Fact-Check: Os Publishers estão a perder a batalha da Publicidade Digital?

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04/02/2026
20:03
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Opinião de Fernando Parreira, CRO da InsurAds e fundador da ROI Rebels

Há uma verdade desconfortável que o mercado continua a evitar: os Publishers estão a perder, de forma estrutural, a batalha pelo share de investimento em Publicidade Digital. Não é conjuntural, não é “mais um ano difícil”, nem se resolve com mais um formato ou mais um parceiro programático.

Em Portugal, as projeções são claras. Em 2026, o maior Publisher nacional deverá captar menos de 5% do investimento publicitário gerido pelas Agências de Meios. Se olharmos para o total dos grandes Publishers, o share-of-investment combinado deverá rondar cerca de 18%. Esta não é uma especificidade do mercado português, mas sim uma tendência transversal a vários mercados europeus, onde os Publishers nacionais veem, de forma consistente, o seu peso relativo diminuir face à concentração crescente do investimento nas grandes plataformas globais.

E não, isto não acontece por falta de qualidade editorial, nem por incompetência comercial. Acontece porque o jogo mudou — e continua a mudar — para um terreno onde os Publishers, tal como estão hoje organizados, não têm vantagem competitiva.

Globalmente, Google e Meta já captam cerca de 56% do investimento publicitário mundial. Em Portugal ainda estamos abaixo desses números, sobretudo devido à resiliência dos meios offline, mas no Digital a tendência é inequívoca: entre 60% e 70% do investimento deverá concentrar-se nas grandes plataformas.

E este cenário não vai melhorar. Pelo contrário.

Performance, Data, Escala — O tripé impossível de combater

A migração do investimento para as plataformas não é ideológica, é racional. As marcas seguem onde conseguem:

· Resultados mensuráveis e orientados à performance;

· Uma profundidade de data impossível de replicar localmente;

· Escala praticamente infinita, com otimização contínua em tempo real.

Com a aceleração da AI e do Agentic Advertising, esta assimetria vai tornar-se ainda mais evidente. Quando os próprios agentes de compra automatizados passarem a decidir, em milissegundos, onde investir cada euro com base em eficiência, previsibilidade e retorno, os Publishers que não forem críticos para a estratégia simplesmente deixam de estar na equação.

É duro, mas é isto.

A verdadeira escolha estratégica dos Publishers

Perante este contexto, há uma pergunta que já não pode ser adiada: onde é que um Publisher pode, realisticamente, crescer?

A resposta não é igual para todos — e esse é precisamente o ponto.

1. Publishers com Marca forte e Conteúdo diferenciado

Aqui, a oportunidade não está na guerra da performance. Está nos orçamentos de comunicação, na construção de marca, na relevância cultural e contextual.

Estes Publishers têm de se assumir, sem complexos, como players estratégicos para marcas que querem significado, confiança e associação editorial. Menos volume, mais valor. Menos CPM explicado, mais impacto justificado. São — e devem ser — parte central das estratégias de brand relevance.

2. Publishers com Conteúdo indiferenciado

Neste campo, a conversa é outra. Se o conteúdo não é distintivo, então o jogo é de volume e eficiência.

Isso implica:

· Escala editorial real;

· Estruturas tecnológicas robustas;

· Investimento sério em SEO, GEO e distribuição algorítmica;

· Novas abordagens na exploração publicitária, mais próximas da lógica das plataformas do que do modelo clássico de media.

Aqui, romantizar o modelo editorial tradicional é um erro caro. Sem volume, não há relevância algorítmica. Sem relevância algorítmica, não há monetização sustentável.

Fingir que o problema não existe já não é opção

O maior risco para os Publishers portugueses não é perderem share. É continuarem a tentar ganhar um jogo que já não é jogado pelas mesmas regras.

O futuro não passa por “recuperar” investimento às plataformas. Passa por escolher claramente onde se quer competir, aceitar as limitações do modelo atual e construir propostas alinhadas com a realidade do mercado — não com a nostalgia do passado.

A batalha da Publicidade Digital já não se decide na força comercial. Decide-se na clareza estratégica. E essa, neste momento, ainda está longe de ser consensual no ecossistema dos media.

Talvez seja exatamente aí que tudo tem de começar.




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