Tabaqueira: Transformação e sustentabilidade na indústria

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05/02/2025
08:50
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A Tabaqueira posiciona-se como um dos principais motores da transformação do seu sector, integrando inovação, sustentabilidade e uma visão de futuro livre de fumo. Desde 2016, a empresa tem implementado mudanças significativas, assumindo o compromisso de reduzir o impacto ambiental, promover alternativas menos nocivas e consolidar-se como um dos principais exportadores nacionais. Em entrevista à Marketeer, Marcelo Nico, director-geral da Tabaqueira, partilha os progressos alcançados e os desafios enfrentados.

Como avalia os principais progressos já alcançados pela Tabaqueira desde o início do processo de transformação que definiu em 2016?

A Tabaqueira, enquanto filial portuguesa da Philip Morris International (PMI), concretiza aquela que é a mudança transformacional no paradigma do grupo: alcançar um futuro livre de fumo, impactando positivamente a sociedade e o planeta.

Desde 2016, o ano em que a PMI anunciou a sua nova visão de negócio – fazer dos cigarros uma coisa do passado –, que a Tabaqueira foi escolhida para receber alguns dos centros de excelência operacionais do grupo, como, por exemplo, o IT HUB, um centro avançado em tecnologia que desenvolve soluções de software para toda a cadeia de valor do grupo, incluindo para os dispositivos sem combustão da PMI, que se assumem como melhores alternativas aos cigarros, baseadas em evidência científica. À data de hoje, mais de 36,5 milhões de fumadores adultos em todo o mundo já transitaram para estas soluções sem fumo da PMI, comercializadas em mais de 90 mercados.

A localização destes centros operacionais em Portugal, além de permitir criar emprego altamente qualificado, acentua a vocação exportadora da Tabaqueira, que está no Top 10 das maiores exportadoras nacionais. Além da sua fábrica, que exporta 90% da produção ao exterior, estes centros de excelência exportam serviços de elevado valor acrescentado a diversos mercados e regiões da PMI. Em 2023, as exportações da Tabaqueira passaram, pela primeira vez, 800 milhões de euros (atingindo 828 milhões, mais concretamente).

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Por outro lado, fruto do investimento da PMI em Portugal, a fábrica da Tabaqueira, localizada em Sintra, é um dos mais avançados centros produtivos do grupo na Europa, ao mesmo tempo que se posiciona como uma das unidades do grupo que mais traduz a sustentabilidade enquanto estratégia, por via da diminuição do seu impacto operacional: é uma das fábricas ponta de lança da PMI, certificadas em neutralidade carbónica.

De que forma a sustentabilidade é integrada no planeamento estratégico de longo prazo da Tabaqueira?

A sustentabilidade está no centro da nossa estratégia. Em todas as decisões de gestão que tomamos, respondemos aos impactos sociais e ambientais dos nossos produtos e das nossas operações. Isto significa que a sustentabilidade está incluída em todas as nossas práticas diárias. Sendo o impacto do consumo de cigarros na saúde, a externalidade negativa mais significativa da nossa actividade, estamos a abordá-la de forma absolutamente estratégica, investindo no desenvolvimento de um portefólio de alternativas menos nocivas, inovadoras e cientificamente fundamentadas. Nesse sentido, na PMI, estabelecemos o objectivo de, em 2030, termos mais de dois terços das nossas receitas líquidas provenientes das alternativas sem combustão. Em Abril de 2024, cerca de 40% das vendas líquidas do grupo já foram originadas nestes novos produtos – numa tendência que espelha também aquilo que se passa em Portugal, onde já existem cerca de 600 mil utilizadores de produtos sem fumo da PMI. Mas a sustentabilidade passa também, naturalmente, pela mitigação dos efeitos ambientais destes produtos, por exemplo, investindo continuamente no CIRCLE, o nosso programa de logística inversa que recicla os materiais de todos os produtos danificados ou em fim de vida e os devolve à economia. Em 2022, a Tabaqueira enviou 13,9 toneladas de resíduos não perigosos de equipamentos e materiais para a reciclagem. Fazemo-lo também ao investir fortemente na eficiência energética das nossas operações e ao trabalharmos para a criação de uma força de trabalho inclusiva e diversa. A sustentabilidade faz parte da nossa estratégia, bem como do nosso plano de longo prazo, porque nos estamos a transformar pela sustentabilidade – com o objectivo de, em 2030, enquanto grupo, sermos um negócio fundamentalmente sem fumo.

