Em ano de 60. º aniversário, a mini apresentou o seu primeiro modelo totalmente eléctrico. O Cooper SE chegará ao mercado este ano e a marca aponta aos condutores citadinos para singrar no segmento. Bernd köerber, senior vice-president da mini explica a estratégia
A Mini, que começou com a produção de modelos da dimensão que o nome indica, tem vindo a crescer, a aumentar os seus modelos e, no ano em que celebra 60 anos, apresenta o seu primeiro modelo totalmente eléctrico, o Cooper SE.
É o resultado de um trabalho iniciado em 2008, aquando da produção em pequena escala de um Mini Cooper eléctrico, concebido como viatura-teste para vários mercados europeus. Agora, mais de uma década depois, a marca está preparada para vincar a sua presença neste segmento. «Para a Mini, a mobilidade eléctrica é muito importante, pois o nosso target aponta a clientes da cidade ou dos subúrbios. E acreditamos que serão estes os dinamizadores da Mini neste segmento, que poderão levar a um crescimento exponencial da dimensão da marca neste mercado», afirma Bernd Köerber, senior vice-president da Mini.
O responsável da Mini refere que a autonomia de 230 quilómetros do Cooper SE adequa-se à utilização dos seus consumidores. «Se os nossos clientes conduzem entre 40 e 50 quilómetros por dia, gostam das proporções do Cooper e da sua dinâmica em estrada, esta proposta é perfeita. E, quanto à autonomia, é possível não ter de o carregar diariamente, podendo fazê-lo apenas ao fim-de- -semana», explica o responsável.
Com base nas primeiras indicações, Bernd Köerber mostra-se confiante sobre a aceitação do mercado no que toca a este modelo, acreditando que a Mini começará a ser um player relevante na mobilidade eléctrica. «O feedback é muito positivo, por termos conseguido manter as proporções do Cooper e as suas características, acrescentando a componente eléctrica a um modelo que tem bastante procura. A Mini tem registado uma boa performance nos motores de combustão e acreditamos que o fará também no segmento eléctrico», projecta.
A Mini começou a aposta no segmento eléctrico em 2008, quando produziu uma quantidade limitada de Mini Cooper eléctricos para serem testados em vários mercados europeus. Por que motivo demorou mais de uma década a lançar o Cooper SE?
Se olharmos para esse modelo, não tinha mala nem lugares traseiros. Portanto, era fácil perceber o que era necessário desenvolver, a nível de avanços tecnológicos, para colocar os componentes eléctricos, tendo em conta o peso e a habitabilidade da viatura. E esse processo demorou algum tempo.
Qual o feedback que obtiveram por parte dos condutores que testaram esse primeiro modelo?
Os clientes utilizaram os carros-teste durante um ano e, findo esse tempo, a maioria não queria devolvê-los. Para além da boa experiência que tiveram, sentiam-se pioneiros na mobilidade eléctrica. E permitiu-lhes estabelecer uma relação emocional com a marca por fazerem parte deste projecto.
O Cooper SE anuncia uma autonomia de 230 quilómetros. Olhando para a oferta do mercado, existem modelos como Zoe, da Renault, que conta com 300 quilómetros e tem um preço inferior…
Temos de ter uma oferta optimizada, tendo em conta as dimensões do veículo, preço e condução. Com base nestas características, o Cooper SE tem uma oferta perfeita. Quando analisamos o comportamento dos nossos consumidores, a vasta maioria percorre menos de 50 quilómetros por dia, além de que menos de 1% dos clientes conduz mais de 90 quilómetros diários.
É um perfil semelhante ao cliente que opta pelos modelos Cooper convencionais?
Será ligeiramente diferente, mas acreditamos que o core sejam condutores que já têm afinidade com a marca Mini. Com base nas primeiras indicações que temos, dos 40 mil utilizadores que registaram o seu interesse online, muitos são actuais detentores do modelo Cooper. A verdade é que não existem muitas opções atractivas no mercado para veículos eléctricos desta dimensão.
De que forma darão a conhecer este modelo ao mercado?
A melhor forma de promover o novo Mini é através da condução. O Cooper SE tem todas as características da marca, como a dinâmica em estrada ou a sensação de proximidade ao asfalto. E estão ainda mais patentes neste modelo, oferecendo uma melhor experiência ao condutor. Não mudámos as proporções do automóvel e as alterações existentes são subtis, pelo que a condução é ainda melhor. Estas características vão-nos permitir posicionar de forma ainda mais relevante no mercado.
Tencionam desenvolver motores eléctricos para outros modelos da MinI?
Sim, mas o nosso foco estará neste novo Mini, assim como nos modelos híbridos plug-in. Com base nas características dos automóveis eléctricos que têm surgido no mercado, com mais substâncias e mais adaptadas aos consumidores, prevejo que 2020 seja um ano de viragem na mobilidade eléctrica europeia, com mais e melhores infra-estruturas, para que seja possível carregar as viaturas com maior facilidade.
O mercado encaminha-se para ser totalmente eléctrico? Ou os motores a combustão continuarão a coexistir com as actuais alternativas?
Haverá um interesse paralelo, pois dependerá sempre das necessidades de cada condutor. Se necessitar de fazer, por exemplo, 500 quilómetros diários, então o diesel até poderá ser a melhor escolha. Actualmente, perante um cenário em que as infra-estruturas para os automóveis eléctricos ainda não estão totalmente desenvolvidas, a opção híbrido plug-in é excelente. Prevejo que o futuro seja marcado por um misto de tecnologias, não acredito que o mercado seja totalmente eléctrico.
Em termos de motorizações, qual será o rumo da Mini?
Nos próximos cinco a 10 anos, continuaremos a oferecer motores eléctricos, híbridos e de combustão. Temos de entender que a Mini, enquanto marca global, tem de agradar a vários mercados, como o norte-americano, australiano ou o do Médio Oriente. Como cada mercado tem as suas características, temos de apostar numa oferta abrangente.
A produção do Cooper SE arranca em Novembro, e as primeiras unidades chegarão no mês seguinte. Que expectativas?
Estamos assoberbados, positivamente, com o interesse demonstrado no novo Mini. Todavia, no campo da mobilidade eléctrica, é muito difícil fazer previsões de vendas, pois as normas ambientais variam significativamente de mercado para mercado. Mas temos uma produção com bastante flexibilidade para suportar o eventual aumento da procura pelo Cooper SE.
Seis décadas de Mini. Os modelos evoluíram, cresceram e, agora, electrificaram-se. Como vê o futuro da marca?
A Mini tem de estar sempre na vanguarda. Tem um target muito exigente, em termos de conectividade, design, experiência de condução. A Mini tem de ser a marca que fala para o seu target. É por isso que a possibilidade de partilha do Cooper SE, através de uma chave digital, será muito mais relevante do que em outras marcas, pois o nosso target tem necessidades específicas. Obriga-nos a adaptarmo-nos a estas tendências. Quanto ao design, os clientes querem-no cada vez mais moderno, mas mantendo sempre a essência da marca e a sua imagem icónica.














