Com 18 anos de história, a PRIO destaca-se por integrar a sustentabilidade como parte estrutural do seu modelo de negócio, desde a produção de biocombustíveis avançados até ao desenvolvimento de iniciativas que promovem a economia circular e apoiam comunidades locais. João Rocha, CFO e membro da Comissão Executiva da PRIO, revela como a empresa mede e avalia o impacto ambiental das suas operações, os progressos nas metas de descarbonização, os projectos de responsabilidade social e as parcerias estratégicas que sustentam a visão da PRIO para um futuro mais verde e inclusivo.
Como é que a PRIO mede e avalia o seu impacto ambiental?
A PRIO utiliza metodologias robustas, e, de acordo com padrões internacionais, de medição de impacto ambiental. Medimos também a qualidade do ar, consumo de energia e água e monitorizamos o impacto das nossas infra-estruturas na biodiversidade. Desenvolvemos relatórios e auditorias que nos permitem ajustar práticas e melhorar a nossa eficiência ambiental. Estamos também desenvolver o nosso próprio relatório de sustentabilidade, já para 2025, por uma questão de transparência e para podermos também analisar a evolução.
A empresa está envolvida em diversas iniciativas para reduzir a pegada de carbono. Quais as metas e os progressos?
Os nossos maiores esforços têm-se concentrado na produção de combustíveis avançados, e aqui o ECO Diesel, já disponível na nossa rede de norte a sul do país, e o ECO Bunkers, para o sector marítimo, são bons exemplos de soluções que utilizam matérias-primas residuais para reduzir significativamente as emissões de CO₂. No caso do ECO Diesel, os milhões que estimamos de quilómetros feitos em estrada representam já 27 mil toneladas de poupança carbónica. Além disso, temos projectos emblemáticos que muito nos orgulham. É o caso do Beato Biobus, que utiliza biocombustível para alimentar autocarros da Carris, e que conta com o apoio da comunidade escolar na recolha de resíduos, e mesmo a instalação de painéis fotovoltaicos nos nossos tanques, no Centro de Novas Energias, em Ílhavo, duas iniciativas bem assentes na ideia de economia circular.
Também continuamos a investir em energias limpas, como hidrogénio verde, através de projectos-piloto em parceria com entidades académicas e industriais.
Quais as iniciativas que têm implementado para integrar práticas cada vez mais sustentáveis nas vossas operações?
Adoptámos medidas para melhorar a eficiência energética em todas as nossas unidades e postos de abastecimento, como a instalação de painéis solares e iluminação LED, ou a redução do desperdício de água na nossa produção. Temos, ainda, um projecto piloto de lavagem automática no nosso posto PRIO em Lagoa, no Algarve, onde conseguimos reutilizar 100% da água utilizada na lavagem. A logística é outra área crítica: optimizamos rotas de transporte para minimizar o consumo de combustível e reduzir emissões. Exigimos que os nossos fornecedores de camiões apresentem planos de redução de emissões com o uso de combustíveis líquidos de baixo carbono.
Transportamos parte do nosso biocombustível por ferrovia, libertando uma série de camiões das nossas estradas. De resto, a promoção da economia circular, através da reutilização de resíduos em processos industriais, são absolutas prioridades para o negócio da PRIO. Somos produtores de biocombustíveis e temos consciência da importância de reduzir a nossa pegada em toda a cadeia de valor.
Têm desenvolvido várias parcerias com outras organizações. Quais as mais relevantes?
A PRIO está envolvida numa série de iniciativas de índole diferente. Continuamos a promover os nossos oleões, em especial junto de comunidades escolares, alertando assim as gerações mais novas para o papel activo que podemos ter na recolha de resíduos que podem ser transformados em energia. Estamos também envolvidos em projectos com a Just a Change, com quem nos últimos anos temos feito requalificações de habitações, também com o envolvimento de voluntários da PRIO. Temos o projecto com a Carris do Beato Biobus, uma iniciativa pioneira na utilização de biocombustíveis em transportes públicos.
Além disso, estabelecemos parcerias com Instituições de Ensino Superior e centros de investigação para explorar soluções energéticas como o hidrogénio verde. Trabalhamos também com as mais diversas organizações e entidades com o intuito de promover a transição energética e criar impacto positivo na comunidade. Um dos grandes exemplos disso é o nosso projecto piloto de restauro de pradarias marinhas, em conjunto com a Universidade de Aveiro, que tem como principal objectivo a protecção dos ecossistemas na Ria de Aveiro. Inclusive os nossos colaboradores tiveram oportunidade de ir para o terreno e participar nas acções de restauro.
Quais são os objectivos de sustentabilidade da PRIO para os próximos cinco anos?
Nos próximos cinco anos, pretendemos aumentar a produção de biocombustíveis avançados, expandir a nossa capacidade de produção e distribuição, bem como a nossa rede de postos de abastecimento e carregamento eléctrico.
Queremos não só produzir, mas chegar de forma acessível a mais pessoas. A sustentabilidade não deve deixar ninguém para trás e deve ser feita de forma competitiva. Vamos aumentar a nossa rede com ofertas de produtos que completam o portefólio de soluções para a transição energética, sendo que o mix depois vai ser diferente de cliente para cliente.
Vamos continuar a trabalhar no desenvolvimento de novas soluções, como é o caso dos gases renováveis. Creio que os maiores desafios incluem o custo elevado das tecnologias emergentes e a necessidade de criar incentivos mais fortes para os combustíveis sustentáveis, sobretudo enquanto as tecnologias não estão estabilizadas – e nesta questão é essencial que as políticas públicas sejam também elas promotoras de uma economia futura mais verde. Não menos importante é a necessidade de estabilidade regulatória e a desburocratização.