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Quais são os principais desafios que a Tabaqueira tem vindo a enfrentar no desenvolvimento e na promoção de alternativas sem combustão?

Sem dúvida, o desconhecimento e a desinformação são os principais desafios que temos de ultrapassar relativamente às alternativas sem combustão, fundamentadas cientificamente e menos nocivas face aos cigarros. E tanto o desconhecimento como a desinformação só podem ser combatidos com o acesso a informação – transparente, credível, de base científica –, ao alcance dos fumadores adultos, mas também dos decisores, dos reguladores, da sociedade civil. Estamos comprometidos em investir de forma sustentada em Investigação & Desenvolvimento com foco em produtos sem combustão, cientificamente substanciados como sendo menos nocivos do que os cigarros, que se assumam como verdadeiras alternativas aos cigarros e sejam acessíveis a todos os adultos fumadores que, de outra forma, continuariam a fumar. Desde 2008, a PMI já investiu perto de 12 mil milhões de euros no desenvolvimento, substanciação científica e fabrico de produtos sem fumo.

Como é que os avanços tecnológicos estão a mudar a abordagem da empresa à sustentabilidade e inovação?

Desde 1997, ano da aquisição da Tabaqueira, a PMI já investiu cerca de 418 milhões de euros na operação portuguesa. Estamos a falar de uma média de cerca de 16 milhões de euros por ano. Foi esse, aliás, o valor investido pela PMI ao longo de 2023 na operação da Tabaqueira, principalmente ao nível do incremento da capacidade produtiva instalada, incluindo em equipamento de alta velocidade e automação de processos, através de robotização e integração de soluções de inteligência artificial. A tecnologia de IA e machine learning já se encontram presentes na nossa actividade e estão em fase de crescimento e de aceleração. É uma tecnologia auxiliar que permite maior eficiência, uma maior capacidade de análise e de produção e que nos ajuda a tomar decisões de forma rápida, reduzindo o gap de produtividade. Estamos, aliás, a criar uma equipa dedicada de IA no Centro de Excelência de Tecnologia baseado em Portugal. Somos hoje a “casa” de três Centros Operacionais de Excelência da PMI que, a partir de Portugal, exportam serviços de elevado valor acrescentado para diversos mercados mundiais – um dedicado às operações, outro financeiro (Planning, Budgeting, Forecasting & Report) e um pólo tecnológico (Platform Engineering Hub). Igualmente, a PMI instalou em Portugal diversos Departamentos Globais de Finance, ESG, Marketing & Sales e de Services. Ao todo, estes centros empregam praticamente 400 trabalhadores altamente qualificados – incluindo mais de 200 engenheiros. Esta alteração de paradigma de negócio tem, aliás, sido motor de criação de emprego na Tabaqueira, que, desde 2017, duplicou o número de trabalhadores – e, destes, cerca de 45% têm menos de 35 anos. Isto é trabalhar na sustentabilidade da Tabaqueira, dando-lhe futuro.

A Tabaqueira comprometeu-se a alcançar a neutralidade carbónica até 2025. Vai ser possível cumprir essa meta?

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Essa já é uma realidade. Na verdade, a Tabaqueira é uma entre 18 fábricas da PMI a deter a certificação em neutralidade carbónica. Desde 2010, a pegada carbónica da unidade de Albarraque reduziu em 75%, o que nos garantiu a certificação PAS 2060, que assegura a neutralidade carbónica da fábrica (incluindo emissões de CO2 compensadas). De notar que, em pouco mais de 25 anos, a fábrica de Albarraque tornou- -se num dos principais centros produtivos da PMI na Europa, enquanto fez um caminho extraordinário de descarbonização da sua operação fabril. Uma grande parte do investimento da PMI na operação portuguesa – mais de 418 milhões de euros, desde 1997 – tem sido dirigida para a promoção da eficiência energética e para a transição para as energias renováveis, através da aplicação de Tecnologias Zero Carbono, incluindo a robotização de processos e a aplicação de inteligência artificial.

Como é que a Tabaqueira está a abordar a gestão de recursos hídricos, considerando a sua recertificação pela Alliance For Water Stewardship?

