ficou pelos 6,9 (escala de 0 a 10), com 40% a mostrarem-se insatisfeitos (níveis de 0 a 6). O estudo conclui que a satisfação com o produto está fortemente ligada à perceção de preço, ao canal de contratação e ao motivo pelo qual o consumidor tem o seguro. Os níveis de satisfação são superiores entre consumidores que contrataram o seguro com o objetivo de proteger a habitação, quando comparados com aqueles que o fizeram sobretudo por imposição associada ao crédito habitação ou por obrigação legal.

Apesar de 54% considerarem o valor que pagam pelo seu seguro da casa justo, 26% acham-no caro. Já 20% admitiram desconhecer quanto pagam. Além disso, os dados mostraram que, entre os inquiridos, 21% não sabiam se tinham contratada cobertura de fenómenos sísmicos. Outros 25% desconheciam se tinham cobertura contra tempestades e fenómenos da natureza.

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“O estudo permite perceber que a relação que o consumidor constrói com o seguro influencia diretamente a forma como o valoriza e o nível de satisfação que tem com o produto. Quando existe um papel mais ativo na escolha — seja na comparação, na procura de informação ou na definição das coberturas — os níveis de satisfação tendem a ser superiores”, explica Ana Teixeira, cofundadora da Mudey. “Por outro lado, quando o seguro é percecionado, sobretudo, como uma obrigação quer bancária quer legal, o sentimento tende a ser mais negativo e distante. O desafio do setor passa precisamente por garantir acesso e proximidade do consumidor ao produto, para que exista compreensão e percepção do valor real da proteção que está a contratar, mesmo quando a contratação resulta de uma exigência legal ou bancária”, acrescenta.

Entre os proprietários com crédito ativo, 60% contrataram o seguro por exigência do banco. Mas à medida que o crédito é liquidado, o motivo transforma-se: 80% dos que não têm crédito mantém o seguro para proteger a habitação e o seu património. A Mudey salienta que esta migração se reflete na satisfação: quem contratou para proteger a habitação apresenta uma satisfação média de 7,2/10. Quem o fez por exigencia bancária fica nos 6,6/10. Já quem o contratou por obrigação legal regista a satisfação mais baixa: 6,2/10. “Os resultados indicam que a contratação do seguro começa como uma obrigação, associada ao crédito, mas, quando este deixa de existir, os consumidores ficam pela perceção da necessidade de proteção. Ou seja, à medida que o crédito vai sendo liquidado, o motivo declarado da contratação migra da imposição bancária para a proteção genuína dos bens. A obrigação cria o hábito, e o hábito revela o valor”, explica Ana Teixeira.

O barómetro “Como os portugueses protegem as suas casas?” teve por base um inquérito online (divulgado pela Mudey) tendo sido recolhidas 375 respostas válidas, entre os meses de março e abril de 2026. Os resultados apresentam um nível de confiança de 95% e uma margem de erro estimada de 5%.

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