Por que é que o exercício físico nos faz sentir melhor?

NotíciasSaúde
Marketeer com Lusa
16/02/2026
20:33
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16/02/2026
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Quem pratica exercício físico costuma dizer regularmente que, no final, a sua mente fica mais clara e focada.Uma equipa de investigadores descobriu o mecanismo cerebral que explica esta sensação, confirmando que o treino fortalece músculos e cérebro.

A revista “Neuron” publicou as conclusões de um estudo que descreve como o exercício físico desencadeia alterações na actividade cerebral que activam melhorias fisiológicas e metabólicas. “Muitas pessoas dizem que se sentem mais ágeis e com a mente mais clara depois de se exercitarem, e isso levou-nos a querer perceber o que acontece no cérebro após o exercício”, referiu Nicholas Betley, investigador da Universidade da Pensilvânia, que faz parte do grande grupo de cientistas de centros norte-americanos e japoneses que conduziram o estudo.

Os autores utilizaram ratos geneticamente modificados e uma vasta gama de técnicas fisiológicas, de imagem e moleculares para registar a actividade cerebral dos roedores durante semanas. O exercício físico foi realizado em passadeiras.

A primeira conclusão que observaram foi que os ratos apresentavam maior actividade cerebral após correrem na passadeira, especialmente nas células nervosas localizadas no hipotálamo ventromedial, uma região que regula a forma como o corpo utiliza a energia, incluindo o peso corporal e o nível de açúcar no sangue.

Ao monitorizar a atividade neuronal durante o exercício físico, verificaram também que um grupo específico de células nervosas no hipotálamo ventromedial, denominadas neurónios do factor esteroidogénico 1 (SF-1), eram activadas quando os animais corriam na passadeira. Mas não só: as células SF-1 permaneceram activas durante pelo menos uma hora após os ratos terminarem a corrida. Após duas semanas de exercício diário na passadeira, os ratos da experiência apresentaram maior resistência, conseguiram correr mais rápido e durante mais tempo antes de se cansarem.

Além disso, os investigadores concluíram que, após 14 dias de exercício em passadeira, os roedores apresentaram uma maior activação dos neurónios SF-1, e com maior intensidade, do que no início do treino, quando não faziam exercício. Quando os investigadores bloquearam a atividade dos neurónios SF-1 e os impediram de enviar sinais para o resto do cérebro, os ratos cansaram-se rapidamente e não apresentaram melhorias na resistência, no metabolismo ou no fluxo sanguíneo durante o período de treino de duas semanas. “Este resultado indica que os neurónios SF-1 são de vital importância para ativar os circuitos neurais e fortalecer o cérebro após o exercício”, salientou Betley.

A explicação é que os neurónios SF-1, ativados após o exercício, ajudam o organismo a recuperar mais rapidamente, utilizando a glicose armazenada de forma mais eficiente. Isto permite que outras partes do corpo, como os músculos, os pulmões e o coração, se adaptem mais rapidamente a exercícios mais intensos e se fortaleçam.




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