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Diogo Infante: «Cada vez mais os produtores culturais têm noção de que precisam das marcas»
O teatro está a crescer em termos de oferta e em termos de audiência. Há muito que deixou de ser um reduto intelectual só para uns iluminados. E as marcas não estão a querer ficar de fora deste mercado, apesar de haver um evidente problema de escala.
«Claro que não temos a escala dos grandes concertos de pavilhões multiusos, mas o produto premium é um produto interessante e as pessoas querem estar ligadas a produtos de qualidade», comenta o actor e encenador Diogo Infante, no encontro Brand Activation Day promovido pela NOS. Portanto a sua premissa tem sido sempre escolher textos, elencos e produtores de qualidade, no sentido de elevar a fasquia e ter um grau de exigência em todos os aspectos de produção – mesmo artística – que passe e que chegue ao público de uma forma impactante. «Hoje temos acesso a tantas ofertas, as pessoas viajam para o estrangeiro, veem coisas e o termo de comparação é elevado. Nós temos que subir a fasquia e é isso que tenho procurado fazer», comenta. E quando isso se consegue, as marcas aproximam-se e entram no teatro não só como patrocinadores, mas também, muitas vezes, dentro do próprio espectáculo.
Diogo Infante confirma que o soft branding, o soft sponsoring existem e podem ser adaptados nos teatros. «É tudo uma questão de dimensão e de quanto isso subverte a história ou não. Se for uma coisa pacífica, tranquila, acho que há formas de integrar», comenta assumindo que há muitos anos que trabalha com marcas e empresas, algumas são patrocinadoras, outras associam-se pontualmente a determinados produtos ou a determinados projectos porque lhes interessa.
E vai mais longe: «Acho que cada vez mais os produtores culturais têm noção de que precisam das marcas e precisam de encontrar mecanismos atractivos para poderem integrar novas soluções de financiamento que não sejam apenas o Estado ou que não dependa apenas da venda de bilhetes.» Daí que assuma que está sempre disponível para fazer esses compromissos. «Se não, fecho portas e fico fechado no meu mundinho. Eu não quero isso. Por isso estou atento e tento promovê-lo.»
Texto de Maria João Lima
*A jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico