Opal: «Queremos e vamos continuar a crescer»

Cadernos
Marketeer
23/05/2025
08:30
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Com uma história rica, marcada pela expansão internacional e pela adaptação a novas tendências com que naturalmente lidou num Mundo que mudou radicalmente ao longo de seis décadas, a Opal mantém sempre a sua identidade portuguesa. Cada projecto reflecte os valores fundamentais da agência, que se considera parceira dos clientes, como sublinha o seu CEO, Bruno Rente.

Para uma empresa fundada nos anos 60, quais as grandes mudanças que identifica nos mercados de publicidade de hoje e de então?

Nos últimos 60 anos, o mundo mudou muito. A nível cultural, social e económico, vivemos transformações profundas que tiveram impacto na publicidade, na medida em que determinaram os comportamentos de consumo, mas também as tendências estéticas, as narrativas, e, sobretudo, os meios. Houve uma era quase mítica, em que a criatividade era o centro de tudo, foi o tempo das grandes ideias e dos anúncios memoráveis. Depois veio a globalização, que nos abriu a novos mercados e novas marcas. De repente, apareceu a internet e virou tudo do avesso. Mais tarde, com o digital, fomos obrigados a repensar os modelos, os timings e a própria génese dos conteúdos. Hoje, com a automação e a Inteligência Artificial, entramos numa nova fase. Há imensos desafios pela frente, mas também muitas oportunidades. E, mais do que nunca, precisamos de comunicar com responsabilidade social, ética, sustentabilidade e propósito. Os consumidores estão mais atentos, informados e exigentes e o nosso desafio é cada vez maior.

A Opal oferece uma gama diversificada de serviços, desde publicidade tradicional até soluções digitais. De que forma a agência trabalha para garantir uma integração eficaz entre estas diferentes áreas?

Posicionamo-nos como uma agência de criatividade e comunicação integrada, por isso, para nós, alinhar competências nunca foi uma dificuldade. O ponto de partida é sempre o mesmo: uma ideia forte, com propósito, pensada para viver de forma consistente e adaptada a cada meio. A partir daí, quer se trate de uma campanha, um evento, uma nova identidade, o trabalho é desenvolvido com uma colaboração estreita e permanente entre equipas criativas, estratégicas, de produção, media e digitais. Isto permite-nos chegar onde quer que o consumidor esteja, garantindo coerência na mensagem, eficiência na execução e bons resultados para os clientes.

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Como é que a agência tem vindo a integrar na sua actividade as tendências emergentes do mercado publicitário, como é o caso da Inteligência Artificial?

Ao longo destes mais de 60 anos, integrámos sempre com naturalidade as novas tecnologias e as tendências do sector. A Inteligência Artificial já faz parte do nosso dia a dia, sobretudo em tarefas mais mecânicas e repetitivas, libertando tempo para aquilo que realmente nos distingue: a criatividade e o pensamento estratégico. Utilizamos algumas ferramentas que nos ajudam a trabalhar com mais agilidade e precisão, mas sem comprometer a originalidade e a qualidade do trabalho. Encaramos essas ferramentas de IA numa perspectiva de apoio e complementaridade, jamais de substituição.

Por mais que apareçam ferramentas incríveis, a criatividade humana não pode ser simplesmente substituída por uma máquina. Algumas características são inerentes à raça humana e não poderão ser emuladas por nenhuma máquina, como empatia, tristeza e o próprio reconhecimento da beleza.

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Do ponto de vista criativo, nenhum valor se equipara ao que é gerado numa mente humana, explorado num brainstorming e posteriormente materializado pelas mãos de profissionais como fotógrafos, copywriters, ilustradores, estrategas, etc., etc.

Como é que a Opal se diferencia de outras agências de comunicação 360º no mercado? O que oferece de diferente?

Acreditamos que a nossa mais-valia está na capacidade dos nos comprometermos do início ao fim com os nossos clientes, de os acompanharmos em qualquer desafio e em qualquer ponto do globo. A relação é o alicerce fundamental dos nossos processos. Mas isto não acontece por acaso. Só é possível porque temos uma equipa multidisciplinar, com um espírito de colaboração que nos torna muito ágeis. Mais do que criativos ou executores, somos parceiros – atentos, curiosos e sempre prontos a encontrar a melhor solução, por mais complexa que seja e aonde quer que ela nos leve. É essa entrega que faz a diferença e consolida as relações de confiança que nos orgulhamos de ter com os clientes, muitos há mais de 20 anos.

A Opal já se expandiu para mercados internacionais, nomeadamente Brasil e Moçambique. Quais os resultados e aprendizagem destas experiências fora de Portugal?

Podemos afirmar que a grande aprendizagem foi a capacidade de adaptação e percepção de contexto, que nos permite hoje ter mais que agências noutras geografias, desenvolver acções de comunicação e marketing para os nossos clientes em mais de 30 países de diferentes continentes ajudando na sua internacionalização e que hoje muito contribuem para o desenvolvimento de negócio da Opal.

