M.ª João Vieira Pinto
Directora de Redacção Marketeer
As marcas são o retrato de um povo, reflexo de cultura, montras identitárias. São elementos preciosos que contam histórias e a história. As nossas são um espelho real de tradições, transmissoras de conhecimentos, técnicas, artes, ofícios e vida de um País.
Portugal tem grandes marcas. Desculpem os que defendem que não nos afirmamos no mundo nem somos de excelência. Não só somos extraordinariamente bons, como estamos lá fora e somos referência em todas as geografias.
A Adico é a nossa típica cadeira de esplanada. Corrijo, a nossa e a de mais 30 países, sendo que por terras do sol nascente ganha clientes a cada ano que passa. Os cremes de Benamôr só têm equivalência – na sua passagem de testemunho geracional – na icónica Nivea e, depois de Portugal, são comprados pelo nome em mais de 50 mercados. Couto, a pasta que garantia “dentes fortes, gengivas sãs, boca saudável”, continua na boca de muita gente. Expandiu o portefólio de produtos e, da sua loja de Cedofeita, Porto, saem malas cheias levadas por coreanos que, não raras vezes, fazem fila à porta.
Leitão & Irmão, ou os grandes joalheiros da coroa portuguesa, tem peças assinadas por nomes maiores como Salvador Dalí e continua a criar à medida para clientes do mundo inteiro. Licor Beirão, ou a bebida espirituosa portuguesa que mais vende, depois dos emigrantes portugueses, conquistou o palato de residentes em 40 destinos. O mesmo o conseguiu Ramirez, com as suas conservas que pela Bélgica são rainha, ou Vieira, aquela que por terras do Brasil é marca líder com o seu sortido de bolachas. Ou, ainda, Viúva Lamego, com os seus azulejos feitos em jeito de arte e que continua a forrar espaços públicos e casas particulares em todas as geografias.
Muitas, ou quase todas, são centenárias e familiares, numa passagem de testemunho que é de um valor quase único pelo mundo. E agora, ainda acha que não temos marcas gigantes?
Editorial publicado na revista Marketeer n.º 355 de Fevereiro de 2026














