SECIL: Rumo à transformação digital

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É à produção e comercialização de cimento que se associa de imediato a SECIL, mas o grupo integra também um conjunto de várias empresas a operar em áreas complementares, desde os agregados às argamassas, passando pelo betão, prefabricados e cal hidráulica. Além disso, fruto do trabalho ao nível da sustentabilidade, também actua no desenvolvimento de soluções no domínio da preservação do ambiente e na utilização de resíduos como fonte de energia. Manuel de Sousa Martins, administrador da SECIL – Unidade de Negócio Portugal, traça os planos para o futuro.

A vossa história é bem antiga, uma empresa quase centenária, com muito por contar. Como se transformou a SECIL num dos maiores grupos industriais portugueses?

De 1930 e ao longo das várias décadas que se seguiram até hoje, muitas foram as transformações na SECIL mas gostava de realçar a década de 90, altura em que consolidámos definitivamente o nosso negócio em Portugal.

A juntar à unidade produtiva de Setúbal, adquirimos mais duas fábricas de cimento, a Maceira-Liz e a Cibra-Pataias, fundadas em 1923 e 1950, o que nos deu um saber acumulado e uma maior capacidade de resposta, aumentado assim a nossa quota de mercado. Importa referir que isto só foi possível com a aquisição da SECIL por parte da SEMAPA, uma holding que detém, por exemplo, a The Navigator Company, o que nos trouxe uma capacidade de investimento maior e, sobretudo, um homem com uma enorme tradição na indústria e com uma rara visão de liderança e capacidade de gestão, acrescentando um valor excepcional à empresa, Pedro Queiroz Pereira.

Foi com ele que, no início deste século, iniciámos a nossa estratégia de internacionalização, estando actualmente em mercados tão diferentes como Tunísia, Brasil, Líbano, Angola, Espanha, Cabo Verde e Holanda, e nos tornámos num dos maiores ou mesmo o maior grupo de materiais de construção 100% português, com vendas superiores a 500 milhões de euros em 2019.

Como é que a SECIL tem respondido aos desafios da sustentabilidade?

A Secil está comprometida com a sustentabilidade procurando compatibilizar o seu desempenho económico com o respeito ambiental e cidadania responsável. A resposta às alterações climáticas globais passa pela diminuição da intensidade carbónica da produção, pela economia circular e pela promoção da biodiversidade, desafios que aceitamos e iremos vencer, com continuada criação de valor económico em contexto de globalização. Nas comunidades em que operamos, visamos superar e integrar as expectativas dos nossos stakeholders.

Nesta medida, fazemos uso responsável dos recursos naturais e energia, promovendo a circularidade ao longo do ciclo de vida dos produtos através do uso de combustíveis alternativos, matérias-primas secundárias e do desenvolvimento de produtos e soluções de baixo carbono, visando a neutralidade carbónica. Promovemos a vitalidade e equilíbrio dos ecossistemas onde estamos e a recuperação paisagística, protegendo a biodiversidade. Responsavelmente desenvolvemos e produzimos materiais e soluções que protegem, apoiam e unem pessoas, contribuindo para o bem-estar da sociedade de forma sustentável.

Com a situação do Covid-19 a paralisar quase todos os sectores, de que forma é que lidaram com a situação?

Gostava de realçar que o nosso interesse primordial sempre esteve em garantir que a segurança de todos os colaboradores, clientes e fornecedores fosse assegurada.

E, por isso, implementámos um conjunto de medidas excepcionais de protecção durante o confinamento, que foram desde a suspensão de visitas presenciais de seguimento do negócio por parte das nossas equipas comerciais, ao cancelamento de formações presenciais (optando pela digitalização) e da participação em eventos, até ao impedimento da visita de terceiros às nossas instalações. Para nós a segurança é uma prioridade e um valor fundamental para a empresa. Nos últimos anos temos desenvolvido inúmeros projectos e iniciativas de forma a integrar os temas higiene e segurança nas nossas actividades. Todos os colaboradores são formados para desempenhar as suas tarefas da forma mais segura e aplicá-la em todo o lado, fazendo da segurança uma forma de estar.

