DS Seguros: Seguro vida, coberturas e preço

Luís Tavares, director coordenador nacional da DS Seguros

Em Portugal, mais de dois milhões de famílias têm um seguro de vida, para garantir o seu empréstimo bancário. Existe uma enorme falta de informação por parte do consumidor, julgando que todos os seguros são idênticos e, como este seguro é imposto pelo banco para o crédito, apenas tem de aceitar o seguro proposto e pagar todos os meses!

No entanto, existem questões bem mais complexas, que merecem um aprofundamento de análise. E, sem o aconselhamento especializado, as consequências são muito gravosas para o cliente, nomeadamente nos tipos de coberturas de invalidez e no preço, pelo que é importante realçar que, actualmente, qualquer cliente, com o devido aconselhamento especializado, pode mudar o seu seguro de vida e passar a ter as coberturas adequadas e o preço justo, sem que o seu banco possa agravar o seu spread.

Existem muitos milhares de portugueses que fizeram o seguro de vida pelo banco e este, devido à pressão da concorrência na prestação final, usou o seguro de vida para ser mais competitivo, mas oferecendo ao cliente uma cobertura de invalidez que não serve: a IAD (Invalidez Absoluta e Definitiva) só pode ser accionada se o cliente tiver uma invalidez de quase 100%.

Qualquer cliente deveria garantir que tem a cobertura de Invalidez Total e Permamente (ITP), que, ao contrário da anterior, será accionada logo que o cliente tenha uma invalidez para o trabalho, superior a apenas 60% ou 65%. Ou seja, ainda que o cliente possa desenvolver várias tarefas, se já não estiver apto para a sua actividade profissional, esta cobertura será accionada e a sua casa ficará paga ao banco.

Para se entender melhor a gravidade deste tema, basta pensar num agregado familiar onde um dos elementos do casal deixa de poder trabalhar, devido a acidente ou doença, e ter a cobertura de ITP ou IAD é a diferença entre o seguro pagar a casa ao banco ou a dívida manter-se!

Existe ainda um outro problema frequente, que acontece quando o banco, ao fazer o seguro de vida, não garante 100% do capital para cada um dos contraentes do empréstimo. Ou seja, muitas vezes, ao falecer um dos elementos do casal, o seguro apenas paga metade do empréstimo, mantendo-se metade da dívida, o que, na maioria das vezes, é um drama para a estabilidade financeira do agregado familiar!

Por fim, o preço. Cerca de 80% das famílias com mais de 40/45 anos paga sensivelmente o dobro do valor que hoje é o preço ajustado do mercado concorrencial, pelo seguro de vida!

Devido a uma alteração da legislação imposta pela regulamentação europeia, desde há alguns anos que os bancos não podem obrigar os clientes a ter o seguro de vida com o banco, pelo que, com o final do monopólio dos bancos nesta área, entraram em Portugal várias seguradoras internacionais que vieram colocar o preço dos seguros de vida muito mais competitivos, sendo que, em casais acima dos 45 anos, o preço é metade do praticado pelas instituições bancárias!

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Seguros”, publicado na edição de Fevereiro (n.º 283) da Marketeer.

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