A inovação no setor dos bens de grande consumo (CPG – Consumer Packaged Goods) sofreu uma quebra acentuada na Europa em 2024, com uma redução de 20% face ao ano anterior. A conclusão é do relatório Europe’s Innovation Pacesetters 2025, da empresa Circana, que analisou mais de 75.000 lançamentos de novos produtos no último ano.
De acordo com os dados, o difícil contexto económico, marcado pela inflação persistente e retração do consumo, foi o principal fator responsável por este abrandamento. Paralelamente, as vendas de novos produtos também caíram de forma significativa, com uma descida de 17%, passando de 28,9 mil milhões de euros em 2023 para 24,1 mil milhões de euros em 2024.
Apesar da quebra generalizada, o Reino Unido continua a destacar-se como um dos países com maior atividade inovadora no setor, ainda que também tenha sido fortemente afetado pela conjuntura económica. No segmento de produtos alimentares, as vendas de novas referências caíram 28% em valor face ao ano anterior, um dos recuos mais acentuados entre os seis mercados europeus analisados no estudo.
O relatório revela um ambiente desafiante para a inovação, com as marcas a adotarem posturas mais conservadoras no lançamento de novos produtos, face ao aumento dos custos de produção e à diminuição do poder de compra dos consumidores. A inflação tem levado muitos fabricantes a focarem-se em produtos já existentes e comprovados, reduzindo o risco e limitando os investimentos em inovação.
Ainda assim, os especialistas apontam que a inovação continua a ser um motor essencial para o crescimento a longo prazo no setor de grande consumo, especialmente numa altura em que os consumidores procuram valor acrescentado, conveniência e soluções diferenciadoras. A expectativa é que, com a estabilização da economia, as marcas voltem a apostar com mais força no desenvolvimento de novos produtos.













