M.ª João Vieira Pinto
Directora de Redacção Marketeer
Já fui vítima de violência. Só hoje, neste escrito, o torno público. Era jovem, achava-me pequena, muito pequena, reduzida. Não é assim tão difícil ser-se vítima, mas não é fácil dizê- lo. Perde-se noção e valor, o nosso valor. Eu saí sozinha. Há quem não o consiga e quem nunca o faça.
A violência tornou-se, mais que um tema, um mal que nos enferma. E mesmo que o nosso País siga, ela persiste.
Há uns anos, algumas marcas começaram a vir, sem medo, dar voz a almas temerosas. Vieram mostrar lados mais negros, comportamentos incomportáveis, mostrar que há vida para além da sombra, denunciar, provocar e dar a mão. Em redes de entreajuda, começaram a clarificar que há ajuda e vida para além dessa vida, elucidando. Um trabalho cívico e social sem preço, preconceitos ou temores.
Os mais recentes números estatísticos registados pela APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima revelam que, entre os crimes e outras situações de violência registados em 2025, a violência doméstica continua a assumir um peso predominante (73,9%). E, ainda lendo dados da APAV, em 2025, face a 2024, registou-se um aumento de 11,5% no número de vítimas apoiadas, de 5,8% nos atendimentos realizados e de 13,1% nos crimes registados.
Por isso, a Marketeer, este mês, fez não uma, mas duas capas, numa tentativa de chamada de atenção redobrada. Uma capa feita das tais marcas que querem acabar com elas, as marcas físicas e emocionais que a violência imprime. Um obrigado honesto a todas que fazem disto o seu propósito com real propósito, sem maquilhagem ou faz de conta. Obrigada, Agilcare, Gulbenkian, IKEA, Josefinas, Toyota, Vodafone, YSL… Porque só com formação, informação e verdadeiras redes de entreajuda somos melhores, mais seguros e felizes. E só assim seguimos em frente com valores.
Editorial publicado na revista Marketeer n.º 356 de Março de 2026














