Desenhar é Pensar com a Mão

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10/08/2025
20:02
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Opinião de Filipa Barradas, Creative Operations Manager da NIU

Já todos ouvimos aquela explicação clássica: design vem do latim designare, que quer dizer marcar, projetar, determinar. Mas o que é que isso realmente nos diz sobre o que fazemos todos os dias numa agência criativa? Talvez não muito. Porque na prática, o design é mais do que uma definição — é uma forma de pensar, de experimentar e de comunicar. E é aí que entra o desenho à mão.



Em plena era de IA, ainda faz sentido pegar num lápis e começar a desenhar. O desenho manual é uma ferramenta poderosa para pensar, testar ideias e ver o que pode ou não funcionar – especialmente nas fases iniciais de um projeto. É aquela etapa em que ainda estamos a ligar pontos, a ver possibilidades e a explorar sem medo de errar.

No nosso dia-a-dia, os softwares são incríveis e indispensáveis, mas não precisam de substituir o papel e o lápis — podem viver em conjunto. O desenho à mão ajuda-nos a ser mais rápidos, mais livres, mais visuais. Quando estamos a construir uma ideia que ainda não está bem formada, desenhar torna-se uma forma quase instintiva de clarificar pensamentos.

Neste processo mais primário o erro é fundamental e ainda bem que acontece. O erro é parte do processo criativo — sempre foi. Há mais de mil anos, antes de Descartes dizer Penso, logo existo, já Santo Agostinho dizia Erro, logo existo. Errar é sinal de que estamos a tentar. E é assim que evoluímos: a arriscar, a falhar, a aprender.

O desenho ajuda-nos a dar forma ao erro e a torná-la visível. Esboços, mapas mentais, esquemas — tudo isso serve para pôr cá fora o que vai cá dentro.

E num contexto de agência é igual. Trabalhamos várias áreas, desde espaços para eventos, objetos expositivos, stands, ambientes e, muitas vezes, o conceito inicial é “nebuloso” e tem de ser descoberto e cristalizado. Nestes momentos, a tangibilização de ideias através do desenho é algo muito poderoso para a evolução do projeto e alinhamento entre equipas.

Para que esse caminho seja possível, não há uma maneira certa de desenhar, nem um estilo obrigatório. O importante é que o processo seja livre, múltiplo e dinâmico. Não devemos prender-nos a uma única ideia ou traço. O objetivo é experimentar, explorar, multiplicar perspetivas – só assim conseguimos criar com mais confiança e clareza.

No fundo, desenhar não é só uma questão de estética. É uma forma de pensar melhor — e comunicar melhor. E para quem vive da criatividade, isso faz toda a diferença.




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