Um clássico que se renova

É no Largo das Belas Artes, em Lisboa, junto ao Chiado, que tradição e inovação se casam. O Tágide, nome que na restauração acompanha gerações de bons garfos desde os anos 70 (antes era um espaço dançante), tem uma carta renovada onde sobressaem os sabores portugueses. Aqui, o prato da casa é o fine dinning, procurado na sua grande maioria por estrangeiros, residentes ou turistas (que representam no total cerca de 85% dos clientes). Um facto a que não é certamente alheia a vista privilegiada sobre Lisboa que de qualquer das várias e amplas janelas do espaço se consegue ter.

No dia em que fomos experimentar algumas das sugestões da carta de Primavera, Lisboa brindava-nos com a sua luz mágica e apaixonante. Talvez por isso, e bafejado por essa inspiração, não tenha sido difícil ao chef (que responde também pela cozinha do recém-reinaugurado Saraiva’s, que pertence aos mesmos sócios) deixar-nos rendidos aos prazeres da mesa.

Começou por brindar-nos com uma fabulosa cavala com beterraba e lima kaffir. Seguir-se-lhe-ia o prato de peixe com o belíssimo peixe do dia, ervilhas, papada de porco do Zambujal curada 24 meses e chá verde. Na carne esperava-nos uma nova influência oriental no sabor português com o peito de pato com texturas de nabo e kimchi. Por último, la piece de resistance, duas sobremesas para sentirmos duas propostas bem diferentes: por um lado o morango, pistácio e leite crocante, por outro, o aipo, yuzu e matcha. Tão diferentes que nem sabemos qual escolheremos numa segunda visita. Sim, porque vamos voltar. Pela comida, pela vista e para ver com maior detalhe os painéis de azulejos, bem antigos e que em excelente estado de conservação continuam a transportar-nos para aquelas décadas em que se abrandava, de facto, para desfrutar de uma boa refeição.

Texto de Maria João Lima

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