O setor da moda poderá assistir, em 2025, a uma mudança histórica: as marcas de moda de consumo estão prestes a ultrapassar, pela primeira vez em 15 anos, as marcas de luxo em quota de mercado global. A previsão é avançada pela Retviews, ferramenta de inteligência de mercado da tecnológica Lectra, e assenta em dados analisados com recurso a inteligência artificial.
Enquanto o segmento de luxo enfrenta ventos contrários, as marcas de consumo estão a reposicionar-se com estratégias de preço mais elevadas, adotando uma abordagem premium para se distinguirem da fast fashion.
A análise da Retviews destaca que marcas como a Zara e a Uniqlo estão a apostar numa oferta mais elevada em termos de preço e qualidade. Na Europa, verifica-se um aumento significativo de produtos com preços acima dos 25 euros, ao mesmo tempo que se reduzem os artigos mais baratos. A Zara, por exemplo, ampliou a gama de peças acima dos 34 euros.
De acordo com a Retviews, o preço médio de peças de moda na Europa subiu de 38 euros em 2023 para 42 euros em 2025, uma tendência igualmente visível nos EUA, onde os preços médios passaram de 57 para 64 dólares (de 52 para 58 euros). Este movimento é ainda influenciado por um novo aumento de 15% nas taxas aduaneiras da União Europeia, o que poderá alterar ainda mais a dinâmica competitiva no comércio internacional.
Várias marcas de moda de consumo já estão a pôr em prática essas estratégias. Este impulso está também a refletir-se em categorias específicas, como os sacos em pele fora do segmento de luxo, que registaram um aumento de 20% nas vendas entre janeiro e maio de 2025, face ao mesmo período do ano anterior. Já os pequenos artigos de marroquinaria cresceram 23%. Estas categorias, a par do sportswear de entrada e das t-shirts básicas, estão a ganhar terreno e a impulsionar o crescimento da moda de consumo a nível global.













