Há menos de um século, antes da invenção dos testes de gravidez que hoje conhecemos, os médicos recorriam a um método que hoje parece verdadeiramente estranho: injetar urina humana em sapos vivos para determinar se uma mulher estava grávida. A prática, que floresceu nas décadas de 1940 e 1950, teve resultados surpreendentemente fiáveis e é um curioso capítulo na história da medicina reprodutiva, refere a Unilad.
O método ficou conhecido como teste de Hogben ou teste Xenopus, em homenagem ao biólogo britânico Lancelot Hogben, que, na década de 1930, descobriu que a introdução de hormonas no organismo da rã podia desencadear a ovulação. Cientistas sabiam na altura que a hormona gonadotrofina coriónica humana (hCG), produzida pelo início da placenta durante a gravidez, circulava na urina feminina e tinha efeitos fisiológicos noutros vertebrados.
A base do teste era simples, com amostras de urina de mulheres que suspeitavam estar grávidas a serem recolhidas e injetadas, de forma cuidadosa, na pele ou saco linfático das rãs-clawed africanas (Xenopus laevis) mantidas em laboratório. Se a mulher estivesse grávida, o hormónio hCG na sua urina estimularia a rã a libertar ovos, normalmente dentro de cerca de 12 horas. A observação de postura de ovos indicava um resultado positivo.
Este método representou, na verdade, uma grande evolução, tendo em conta que anteriormente os testes consistiam em injetar a urina em ratos ou coelhos e depois matar os animais para dissecar e verificar alterações nos ovários — um processo mais lento, mais caro e eticamente mais questionável. As rãs, em contraste, podiam recuperar da injeção e ser reutilizadas em múltiplos ensaios, e o resultado era claro e rápido para os técnicos de laboratório.
O “teste de sapo” acabou por ser amplamente adotado em clínicas nos EUA, Europa, Reino Unido e Austrália durante vários anos, com centenas de procedimentos realizados, muitos dos quais documentados em revistas científicas da época.














