“Freelancer do Dia CCP by Marketeer”: José Mendes

É difícil sobressair por entre dezenas de curriculos. A partir de certa altura, os nomes confundem-se e aquele que poderia ser o par perfeito para um projecto na calha acaba por fugir. Partindo do directório lançado pelo Clube Criativos Portugal (CCP), a Marketeer propõe conhecer melhor alguns dos talentos freelancers nas áreas da criatividade e comunicação.

José Mendes (designer gráfico) é o mais recente protagonista da rubrica “Freelancer do Dia CCP by Marketeer”, que apresentará, duas vezes por semana, exemplos de quem decidiu aventurar-se por conta própria.

Qual foi a melhor coisa que já fizeste?

Não consigo escolher um só projecto, o melhor de todos. Todos são importantes, todos são concebidos com a mesma entrega e insatisfação. Só os processos, cronologia e fins são diferentes. Todos servem de estágios de experimentação e acumulação de conhecimento para os próximos, seja a capa de um álbum ou uma identidade visual de grande visibilidade.

É mais fácil escolher alguns de diversas áreas, cronologia, projectados em agências ou como freelancer:
A identidade visual/catálogo para os Jovens Criadores’98.
A identidade do grupo RTP na Novodesign/Brandia.
A identidade do grupo Ativism e da edp5D.
Todos os projectos para a M2- Artes Gráficas desde 2006 até agora.
A identidade visual da Sata Airlines, identidade e packaging da Adega Mayor, ilustração de 3 latas da Coca-Cola Light na Ivity Brand Corp.
As capas dos Miss Lava, Fast Eddie Nelson e do Rocha.
As identidades visuais da Paladin, CEiiA e Chapéu, o projecto 2 Faces (Luís Mileu, Ricardo Henriques e Revista Cais), a intervenção artística nos Lisbonaire Apartments, entre muitos outros no Atelier MAGA.
As identidades visuais e cartazes do Out.fest, Out.ra Música e UMCSEET – Unearthing the Music.
As identidades visuais da Fotografia no Barreiro, Mendes Gonçalves, memmo Príncipe Real, Diverge Sneakers, Casa do Joa, Nikkei (Vela Latina), Atary Baby.
O livro “BRR 2018: Quando a periferia se torna trendy”.
E muitos dos tipos de letras desenhados para estes e outros projectos.

Qual é o projecto que queres fazer a seguir?

Um que me estimule, envolva experimentação, várias disciplinas, seja sustentável, humanista e traga benefício para uma comunidade.

Porque é que te devem contratar?

Devem perguntar isso às pessoas para quem e com quem fiz projectos. Nunca conseguiria ser eu a dar a resposta, sempre deixei que o meu processo e corpo de trabalho respondam a essa questão.

Como vês a situação actual que vivemos?

Confusa, nova, potencialmente perigosa a nível social. Vai ser necessário tempo para olhar para trás para compreender e aprender melhor com este momento.

Desde quando és freelancer e o porquê dessa decisão?

Desde que sai da Ivity Brand Corp em 2009. Depois, na fundação do atelier MAGA, sempre esteve presente um espírito de colectivo. Em 2015, deixei de participar no atelier e assumi-me como freelancer. Não foi uma coisa muito pensada, existiu contexto e necessidade e agora faz parte do meu percurso.

Quais as vantagens e desvantagens de ser freelancer?

Não vejo as coisas dessa maneira, se tens vantagens ou desvantagens. És livre quando fazes tudo o que queres sem condições ou quando aceitas uma condição para te libertares? Depende de pessoa para pessoa e em diferentes alturas da vida das mesmas. Por isso não vou classificar e generalizar.

Para mim, neste momento esta condição de freelancer funciona bem, consigo decidir os meus projectos, a forma, o local e o tempo deles, numa conversa e relação próxima com o cliente. É uma parceria para chegar a um melhor resultado.

Normalmente não existem mais pessoas no meio, a gerir, planear, filtrar a comunicação nesta relação. E isso tende a melhorar, acelerar e tornar os projectos mais próximos e dinâmicos, com melhores resultados, como um alfaiate. Isso obriga-me a ser designer, account, arte-finalista produtor, etc.

Na verdade obriga-me a ser só designer, no sentido que este faz o projecto, e quanto mais controlar e tiver conhecimento sobre as fases de projecto do seu trabalho, melhor o pode resolver. Um bom trabalho tem sempre na equação um bom cliente, e uma boa produção. Se a comunicação com estes é próxima, é perfeito. Claro que tens de planear melhor o tempo, mas faz parte do projecto. Claro que tens de trabalhar em menor escala, mas podes modular este método e trabalhar com outros freelancers de outras disciplinas, ou da mesma, em conjunto, em proximidade com o cliente, e resolver projectos maiores ou uma maior escala de projectos ao mesmo tempo.

Ao fim destes anos, por vezes, ou em fases do projecto, sinto vontade de um espaço com pessoas, da partilha. Daí não querer classificar como desvantagem, porque conheço alguns designers que funcionam muito bem sozinhos.

Por isso, se esta condição de freelancer é uma coisa intermédia ou um fim, espero que, se for um fim, seja feito num espaço com outras pessoas, com outras disciplinas, onde se consiga manter uma identidade a trabalhar projetos multidisciplinares.

A partilha, a mistura, a transversalidade são muitos importantes. Não fomos feitos para ficarmos sozinhos. Talvez aqui esteja de alguma maneira a responder à pergunta sobre a situação actual.

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