Para além do reforço da limpeza e higienização das instalações, houve uma forte comunicação de apelo à alteração de hábitos sociais, em conformidade com as directrizes das autoridades de saúde, e o exercício profissional contínuo em regime de teletrabalho, sempre que as funções o permitiam. Especialmente neste período de incerteza, tivemos de ter alguma serenidade e actuar de forma inteligente e resiliente, não só para aplanar a curva sanitária mas também a própria curva de negócio. O mercado da construção foi dos poucos que não parou.

Mas, algumas dinâmicas foram alteradas. Como foi a vossa actuação?

No nosso sector, a procura tornou-se imprevisível e volátil, com uma disrupção em diversas cadeias de abastecimento, o que aliada à mobilidade reduzida, tornou os canais de venda tradicional limitados. Assim, houve que rever o modelo de canais e de parceiros preferenciais, tornando as abordagens comerciais mais empáticas e direccionadas, sobretudo, na retenção de clientes. O foco tem de estar na fiabilidade, na flexibilidade, num excelente nível de serviço e numa comunicação clara, útil e consistente. Em tempos de extrema adversidade, esta foi uma oportunidade de fortalecer, a longo prazo, verdadeiras parcerias com os nossos clientes, desde a pré à pós-venda, possibilitando a manutenção do negócio dos nossos parceiros para que, no futuro e em conjunto, tenhamos as condições necessárias para ultrapassar as dificuldades que se avizinham.

É fundamental provocar oportunidades de forma inteligente e de executar mais e mais rápido, diferenciando a nossa oferta e a nossa proposta de valor. A SECIL está humildemente mais ágil e mais bem preparada, funciona melhor como Grupo e como parceira.

E como encaram o regresso?

O regresso está a ser preparado com todo o cuidado que a situação exige, por um grupo de trabalho criado para assegurar a protecção e segurança de todos, indo até um pouco mais além do que as próprias recomendações da DGS. Analisando todos os inputs das estruturas dos vários negócios e áreas, pretendemos estar preparados para retomar, ainda que gradualmente e de uma forma faseada, a nossa actividade por completo.

Na sua opinião, de uma forma geral, como interpreta o papel da construção na economia de Portugal?

A construção é um dos motores mais importantes da economia nacional, capaz de promover a retoma da actividade económica do País, tal com o tem feito, muito e bem, nos últimos anos. Nesta fase de incerteza económica, o sector da construção tem de assumir o papel de agente dinamizador. O investimento na construção civil, em infraestruturas e em obras públicas tem um elevado efeito multiplicador na economia nacional, pois quase tudo pode ser produzido internamente.

Hoje, mais do que nunca, de que forma é que a inovação pode ser fundamental na sobrevivência das empresas?

Numa fase tão crítica como a que vivemos, é importante as empresas aproveitarem a tecnologia para acelerar a transformação digital. O investimento em normas digitais que melhorem as competências virtuais da organização comercial e sua produtividade global é fundamental, até porque alguns dos padrões e comportamentos de consumo que estão a acontecer, vão alterar-se para sempre no pós-crise. As decisões vão ser, cada vez mais, suportadas em informação analítica.

Na SECIL sabemos que a aposta de marketing tem de ser, sobretudo, no digital. Apoiado em redes sociais e na desintermediação das transacções, o que irá estimular leads comerciais. Este novo foco permitirá desenvolver campanhas específicas de rotação, realinhando expectativas dos clientes. O esforço de marketing deve afastar-se do terreno e recorrer, cada vez mais, aos websites, ao social media, aos webinars ou outras formas de abordagem. Ao reestruturar o atendimento ao cliente, tendo outros canais de comunicação disponíveis, podemos informar regularmente os nossos parceiros de negócio sobre alguns temas que tanto os inquietavam, desde procedimentos de segurança a programas financeiros, até ao enquadramento regulatório vigente.

Esta disrupção também passou por melhorar o customer journey na área do betão. Ao estarmos conscientes que a personalização dos serviços, aliado à facilidade e rapidez dos processos induz a uma experiência positiva e diferenciadora, criámos uma plataforma que irá melhorar a eficiência logística do planeamento em obra e o nível de serviço da entrega de betão, optimizando custos e recursos dos nossos clientes.

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