Planeamos enfrentar esses desafios também com investimento contínuo em I&D e parcerias estratégicas. Temos também o grande desafio ao nível do reporte de sustentabilidade, que a nova directiva europeia CSRD impõe, e que queremos aproveitar para promover a transparência das nossas operações e impacto.
Quais são os principais pilares da estratégia de responsabilidade social da PRIO e como são implementados?
Os pilares centrais são a sustentabilidade ambiental e o impacto positivo que queremos ter na comunidade. A questão da sustentabilidade é mesmo parte integrante do nosso negócio. Queremos ser líderes na transição energética acessível e isto releva o nosso papel em criarmos produtos simultaneamente de qualidade, mais ecológicos, que colocamos no mercado a um preço competitivo – para que mais pessoas possam participar, já, neste desafio da descarbonização.
Estes princípios são implementados através de acções concretas muito diferentes. Apoiamos a organização de uma competição amigável de surf, o Softboard Heroes, que coloca surfistas profissionais e figuras públicas numa competição em representação de diferentes associações com o objectivo de angariar fundos.
Temos projectos que envolvem as nossas pessoas, como as iniciativas de requalificação com a Just a Change ou acções de recolha de resíduos que já fizemos. Temos um papel activo no apoio a Corporações de Bombeiros, e mesmo nos recentes incêndios que afectaram o Centro e Norte do país disponibilizámos kits de alimentação, material de primeiros socorros e vários postos nossos abasteceram corporações que estavam na linha da frente no combate aos incêndios. Este Natal, tal como fizemos em 2022, iremos apoiar a Fundação Infantil Ronald McDonald para ajudar as famílias de crianças hospitalizadas.
De resto, olhamos para a mobilidade não apenas como estrutural na nossa economia, mas como um factor essencial na proximidade entre comunidades e garantia de maior igualdade de oportunidades. É assim que temos feito com as nossas campanhas de Natal. No ano passado, com “A Notinha dos Avós”, promovemos a ideia simples de que os avós querem que os netos os visitem mais vezes. Este ano, com “A carta da avó Lena”, desenvolvemos uma campanha que empodera uma pessoa mais velha, que aos 62 anos vai melhorar a sua autonomia, tirando a carta de condução. E mesmo no último Verão garantimos uma experiência, “Marvão ao Mar”, a 18 crianças de Marvão, que tiveram a primeira aula de surf das suas vidas, e logo com a nossa surfista olímpica Yolanda Hopkins como professora – tudo projectos que muito nos orgulham e ref lectem esta ideia de como podemos fazer a diferença de forma original. Internamente, a preocupação com os nossos colaboradores é também algo muito presente, pelo que trabalhamos diariamente para o seu bem-estar, através de acções promovidas pelo nosso departamento de Responsabilidade Social Interna.
A sustentabilidade e responsabilidade social funcionam também como formas de atrair talento para a PRIO?
Sem dúvida. Cada vez mais, os profissionais procuram organizações que partilhem os seus valores. Fala-se cada vez mais de propósito e as pessoas sentem-se mais motivadas numa empresa que integra não só valores semelhantes, mas também a ideia de que é importante fazer a diferença pela positiva.
Quais os benefícios percebidos do facto de a PRIO ser uma empresa social e ambientalmente responsável?
Os benefícios são tangíveis e intangíveis. Por um lado, reforçamos a confiança dos consumidores e parceiros ao mostrarmos que investimos na sustentabilidade. Por outro, criamos um ambiente de trabalho mais inspirador e alinhado com as expectativas das novas gerações. A PRIO, enquanto energética, tem a vantagem de ser jovem. Nascemos há 18 anos num contexto em que a sustentabilidade era já estrutural para o presente e futuro do sector energético. Sermos mais sustentáveis nas nossas operações e nos nossos produtos não é um extra na PRIO, é mesmo estrutural na nossa forma de actuar. Ao conseguirmos ter uma comunicação fiel e transparente, que reflicta isto mesmo, sabemos que vamos ter um impacto mais duradouro na percepção positiva das pessoas, até porque as pessoas – e ainda bem – são cada vez mais exigentes e informadas sobre o que querem das organizações.
Como é que a PRIO divulga as suas acções de sustentabilidade e responsabilidade social aos clientes e público em geral?
Comunicamos as nossas iniciativas através de campanhas em redes sociais, relatórios e acções de comunicação que mostram, de forma tangível, o impacto do que fazemos. Procuramos também ser originais e criativos nas nossas ideias e na forma de comunicar as nossas histórias. A PRIO tem uma comunicação muito pouco cinzenta num sector ainda algo tradicional, o que para nós é identidade e também uma vantagem.
Como prevêem o próximo ano nesta matéria de sustentabilidade e responsabilidade social?
Prevemos um ano exigente, pelo facto de querermos ser activos e diversificar as nossas acções, mas promissor. Vamos continuar a trabalhar em projectos que promovam alternativas energéticas mais verdes, e vamos ser uma voz activa na transição energética acessível. Continuaremos empenhados em inovar e investir naquilo que acreditamos ser essencial para um futuro mais sustentável. E tenho a certeza que os frutos serão benéficos tanto para nós como para a comunidade.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Sustentabilidade e responsabilidade social”, publicado na edição de Dezembro (n.º 341) da Marketeer.














