Opinião de Inês Simões (Grupo Ageas Portugal): Pensemos na nossa essência: seres humanos, seres sociais

Por Catarina Barradas, Directora de Marca, EDP

Pensemos no ritmo a que o mundo evolui, nas distracções de que somos alvo a cada momento. Um mundo que nos desafia, nos desfoca e nos afasta da essência: seres humanos com sentimentos, ambições, motivações, vulnerabilidades. E se as empresas (ainda) são feitas de pessoas, existe um lado humano que devemos estimar. Desde logo no CARE, na atenção e cuidado por quem nos representa enquanto marcas, pelo seu bem-estar e felicidade; e por quem é tocado pela nossa actuação, atitude e comunicação, sejam parceiros, clientes, comunidades ou sociedade. As empresas precisam de ser rentáveis mas, no final da linha, estaremos sempre a falar de pessoas ao serviço de pessoas, é assim que resumo a natureza de uma organização. Há todo um lado emocional a considerar nestes ecossistemas de sobrevivência e vivência.

Se nos focarmos na importância desta essência enquanto indivíduos no seio de uma organização, seremos mais colaborativos, mais genuínos, solidários, mais felizes; e seremos melhores comunicadores, melhores conselheiros, profissionais mais satisfeitos, saudáveis e plenos.

Pandemia, guerra, inflação, são factores que agitaram e agitam as nossas emoções e mexem com as nossas vidas. Voltemos à nossa essência. Neste universo de incertezas, somos ainda mais vulneráveis e acolhemos melhor quem comunica através de emoções, de forma humana. Não empatizamos com quem comunica através de uma abordagem comercial (numa perspectiva virada para a necessidade de vender), não empatizamos com líderes autoritários e cujo foco são os resultados, mas com quem nos fala ao coração e o faz de forma íntegra. Este é o grande desafio das empresas e das marcas: produzir, vender, ter rentabilidade, mas não à custa de tudo e de todos; antes, fazê-lo e comunicando de forma genuína, humana e sustentável, contribuindo para as mudanças positivas que queremos ver na sociedade. No Grupo Ageas Portugal, cujo negócio principal é a actividade seguradora, sabemos da importância da protecção, da prevenção e da diferença impactante que podemos fazer em momentos críticos da vida das pessoas. Queremos transformar esses momentos em experiências relevantes. Mas somos mais: apoiamos e oferecemos cultura, pois tem um impacto directo no bem-estar, nomeadamente mental, ligamo-nos a causas sociais, criamos de forma estratégica um movimento interno onde se fala, cada vez mais abertamente, a linguagem humana das emoções, lutamos por um mundo sem rótulos, onde primam a diversidade e a inclusão, temos um papel activo na construção de um legado centrado na sustentabilidade. E tudo isto acontece em simbiose, pois não podemos encarar as organizações como um bunker, fechadas em si. Centremo-nos na nossa essência, na humanidade, em contribuir para um mundo mais saudável, mais agregador, mais feliz e, no final, vamos prosperar enquanto sociedade, empresas, pessoas.

Artigo publicado na revista Marketeer n.º 315 de Outubro de 2022

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