Conheça a nossa voz

 

M.ª João Vieira Pinto

Directora de Redacção Marketeer

Quando tinha a idade da minha filha lembro-me de estudar à noite a ouvir o “Oceano Pacífico”. Um programa da RFM, que se prolongou durante anos e que me fez companhia horas a fio. Se me perguntarem, à data de hoje, que músicas por lá passavam, teria dificuldade em enumerar. Mas a voz, a voz de João Chaves, essa guardo-a na memória. Acho que foi ela que me manteve acordada agarrada aos livros e apontamentos. Foi ela que me acompanhou e se manteve horas e dias, como fiel amiga. Ali, sempre à mesma hora, o mesmo tom, a mesma voz. A força da voz.

Há as que ficam, que nos marcam, que guardamos. Há as vozes fortes e as que nos embalam, as que como que nos levam ao colo e as que tudo vendem, do bolo de chocolate ao sabonete.

Numa altura em que a imagem ainda é rainha na comunicação, a voz começa a ganhar cada vez mais palco, o palco das marcas. E há marcas, muitas e várias, que já começaram a ficar atentas.

Na mais recente edição do Web Summit Lisboa, vários convidados lembraram precisamente isso, o poder que a voz tem para nos impactar, para nos fazer repensar decisões, para nos fazer rir ou chorar. Ou já se esqueceu do famoso Michael Knight e do som do seu Kit? Do Good Morning, Vietnam? Da neta que levava o coelhinho com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo e que, a nós, nos levou a comprar Fantasias de Natal? (Os leitores da minha idade, claro.)

Entretanto, chegaram as Alexas, as Siris e as assistentes de voz. Que comunicam e respondem, e não tardarão a incentivar a compra de um produto de uma qualquer marca que por ali invista. Há marcas automóveis com assistentes pessoais e um cada vez maior número de insígnias, cujos chats de apoio ao cliente como que ganharam vida própria.

Não vale a pena encolher os ombros ou assobiar para o lado. Nenhuma marca deveria ficar de fora desta viagem que está a começar a acelerar. Se a sua ainda não deu os primeiros passos, vá agora: inscreva-se na corrida e vai ver que assim será mais fácil cortar a meta em primeiro.

Por tudo isto, e porque, apesar de sermos um meio escrito, temos voz em vários canais e momentos, fizemos esta capa, que é única na história da Marketeer.

Na colaboração com a The Hotel, demos o isco e eles montaram todo o equipamento para uma pesca em alto mar. Em conjunto demos, literalmente, voz à capa, com a voz incrível e única de Catarina Wallenstein.

Porque, na verdade, também somos marca e queremos que, desse lado, saibam qual é a nossa voz.

Editorial publicado na revista Marketeer n.º 283 de Fevereiro de 2020

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