Gen Z: a geração on está a dar off

OpiniãoNotícias
Beatriz Monterroso
02/04/2026
20:02
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20:02
Gen Z: a geração on está a dar off

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Opinião de Beatriz Monterroso, consultora de comunicação da AMP Associates

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Sou da geração sempre “on” (demograficamente, conhecida por Geração Z), mas que também conheceu o mundo, ainda, sem Wi-Fi. Talvez por isso, sejamos também das primeiras a querer desligar.

À margem do ruído, da velocidade e da montra que se monta nas redes sociais cresce o regresso ao analógico. Um ajuste silencioso que não se faz contra a tecnologia, mas contra a saturação. Uma resposta estratégica num ambiente onde a atenção se tornou o ativo mais disputado.

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Em Portugal, entre os utilizadores de redes sociais, 92% “habitam” nestas plataformas, usam-nas várias vezes ao dia, como se de um local de convívio se tratassem. Esta amostra é do estudo Os Portugueses e as Redes Sociais 2025, da Marktest. A relevância é inquestionável. A centralidade é total. Tomamos o pequeno-almoço nas redes sociais (o nosso, e as tostas de abacate que vemos dos outros), saímos à rua nas redes sociais… é nelas que privilegiamos o convívio.

Mas há um número que introduz fricção neste cenário: a mesma amostra da Marktest aponta que mais de um quinto dos utilizadores inquiridos afirma ter deixado de usar, pelo menos, uma rede social nos últimos 12 meses. Mas afinal, em que ficamos?

Quando quase todos estão conectados várias vezes por dia, o digital deixa de ser ferramenta e passa a ser ambiente. Um ambiente onde convivem interação social, marketing, publicidade, opinião, comparação e validação pública. Um ambiente onde a perceção impera.

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É neste contexto que surge o contra-movimento. Não estamos perante o abandono do digital, mas sim a entrar numa era de gestão da exposição. E porquê, perguntam-se?

A Gen Z, onde me incluo, a “primeira geração de nativos digitais”, começa a procurar experiências que impõem limites naturais. Uma análise da EMARKETER, feita em 2025, conclui que 46% dos Gen Z em todo o mundo limitam de alguma forma o tempo de ecrã e 17% dizem que o fazem em todos ou na maioria dos dias. A mesma amostra da EMARKETER aponta que a esmagadora maioria dos inquiridos da Geração Z sentem “fadiga digital”.

Choque-se quando lhe contar que uma análise da consultora Deloitte aponta que 53% dos Gen Z no Reino Unido consideram favorável a proibição de redes sociais para menores de 16 anos.

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Para compreender o fenómeno, convido-vos a recuar ao passado. Nascidos a partir de meados ou final da década de 1990 até ao início da década de 2010, a esmagadora maioria dos Gen Z, cresceu num híbrido entre o analógico e o digital. Com heranças analógicas nos hábitos transmitidos pelos educadores e numa descoberta do digital junto dos seus pares. Somos uma geração que descobriu algo, mas que cresceu com outras bases.

Voltar ao analógico, é abraçar as bases do nosso crescimento, sem descartar aquela que foi a nossa descoberta comum enquanto geração. A economia da atenção tem limites. Quando esses limites são atingidos, o comportamento procura regressar ao que lhe é familiar, para mais tarde atingir um novo estado de adaptação.

O regresso ao analógico não é um manifesto anti-digital. É um mecanismo de equilíbrio. O jovem que compra vinis continua a usar plataformas de streaming. Quem lê em papel, também consome conteúdos online. Quem fotografa em filme, mais tarde, publica as fotografias no Instagram.

O movimento é híbrido, mas com uma diferença essencial: há escolha deliberada.






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