Ousadia criativa em obras de arte com assinatura do Chef Eddy Melo

Da mesa para a bocaGood Living
Maria João Lima
07/08/2025
13:08
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Maria Joao Lima
07/08/2025
13:08


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O pretexto para ir ao restaurante Akla foi a apresentação de uma nova carta onde cada prato é uma obra de arte. E nem o couvert escapa à atenção ao detalhe do chef português que tem o seu expoente máximo no momento das sobremesas.

Numa degustação em grupo experimentámos as novas propostas sugeridas pelo chef e podemos afiançar que foi tempo (e estômago) muito bem empregue.

Começámos como o couvert que chega à mesa com manteigas, húmus, uma selecção de pão (broa de milho, pão de açafrão e pão de nozes) e focaccia. Todos saídos do forno da cozinha do Akla. Avançando para a focaccia dizem-nos que muda diariamente. Para nós foi escolhida a com queijo de cabra trufado que estabeleceu de imediato o nível da experiência que se seguiria. Não ia ser para fracos.

Deu-se, então, início às entradas. Experimentaríamos três. Começando pelo Aveludado de Pastinaca com leite de cabra, comprovou-se, se necessário fosse, que somos portugueses e que começar com conforto banhado de sofisticação era uma boa aposta.

A obra de arte gastronómica que se seguiu começou por convencer o olhar, mas logo conquistaria o palato: o Croquete de Camarão selvagem de Moçambique com Esfera de Trufa. Tem o potencial de se tornar um verdadeiro ícone da nova carta, deixando os comensais a tentar adivinhar os ingredientes (sim, tem raspas de mão de buda). Só sentimos falta de uma colher para não deixar esferas na taça.

Continuando com os sabores do mar, chegaria o Atum dos Açores, cozinhado com respeito à tradição (braseado no ponto certo) e um toque de espontaneidade, com os seus espinafres a fazer-lhe companhia.

Era chegado, então, o momento de brilharem as carnes. E variedade é o que não falta na carta do Akla, sem nunca deixar a sofisticação, o cuidado e o apelo aos sentidos por mãos alheias. Se tem sempre receio de optar pelo frango, saiba que aqui a surpresa vai ser das boas. O Frango Label Rouge é, provavelmente, o frango mais suculento que degustei nos últimos anos. Continuando nas apostas para carnívoros, a tradição é reinventada com o Lombinho de Porco Preto e as Costeletas de Borrego da Irlanda (maiores e mais altas do que as nacionais), grelhados no Josper, que lhes confere um toque fumado inconfundível. La pièce de résistance dá pelo nome de T-Bone Steak. Com 50 dias de maturação, conta-nos o chef Eddy Melo, é de um fornecedor que só faz para o Akla. E por nós é de continuar porque para amantes de carne suculenta é uma experiência inolvidável.

Se por aqui ficássemos já seria uma refeição do olimpo, mas fomos mais longe. E ainda bem. Porque as sobremesas são verdadeiras peças de arte que dá pena destruir. A “Pedra Proibida” é um dos tesouros gastronómicos da nova carta. Não é de mais dizer que encanta à vista e surpreende no paladar, numa combinação de Mousse de Abacate e Grand Marnier, Cereja Amarena, Pistáchio, Lima e Gel Branco. Sim, leu bem. Já a “Yellow Velvet”, com o seu aspecto aveludado e taste refinado, vai deixar qualquer um com pena se destruir a mestria, mas curioso para degustar a simbiose de Mousseline de Mirtilo, Ganache de Pistáchio, Ganache de Manga e Maracujá, Biscuit de Pistáchio, Spray Velvet. É levar à boca e sentir a explosão de sabores.

«Cada sugestão foi pensada para criar uma experiência sensorial completa, onde o sabor é protagonista, mas a estética nunca fica em segundo plano», partilha numa conversa à mesa o Chef Eddy Melo.

A verdade é que mais do que uma refeição, esta experiência é uma ode aos sabores, ao bom gosto e à elegância.

Texto de Maria João Lima

*A jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico




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