“Freelancer do Dia CCP by Marketeer”: Inês Ayer

É difícil sobressair por entre dezenas de curriculos. A partir de certa altura, os nomes confundem-se e aquele que poderia ser o par perfeito para um projecto na calha acaba por fugir. Partindo do directório lançado pelo Clube Criativos Portugal (CCP), a Marketeer propõe conhecer melhor alguns dos talentos freelancers nas áreas da criatividade e comunicação.

Inês Ayer (designer) é o mais recente protagonista da rubrica “Freelancer do Dia CCP by Marketeer”, que apresentará, duas vezes por semana, exemplos de quem decidiu aventurar-se por conta própria.

Qual foi a melhor coisa que já fizeste?

Ter a coragem para arriscar abraçando novos desafios no desconhecido. Há cerca de dois anos, após ter concluído o estágio na SuperUnion em Berlim, decidi embarcar num projecto de voluntariado antes de regressar a Portugal, dando aulas de inglês numa escola precária na fronteira entre a Tailândia e a Malásia. Um lugar onde o tempo pára e a beleza das pequenas coisas prevalece.

Esta experiência ajudou-me a compreender um sistema de ensino com muitas falhas, mas também com espaço para a mudança de atitudes. Por mais que o trabalho feito seja importante na mente dos voluntários que regressam, nunca vai ser suficiente para quem fica.

Todos os pedaços da ilha me lembram saudade, desde a beleza das pequenas coisas, aos momentos caricatos de convivência com a fauna e a flora, entre folhas de coco e dragões do komodo. Os cheiros coloridos, o arroz três vezes por dia, as canções em inglês, o som da vida em cada gargalhada no recreio.

No retorno a Portugal, voltei com uma maior motivação para apostar em novas iniciativas sociais e em inquietações como o Decoding Creativity Barcelona, High Potentials ADCE, SVA Typelab Residency, The Design Kids Lisbon e OFFF Academy powered by Adobe. Programas estes que influenciaram e definiram o meu percurso até construir a minha prática de design independente.

Qual é o projecto que queres fazer a seguir?

Tenho me focado em trabalhar cada vez mais com projectos no sector cultural e social, de forma a criar instrumentos de mudança e impacto na comunidade. Estas propostas permitem-me ter um espaço maior para experimentar novas técnicas e explorar a dificuldade como oportunidade de crescimento.

Porque é que te devem contratar?

Considero-me uma designer multidisciplinar com uma abordagem 360º para a resolução de problemas. Uso o design como uma ferramenta humanista para desenvolver uma sociedade activa, através de identidade visual, conceito e comunidade. Com foco no storytelling e estratégia como first step, consigo ser versátil na direcção de arte tanto em peças digitais (3D, motion, UX e UI) como em físicas (branding, editorial, packaging, ilustração e sinalética), atingindo um equilíbrio entre o digital e o manual. Com um interesse especial por tipografia e identidade. Encaro a nossa actividade como um acto de curadoria colaborativa.

A minha experiência como freelancer possibilitou-me trabalhar com clientes internacionais muito distintos e estabelecer relações de proximidade. Ao construir estas ligações, conseguimos amplificar o resultado final e gerir as expectativas ao longo do processo de desenho. Inspiro-me na actualidade e em várias áreas fora do meu campo de actuação, o que me permite antecipar padrões de utilização e possibilidades de comunicação.

Como vês a situação actual?

Eu encaro a conjectura actual como um ciclo para criar oportunidades. Tempo para pensar nas acções e decisões do presente e como estes actos nos ajudam a prever e redesenhar o futuro. Os períodos de maior crise são ocasiões onde a criatividade tem um papel crucial na inovação. Permitem ultrapassar obstáculos e criar soluções que amplificam os nossos recursos.

Desde quando és freelancer e o porquê dessa decisão?

Desde Agosto de 2019 que sou freelancer a full time. Já tinha alguma experiência em projectos pontuais, quando vivia em Berlim colaborava com alguns clientes e estúdios. No ano passado, senti que era o momento certo para arriscar e construir uma prática independente que me possibilita não só escolher as áreas que me quero dedicar como também ter um maior envolvimento em cada fase do projecto, gerindo tempo e expectativas.

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