Ciberespaço para os mais novos em tempo de Covid-19

Um desses efeitos, o confinamento, teve desenlaces bem diversos, alguns bons outros maus e, se pensarmos no impacto sobre os mais jovens, em idade escolar, há várias maneiras de olhar para a questão. Por um lado, obrigou-os a uma exposição muito maior à internet, mas, por outro, está a proporcionar, para muitas famílias, um tempo de qualidade alargado entre pais e filhos (se o tiverem querido aproveitar…). Esta situação está a aligeirar, mas ainda vai durar e, para certas faixas etárias que ainda terão muita actividade online, certamente até ao fim do ano lectivo. Vale pois a pena pensar um pouco sobre a “vida em confinamento no ciberespaço”.

O ciberespaço já lá estava, no quotidiano dos jovens e pais, antes da Covid-19. Partamos daí portanto.

Se pensarmos nas diferenças entre o antes e o depois, vemos, por exemplo (i), que as oportunidades de exposição à internet poderão ter aumentado, mas dentro de casa, num ambiente em teoria controlável. Por outro lado (ii), o tempo de contacto online aumentou, por oportunidade, mas também por necessidade (aulas, etc.).

Ao contrário do que se tem escrito por vezes, os riscos do confinamento não estão directamente ligados à cibersegurança. Se os pais aproveitarem a oportunidade (excelente pretexto: acompanhamento dos trabalhos escolares), estarão mais perto dos seus filhos e poderão ajudá-los a aprender a navegar em segurança na internet. O começo de muitos problemas com crianças expostas à internet tem a ver, metaforicamente, com não terem tido aconselhamento sobre como “evitar as ruas perigosas, e as pessoas suspeitas na rua”, tarefa em que os pais têm normalmente uma grande importância. E este período de maior convívio poderá, pela positiva, ajudar as crianças a iniciarem-se em mais altos voos na internet, a utilizar ferramentas úteis, e em segurança.

Claro que isto não resolve tudo, os jovens estão sujeitos, na utilização da Net, aos riscos não específicos a que também estão expostos os pais. Os ataques de phishing por emails maliciosos são um exemplo em voga, que pode comprometer as máquinas (PC, telefones) da rede de casa. Os descarregamentos de aplicações maliciosas proliferaram durante estes tempos da Covid-19. A maior apetência por aplicações novas aumentou a exposição a estas ameaças e muitas acções são impulsivas (como as compras de saldos). Algumas medidas simples podem ajudar: ler bem o email e ver se tem algo suspeito; em caso de dúvida, não clicar em ligações sem perceber para onde elas o mandam; analisar de onde uma aplicação vem, a reputação de quem a desenvolveu; pesquisar com o nome dessa aplicação e não hesitar, se tiver dúvidas, em adicionar termos de pesquisa, como “threats”, “malicious”, “malware” (funciona melhor em inglês). Esta última pesquisa simples teria evitado muitos dissabores a cibernautas descuidados, que descarregaram aplicações “Covid qualquercoisa” maliciosas…

Bom, isto era a cibersegurança, mas, na verdade, penso que o confinamento teve e tem mais impacto na esfera do equilíbrio pessoal. Se, para um adulto, é difícil estar a maior parte do tempo em casa, imagine-se para crianças, uma fonte inesgotável de energia e de curiosidade. E esse desequilíbrio emocional pode então, pela impaciência e a frustração que causa, potenciar uma compensação com efeitos nocivos, como a viciação em jogos online, ou comportamentos arriscados (de “aventura”) na Net.

Que fazer então? É aqui que a maior presença dos pais pode e deve ajudar. Suscite a confiança do seu filho suscitando-lhe e respondendo-lhe questões e dúvidas sobre a vida online, e daí criando um companheirismo no ciberespaço (não joga à bola com o seu filho?).

No que respeita às aulas, é possível que já ajudasse a sua filha nos trabalhos normais. Pois, procure seguir os resultados da actividade remota todos os dias e tente sentir os problemas, alguns dos quais podem ser técnicos. Nesse caso, não hesite em contactar a escola (estamos todos a aprender com o remote work).

E isto chega? Claro que não, mas ajuda imenso e o resto, que é por vezes esquecido, reside no mais simples: bom senso e organização. Você não fazia rotinas diárias antes da Covid-19? Então porque não faz agora, em casa? Organize, com a família, o que vão fazer durante o dia, crie rotinas que perdurem durante os dias da semana, que intervalem trabalhos com lazer e com tempo “família”. E agora, com o desconfinamento mais alargado, ainda é mais fácil compor com actividades ao ar livre. Aproveite a oportunidade! Aprenda a viver em remote working e ensine os seus filhos. Vai estar nos nossos futuros, com ou sem coronavírus. Como tudo numa vida equilibrada e saudável, requer regras, rotinas e alguns truques, como os que aprendi aqui https://www.linkedin. com/pulse/5-worst-remote-workenemies- tiago-ver%C3%ADssimo/

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