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De que forma a identidade de uma empresa 100% portuguesa é diferenciadora na actuação em mercados estrangeiros?

O nosso país é, por tradição histórica, vocacionado para navegar, para explorar caminhos e construir pontes entre nações e culturas. Esse misto de ousadia e curiosidade que nos impele a ir ao encontro dos outros é o nosso ADN e reflecte-se na forma como trabalhamos além-fronteiras. Temos uma predisposição natural para responder com agilidade e flexibilidade, para estar em todo o lado, para falar outras línguas, entender outros povos e culturas, o que faz de nós bons parceiros em contextos multiculturais e exigentes. Acredito que herdámos dos nossos antepassados uma forma muito própria de ver o mundo, global, ampla e sempre aberta a novas possibilidades e territórios.

Com a constante evolução do sector de eventos, como têm inovado na criação de experiências únicas para os clientes, tanto em eventos nacionais como internacionais?

A inovação tem de fazer parte de todos os processos e na criação dos nossos eventos ou de Clientes preocupamo-nos sempre em trazer inovação e com isso surpreender quem participa, através de experiências imersivas e que possam viver para além do momento. Sendo que as preocupações ambientais, o foco no bem-estar dos participantes e as inovações tecnológicas têm igualmente de estar sempre presentes, como foi o caso do evento Port Wine Fest que visitou recentemente três cidades dos EUA e foi um grande sucesso para o posicionamento de Portugal.

Quais os valores e propósito internos da equipa e como promovem o desenvolvimento contínuo dos colaboradores?

Gostamos sempre de destacar o espírito de colaboração – entre departamentos, pessoas e gerações. Temos uma equipa de 40 pessoas, com perfis seniores de diversas competências, que têm uma bagagem fundamental para a empresa, e talentos mais jovens, que chegam com uma nova energia e uma visão ousada. Essa combinação cria oportunidades quotidianas de evolução e aprendizagem para todos. Investimos também na formação contínua, com planos adaptados ao sector, mas suficientemente flexíveis para que cada pessoa possa aprofundar o que já sabe ou explorar novas áreas de interesse. Promovemos workshops internos que apelidamos de Snacks Opal, e que são momentos de partilha de experiências, ideias, projectos e de competências. Queremos que todos tenham a possibilidade de crescer.

Como antevêem o futuro da publicidade em Portugal e qual será o papel da Opal nesse cenário em constante mudança?

É difícil fazer projecções, num quadro de instabilidade como o que estamos a viver. Sabemos, no entanto, que a digitalização e a Inteligência Artificial vão continuar a provocar mudanças profundas e que os mercados atravessam tempos desafiantes. Nesse sentido, acreditamos que a nossa maior aposta deve ser na flexibilidade, na capacidade de nos adaptarmos, de sermos receptivos e de agirmos com rapidez e criatividade. Por outro lado, como referi atrás, actualmente os consumidores são mais atentos, exigentes e esperam das marcas uma voz autêntica e claramente posicionada. Isso coloca-nos perante a responsabilidade de criar valor real, de sermos consequentes e não nos limitarmos a impactos momentâneos. Portanto, temos consciência que os desafios são enormes, mas olhamos para eles com confiança.

Quais os objectivos futuros para a Opal em termos de desenvolvimento de negócios e expansão internacional?

Queremos e vamos continuar a crescer. Nos últimos três exercícios crescemos mais de 40% em volume de negócios, em grande parte devido à nossa actuação além-fronteiras, sendo que vamos continuar atentos a estas dinâmicas e a apoiar continuamente os nossos clientes na internacionalização, bem como continuar muito atentos a oportunidades de negócio e de desenvolvimento.

Que conselhos dariam a empresas portuguesas que procuram fortalecer a sua presença no mercado através de estratégias de comunicação eficazes?

Cada caso é um caso, mas há aspectos que são transversais e, do nosso ponto de vista, contribuem para esse fortalecimento. Em primeiro lugar, a coerência, a verdade com que uma marca comunica, é fundamental para atrair e fidelizar consumidores. Também é essencial conhecer bem o público-alvo, ser sensível e receptivo ao seu feedback e atento às suas expectativas. Depois a criatividade, que continua a ser uma das ferramentas mais poderosas para garantir notoriedade e diferenciação. Num mercado cada vez mais dinâmico e exigente, é igualmente importante ter uma postura ágil: testar, ajustar e evoluir constantemente. Uma comunicação eficaz é, acima de tudo, um processo contínuo de avaliação, atenção e adaptação. E isso é o que nós sabemos fazer melhor, há mais de seis décadas.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Empresas 100% Portuguesas”, publicado na edição de Abril (n.º 345) da Marketeer.




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