A água é um bem precioso e a Tabaqueira está comprometida com a sua gestão responsável. Desde 2010 face a 2023, reduzimos em 47% o consumo específico de água e fomos a primeira fábrica em Portugal a ser certificada pela AWS – Alliance for Water Stewardship.

A reciclagem de resíduos é uma das áreas em que a Tabaqueira tem melhores resultados. Que estratégias têm permitido alcançar mais de 99% de reciclagem e valorização?

Na PMI, seguimos o princípio da hierarquia de resíduos: reduzir, reutilizar, reciclar e, quando é esta a melhor opção disponível, o encaminhamento para incineração, minimizando as deposições em aterro. Na Tabaqueira estamos alinhados com essas directrizes, procurando sempre que possível converter resíduos do processo produtivo em matérias-primas de forma eficiente, aplicando as opções mais sustentáveis de tratamento. Damos especial atenção aos fluxos de resíduos mais importantes como tabaco, papel, cartão, fibra de acetato de celulose e resíduos perigosos. Além de optimizar processos para reduzir desperdícios, priorizamos a reutilização e doação de materiais. Em 2022, iniciamos um piloto para reaproveitar caixas de papelão usadas na fábrica. Destaco particularmente as acções de reciclagem e valorização que são realizadas com excelência, sendo que, actualmente, representam mais de 99% dos resíduos gerados pela fábrica. Menos de 1% segue para aterro. Quando não é possível reciclar, procuramos utilizar os resíduos para recuperação energética.

Como pode a Tabaqueira influenciar outras empresas do sector a adoptar práticas mais sustentáveis?

Ao ganharmos experiência nas diversas frentes em que actuamos – ao procurarmos responder e mitigar os impactos sociais e ambientais, quer dos nossos produtos, quer das nossas operações. Naturalmente que temos vindo a coleccionar muito know-how e que estamos muito motivados para trabalhar. E fazemo-lo todos os dias no contacto com os nossos parceiros de negócio. Por exemplo, como afirmei acima, o objectivo da PMI é tornar, até 2040, a sua cadeia de valor neutra em emissões carbónicas. Estamos a falar de emissões de escopo 3, que dependem dos diversos agentes ao longo de toda a cadeia. Isto implica que eles, tal como nós, se transformem através da sustentabilidade e pela sustentabilidade. Para que isso seja possível – e em muitos casos estamos a falar de pequenas empresas que têm menor capacidade de inovação –, temos naturalmente de ser os mobilizadores da mudança, partilhar boas práticas, ajudar a orientar prioridades e investimentos. No fundo, temos de construir estratégias juntos. É isso que procuramos fazer todos os dias. Para responder à sua questão: não só podemos influenciar como temos obrigatoriamente de o fazer, isto se quisermos concretizar a 100% a nossa ambição e transformação. E, por isso, vemo-nos como um pivô fundamental de partilha de conhecimento para o sector.

De que forma os colaboradores da Tabaqueira estão a ser incentivados a integrar a sustentabilidade no seu dia-a-dia?

A existência de uma cultura organizacional diversificada que promove a equidade e a inclusão, que proporciona acesso à aprendizagem ao longo da vida a todos os nossos funcionários, que inclui a representação local e de género na gestão a nível global, contribui de forma determinante para conseguirmos responder aos desafios disruptivos desta indústria e desta empresa em particular, ao mesmo tempo que conseguimos que os nossos trabalhadores abracem o propósito da companhia. A Tabaqueira emprega, actualmente, cerca de 1500 pessoas – número que mais que duplicou desde 2017 –, cerca de metade desta força de trabalho tem menos de 35 anos e 10% são estrangeiros altamente qualificados. Orgulho-me de dizer que a Tabaqueira é certificada em igualdade salarial pela Equal-Salary Foundation, que garante que homens e mulheres, nos mesmos cargos, são remunerados da mesma forma; e 48% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres. Na Tabaqueira, cruzam-se diariamente quase 40 nacionalidades e falam-se 20 idiomas. Defendemos, assim, a existência de um ambiente laboral diverso, equitativo e inclusivo, que empodera as nossas pessoas.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Sustentabilidade e responsabilidade social”, publicado na edição de Dezembro (n.º 341) da Marketeer.




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