Vila Galé: Uma empresa portuguesa, com certeza

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Na cidade, no campo, na praia e até na montanha é onde se podem encontrar hotéis com a chancela Vila Galé num total de 36 unidades, 27 em Portugal e nove no Brasil. E a empresa já entrou na produção e comercialização de vinhos e azeites

A marca Vila Galé surge em 1986, fundada por Jorge Rebelo de Almeida, actual presidente, José Silvestre Lavrador e José Ruivo.

Nessa altura, Jorge Rebelo de Almeida, que tinha estudado Direito, estava a estagiar no Ministério das Obras Públicas e começou a lidar muito com questões relacionadas com construção civil. Foi então que decidiu aproveitar a experiência e o conhecimento adquiridos para lançar o seu próprio projecto. Em 1988 abria o hotel apartamento Vila Galé – hoje o Vila Galé Atlântico –, na praia da Galé, Algarve.

«Nessa altura não havia planos para lançar um grupo de hotelaria, mas depois surgiu oportunidade de abrir mais um hotel, próximo do primeiro e a empresa foi crescendo», conta Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da Vila Galé. Actualmente, a Vila Galé tem 36 hotéis, 27 em Portugal e nove no Brasil. Em 1996, quando o grupo já tinha cinco hotéis no região algarvia, avança para a Grande Lisboa, com a compra de uma unidade em Cascais.

A aposta na agricultura foi também um marco. Em 1998 compram duas herdades perto de Beja e nessa propriedade abrem o Vila Galé Clube de Campo, «um hotel rural com um conceito completamente inovador para a época». A internacionalização chegaria em 2001, com a abertura de um hotel Vila Galé em Fortaleza, no Brasil.

Os lançamentos de novas marcas também são momentos marcantes da história da empresa. Gonçalo Rebelo de Almeida destaca a submarca Collection, cujo primeiro hotel, o Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, inaugurou em 2013, tendo sido também o primeiro cinco estrelas. O Clube Nep para as crianças, os spas Satsanga, os restaurantes Inevitável, Versátil e Massa Fina também fazem parte da história da Vila Galé.

«Saliento ainda a produção de vinhos e azeites regionais alentejanos, com a marca Santa Vitória, que iniciámos em 2002, e os vinhos do Douro Val Moreira, criada em 2019», acrescenta o administrador. O grupo acredita que os hotéis não são espaços só para dormir. «Devem ter vida e por isso apostamos na complementaridade de serviços e na oferta de animação, permitindo experiências diferentes e mais ricas aos clientes. Uma via para garantir a máxima satisfação e a sua fidelização», explana.

Dos 36 hotéis, há unidades na cidade, no campo, na praia e agora até na montanha, como o Vila Galé Serra da Estrela. Têm hotéis boutique, resorts com tudo incluído e hotéis mais vocacionados para lazer, outros para eventos e viagens de negócios e com uma vertente de bem-estar, como o Vila Galé Sintra.

Ou seja, uma oferta variada. Algo que também acontece em termos de localização. A Vila Galé tem cada vez mais hotéis em zonas classificadas como património histórico da Humanidade, ou próximo: Braga, Porto, Douro, Coimbra, Sintra, Évora, Elvas. E ao longo do tempo tem apostado em ter hotéis em edifícios com história, a maioria reabilitados e requalificados pelo grupo, como o Vila Galé Albacora, o Vila Galé Collection Palácio dos Arcos (um antigo palácio do século XV) e o Vila Galé Collection Braga (no antigo hospital de São Marcos). Outros exemplos, sublinha o administrador, «são o Vila Galé Collection Elvas, em que recuperámos o antigo Convento de São Paulo, mesmo no centro da cidade, e o Vila Galé Collection Alter Real, em Alter do Chão, com a reconversão de alguns espaços da Coudelaria de Alter, ambos no âmbito do programa Revive».

