Ainda em idade escolar, a chamada Geração Alpha — nascida a partir de 2010 — já está a moldar comportamentos sociais, digitais e económicos em todo o mundo. Os dados mais recentes mostram que esta geração, apesar da idade, não é passiva diante das experiências culturais e do consumo, estando a construir um conjunto de valores e hábitos que prometem influenciar mercados e marcas nos próximos anos.
A GWI, que entrevistou 20 mil crianças de 18 mercados, destaca que os Alphas não são apenas nativos digitais — estando a crescer num ambiente sempre ligado, com acesso a múltiplas plataformas e aplicações — como também estão a aprender a filtrar o “ruído” digital e a escolher experiências que façam sentido emocional e pessoal.
Conectividade com propósito
Ao contrário de estereótipos sobre excesso de tecnologia, esta geração está a mostrar uma relação mais seletiva com o digital. Enquanto muitos passaram grande parte da vida rodeados por conteúdo global — desde notícias impactantes até tendências virais — os Alphas tendem a reduzir a exposição a conteúdo “forte” e escolhem aquilo que é mais leve ou envolvente.
Isso traduz-se em preferências por podcasts, moda, beleza e tecnologia móvel e intuitiva, em vez de gadgets antigos como computadores tradicionais.
Em redes sociais, por exemplo, esta geração posta menos e observa mais: não procura ser centro de atenção, mas sim construir um “moodboard” pessoal, com conteúdos que inspiram, informam ou entretêm.
E embora sem rendimentos próprios, os alphas estão a exercer influência real nas decisões de compra dentro dos seus lares. Uma maioria significativa das crianças entre 8 e 11 anos afirma ter uma palavra a dizer — e muitas vezes a palavra final — sobre as escolhas familiares para compras no dia a dia, desde snacks até jogos e tecnologia.
E esta influência já se traduz num fenómeno prático, onde marcas que antes comunicavam exclusivamente com os pais agora se estão a dirigir também às crianças.
A redescoberta do mundo offline
Apesar de hiper-conectados, os alphas não são prisioneiros dos ecrãs, com dados a mostrarem um regresso e uma valorização das experiências offline, como encontros presenciais com amigos, idas ao cinema ou sessões de jogos de tabuleiro, o que revela um equilíbrio entre o digital e a vida real.
Outro traço marcante desta geração prende-se com a forma como os seus elementos, especialmente do género feminino, expressam confiança nas suas ambições futuras. Uma proporção significativa acredita poder seguir qualquer carreira, incluindo áreas tradicionalmente dominadas por homens, naquele que é um sinal de mudanças culturais no longo prazo.
Paralelamente, a forma como utilizam redes sociais — menos para exposição pessoal e mais para consumo significativo — indica uma geração que valoriza autenticidade sobre performance digital.












