Num momento em que a Política Agrícola Comum (PAC) se prepara para nova revisão, os consumidores europeus lançam um apelo claro: querem uma agricultura mais sustentável, justa e que assegure alimentos acessíveis. A conclusão é de um inquérito europeu divulgado pela DECO PROteste, que contou com a participação de mais de 7.300 consumidores em oito países, entre os quais Portugal.
Segundo a DECO, nove em cada dez inquiridos defendem que a produção alimentar deve garantir um fornecimento estável e suficiente de alimentos, a preços razoáveis. No caso de Portugal, 40% dos participantes consideram que a PAC tem falhado no controlo dos aumentos sucessivos no setor alimentar.
Desde 2022 que a DECO acompanha a evolução do preço de um cabaz de 63 bens essenciais. Em três anos, esse cabaz passou de 188 para cerca de 240 euros, ou seja, um aumento superior a 25%.
O inquérito evidencia ainda o descontentamento com a distribuição dos apoios da PAC: apenas 13% dos portugueses consideram justa a repartição entre explorações agrícolas nacionais, e só 17% veem justiça na forma como os subsídios são distribuídos entre Estados-membros.
A sustentabilidade é outro eixo central das preocupações dos consumidores. Sete em cada dez portugueses defendem que os apoios europeus devem privilegiar agricultores que protejam o ambiente e o bem-estar animal. Metade dos inquiridos considera mesmo que os subsídios deveriam apoiar apenas produções saudáveis e sustentáveis.
Apesar da predisposição para pagar mais por produtos locais e sustentáveis, os consumidores sublinham que os custos da produção sustentável não devem recair sobre si: 70% defendem que esses encargos devem ser suportados pela indústria, pelos retalhistas ou através de apoios públicos.
Com base nestas conclusões, a DECO PROteste reforça a necessidade de uma PAC mais alinhada com as expectativas dos cidadãos, que combine acessibilidade, sustentabilidade e justiça na distribuição dos apoios.