Esta estratégia tem permitido à Vila Galé ter hotéis com história e temáticos, ou seja, todos diferentes, algo apreciado pelos clientes. O que se mantém, de uns para os outros, são os padrões de serviços de qualidade, com oferta gastronómica variada, spa ou clube de saúde e animação. «A soma destes elementos é que nos torna diferentes e define a marca Vila Galé.» Apesar de ter vários perfis de clientes e o mesmo cliente poder assumir vários perfis consoante o motivo da viagem, é inegável que a Vila Galé aposta fortemente no turismo para famílias.

Por outro lado, tem um portefólio de hotéis variado, conseguindo captar muitos públicos diferentes. «Nisso, o facto de termos hotéis temáticos, muito ligados à História, às artes e ao património português também nos diferencia», assume lembrando que o mercado nacional representa cerca de 40% do negócio nos hotéis em Portugal.

Já no Brasil, 90% dos clientes são brasileiros e aí são muito fortes também no sistema all inclusive, conceito do qual foram pioneiros no país. Ultrapassar as dificuldades Mas ao longo destas três décadas também houve situações adversas que acabaram por ter reflexos na área do turismo, como o 11 de Setembro, a crise de 2008 que se arrastou até 2015 ou agora esta pandemia, que trouxe situações inéditas.

«Ao longo do tempo tivemos quebras fortes de actividade e de facturação devido a conjunturas económicas adversas, muitas vezes na casa dos 30%, mas nunca tínhamos tido de fechar praticamente todos os hotéis e ter zero de receitas», conta. Para este ano, o grupo tinha prevista a inauguração de três unidades hoteleiras, mas teve de adequar o calendário tendo em conta a pandemia.

O hotel Vila Galé Collection Alter Real abriu na data prevista, a 13 de Março, mas fechou logo a seguir. Já o Vila Galé Serra da Estrela ficou pronto e estava preparado para abrir a 27 de Março, contudo tiveram de adiar. «Prevemos que ambos os hotéis possam reabrir em Junho, mas tudo dependerá da evolução das condições sanitárias», comenta o administrador. Já o Vila Galé São Paulo continua a ser construído, prevendo-se que a abertura venha a ocorrer em Julho. Trata-se de unidades que pretendem completar ainda mais o portefólio e permitem ao grupo lançar novos produtos turísticos.

«Em Alter do Chão, no Vila Galé Collection Alter Real, o tema equestre está muito presente, mas teremos também falcoaria, por exemplo», conta. Já a unidade da Serra da Estrela é a primeira num destino de Inverno e de montanha. «E no caso de São Paulo, era um hotel que ambicionávamos há algum tempo, tendo em conta a importância que a cidade tem para o país, sendo uma das principais metrópoles da América do Sul e o principal pólo emissor de turistas para os resorts do nordeste», diz. O balanço da operação no mercado brasileiro era positivo, embora a pandemia tenha vindo baralhar um pouco as contas.

Também fecharam todas as unidades de lá devido à Covid-19. «Até então, estávamos a registar boa procura. Os resorts com tudo incluído continuam a ser muito apreciados pelo público brasileiro, compensando até algum arrefecimento da procura nos hotéis de cidade.» Ainda assim, o Vila Galé é um dos beneficiários do pacto de medidas económicas aprovado pelo governo federal do Brasil, tendo em vista a mitigação dos efeitos da Covid- 19 no país.

«As medidas tomadas foram importantes. O turismo e as viagens foram dos sectores mais afectados e a iniciativa do governo federal brasileiro foi essencial para a sustentabilidade das empresas desta área e para a manutenção dos postos de trabalho.» Até que haja um tratamento ou uma vacina, todos os mercados terão de viver com alguma incerteza e instabilidade ao nível da procura turística.

«Ainda há muitas incógnitas como a hipótese de haver mais vagas, a evolução do transporte aéreo ou a redução do poder de compra. Com o que sabemos à data, prevemos que a recuperação será gradual, lenta e faseada», remata o administrador.

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