Já não basta aparecer, é preciso ser escolhido

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19/05/2026
20:30
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Opinião de João Castro e Lemos, Head of New Business da Republica

Há uma constante no marketing e no negócio. O cliente nunca para de mudar. Mas desta vez a mudança não é apenas comportamental, é estrutural.
Durante anos, as marcas lutaram para aparecer na primeira página do Google.

Hoje o desafio já não é esse. O desafio é conseguir que uma Inteligência Artificial (IA) nos inclua na resposta.

A IA não está apenas a influenciar decisões. Está a redefinir a forma como as pessoas pesquisam, avaliam, escolhem e interagem com informação e marcas. Em muitos casos, o cliente já nem pesquisa no sentido tradicional. Conversa, pergunta, recebe uma resposta pronta e segue em frente.

O espaço entre a marca e o consumidor está a ficar mais pequeno. E cada vez mais mediado por sistemas que decidem o que merece ser visto, recomendado ou ignorado.

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Do cliente informado ao cliente assistido
Durante os primeiros anos da internet, o comportamento do cliente era simples. Os motores de busca funcionavam como bibliotecas digitais, o utilizador introduzia uma pergunta ou palavra-chave, e navegava por uma lista de resultados essencialmente neutra. A descoberta era ativa, e o controlo estava quase totalmente do lado do utilizador. Com a evolução da web e o crescimento das plataformas digitais, entrámos numa segunda
fase, a era dos algoritmos de personalização. Redes sociais, e-commerce e motores de recomendação começaram a reorganizar a experiência digital com base em comportamento, histórico e interesses. Já não era apenas o utilizador a procurar, era o sistema a antecipar, sugerir e priorizar. O conteúdo passou a ser filtrado por relevância algorítmica, criando uma experiência mais eficiente, mas também mais condicionada.
Hoje, estamos a entrar numa terceira fase, a do cliente assistido por IA. A diferença pode parecer subtil, mas é profunda. Já não são apenas de organização de informação ou recomendação de conteúdos. São sistemas que interpretam intenções, sintetizam informação e apresentam respostas completas, muitas vezes sem que o utilizador tenha de navegar por múltiplas fontes.

O cliente deixa de “procurar” no sentido tradicional e passa a “conversar” com sistemas que fazem o trabalho de pesquisa, filtragem e decisão preliminar por ele. A jornada torna-se mais curta, mais fluida e mais dependente da mediação algorítmica.

Esta evolução tem um impacto direto na relação entre marcas e consumidores. Cada etapa reduz o espaço de exposição direta da marca ao cliente e aumenta o poder dos sistemas que decidem o que é relevante, visível e recomendável.

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GEO e a nova fronteira da visibilidade
O GEO (Generative Engine Optimization) representa uma evolução natural do SEO (Search Engine Optimization). Se antes otimizávamos conteúdos para motores de busca, hoje temos de otimizar para motores generativos.
Falamos de plataformas como ChatGPT da OpenAI, o Claude da Anthropic, o Gemini da Google, ou ainda soluções como Perplexity AI. Nestes ambientes, a lógica de descoberta mudou radicalmente. Já não estamos perante uma lista de resultados para o utilizador explorar, mas sim perante uma resposta única, construída por modelos que interpretam intenções, cruzam fontes e decidem o que é mais relevante. Isto significa que a visibilidade de uma marca já não depende apenas do seu posicionamento em motores de busca tradicionais, mas da sua capacidade de ser compreendida, validada e incorporada por estes sistemas generativos. O desafio deixa de ser “aparecer na primeira página” e passa a ser “ser incluído na resposta”.

Neste contexto, a Republica tem vindo a desenvolver uma abordagem prática a esta nova realidade através de um novo serviço de GEO. Este inclui auditorias especializadas à presença digital das marcas em ambientes de inteligência artificial, bem como a otimização da forma como motores generativos interpretam, validam e incorporam informação sobre essas marcas nas respostas que produzem.

Mais do que uma extensão do SEO tradicional, trata-se de uma disciplina emergente que procura garantir que as marcas não são apenas encontradas, mas efetivamente compreendidas e representadas pelos sistemas de IA.

Como se constrói presença nos motores generativos
Os modelos de IA não descobrem marcas apenas através do seu site ou dos seus conteúdos proprietários, interpretam sinais dispersos em múltiplos contextos digitais para decidir quem merece ser incluído nas respostas que geram.
Na prática, isso significa que a reputação de uma marca é construída pela soma de várias camadas interligadas, a qualidade e consistência dos seus conteúdos, a forma como é referenciada em media e sites de referência, e a perceção externa refletida em sinais de confiança como reviews, classificações e feedback de utilizadores.
Um review positivo não é apenas uma validação de um cliente, é um sinal de confiança que alimenta o ecossistema. Uma menção num site de referência não é apenas PR, é um indicador de autoridade. Um conteúdo bem estruturado não é apenas marketing, é uma fonte potencial de resposta para sistemas de IA.

Neste novo paradigma, a presença nos motores generativos constrói-se da mesma forma que no mundo real, de forma cumulativa, coerente e validada por terceiros.

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E talvez essa seja a maior mudança de todas. Já não basta ser relevante aos olhos da marca. É preciso ser reconhecido como relevante por um conjunto alargado de sinais digitais que, em conjunto, determinam se uma IA nos escolhe ou simplesmente nos ignora




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