A marca alemã Birkenstock está a apertar o cerco à falsificação dos seus produtos na Índia, um dos mercados onde o calçado da marca tem ganho popularidade tanto entre consumidores locais como turistas. A empresa iniciou uma ação judicial por violação de marca que levou um tribunal de Nova Deli a autorizar inspeções judiciais a fábricas suspeitas de produzir sandálias contrafeitas.
De acordo com fontes próximas do processo citadas pela Reuters, as visitas decorreram nas últimas semanas em unidades fabris de pequena escala, especialmente na zona rural em torno de Agra (famosa pelo Taj Mahal), e em Nova Deli. A ordem do juiz, emitida a 26 de maio, permaneceu confidencial até à semana passada e determinava que dez advogados locais atuassem como comissários judiciais, com autorização para apreender, embalar e selar os produtos considerados infratores.
O caso surge num momento em que outras marcas globais de calçado enfrentam disputas semelhantes na Índia. A Crocs conseguiu recentemente retomar um processo de infração iniciado há nove anos, enquanto a Prada foi criticada por utilizar designs inspirados em calçado tradicional indiano sem atribuição de crédito.
A Birkenstock, que nos últimos anos passou de símbolo de contracultura para peça de moda mainstream — tendo ganho destaque após a atriz Margot Robbie usar um par no final do filme Barbie (2023) —, alega que os produtos falsificados são visivelmente similares aos originais, com embalagens e branding replicados.
O processo judicial envolve quatro comerciantes, quatro fábricas e dois indivíduos não identificados, num esforço claro da marca para proteger o seu nome e reputação num mercado em crescimento. Os representantes legais da Birkenstock na Índia, do escritório Lall and Sethi, recusaram comentar o caso devido ao seu carácter pendente.
Na Índia, os preços das sandálias Birkenstock para mulher variam entre os 46 e os 233 dólares, o que torna o mercado de falsificações particularmente apelativo para fabricantes informais e revendedores paralelos.
Esta não é a única frente legal da marca: em fevereiro deste ano, um tribunal alemão decidiu que os modelos da Birkenstock não são considerados “obras de arte” e, por isso, não estão protegidos por direitos de autor.













