Já conhece o video dating? COVID-19 pode estar a salvar o romance

Tinder, Bumble, Match, OkCupid ou Hinge. A lista de aplicações de encontros disponíveis para smartphones é longa e variada e ganha nova relevância em tempo de isolamento social e quarentena. Com grande parte da população – um pouco por todo o Mundo – em casa, não é possível ir jantar fora ou conhecer alguém novo através de meios offline, mas há sempre o online.

No passado dia 29 de Março, o Tinder atingiu um novo marco na sua história: o número de swipes na aplicação foi o maior de sempre, tendo ultrapassado os três mil milhões em todo o planeta. Segundo a Fast Company, a utilização deste tipo de plataformas está a aumentar e o video dating está, progressivamente, a tornar-se cada vez mais normal.

A mesma publicação sublinha que as pessoas procuram relações com significado e que o COVID-19 poderá mesmo estar a salvar o romance. Com recurso à câmara do telemóvel, é possível beber um copo de vinho ou ir a um concerto a partir de casa e na companhia de outra pessoa. Em vez de encontros fortuitos, cresce a procura por conversas e ligações mais fortes, numa altura em que a solidão e a ansiedade se encontram à espreita.

Especialistas citados pela mesma publicação acreditam que estas mundaças terão impacto na vida pós-pandemia, influenciando a forma como as pessoas se relacionam mesmo em circunstâncias de segurança e liberdade de circulação.

Um inquérito realizado pela OkCupid mostra que 85% dos 70 mil utilizadores que responderam consideram importante desenvolver uma ligação emocional antes de avançar para o lado mais físico. “A mudança para os encontros virtuais tem permitido que essas ligações emocionais prosperem”, concluiu a aplicação. No mesmo sentido, notou um aumento de 5% no número de pessoas interessadas em relações de longa duração e um decréscimo de 20% nos utilizadores à procura de encontros de uma noite.

Estas mudanças significam que o vídeo, por exemplo, poderá ter vindo para ficar. Antes do novo coronavírus, as aplicações de encontros não sentiam necessidade de apresentar esta ferramenta aos seus utilizadores mas, desde então, começaram a desenvolver novos formatos nesse sentido: apenas 6% dos utilizadores do Match.com mostravam interesse em vídeo antes da pandemia versus 69% agora.

«Qual é a alternativa se não se tiver video dating? Nada de encontros», explica Catalina Toma, professora na University of Winsconsin. Segundo a especialista, o vídeo nem sempre é visto com bons olhos quando o tema é romance, mas situações extraordinárias requerem medidas extraordinárias.

A professora adianta ainda que as limitações têm aguçado a criatividade. Um homem em Brooklyn (EUA), por exemplo, pediu a uma aplicação que lhe entregasse a si e à sua companhia de video dating as mesmas garrafas de vinho para que pudessem fazer uma prova virtual e em conjunto. Catalina Toma considera que este tipo de ideias criativas são essenciais para combater o stress e aborrecimento.

A professora norte-americana antecipa que o regresso à normalidade será um processo composto por duas fases. No imediato, as pessoas procurarão contacto humano e actividades ao ar livre – especialmente, se o confinamento chegar ao fim no Verão. Mais tarde, vão regressar às aplicações de encontros e aproveitar as ferramentas de vídeo que foram criadas durante a pandemia, uma vez que já perceberam que não é tão embaraçoso como achavam.

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