Comprar online ajuda a promover a conservação dos oceanos

Não estava nos planos do Oceanário avançar, para já, com a loja online, mas a pandemia mostrou que este podia ser um caminho, já que muitos são aqueles que repensam por estes dias o seu estilo de vida. A partir de hoje, Dia Mundial dos Oceanos, vai ser possível comprar na loja online do Oceanário. Uma forma de facilitar a adopção de comportamentos mais responsáveis.

Sob o mote “Escolha mudar. Compre sustentável”, a nova loja online do Oceanário permite, mesmo a quem está longe, adquirir brinquedos, vestuário e acessórios, com menor impacto para o planeta. São oito os critérios de catalogação dos produtos à venda que estão visíveis, de forma transparente, para os clientes. Critérios de sustentabilidade que vão desde a escolha das matérias-primas ao processo de produção e até ao descarte do produto, promovendo um consumo mais consciente e amigo do ambiente.

Em conversa telefónica com a Marketeer, João Falcato, CEO do Oceanário de Lisboa, recorda que este é o resultado do trabalho de mais de dois anos a adquirir conhecimento e a desenvolver produtos próprios com reduzido impacto ambiental. E lembra que, numa altura em que as receitas da venda de bilhetes caíram de forma expressiva (primeiro, durante as semanas em que o Oceanário esteve encerrado durante o estado de emergência e, depois, aquando da reabertura, pelo número reduzido de visitantes), comprar na loja online é, não só uma oportunidade para adquirir produtos sustentáveis, como também para contribuir para que o Oceanário continue a promover a conservação dos oceanos.

O encerramento do Oceanário durante o estado de emergência devido à pandemia libertou os responsáveis do mesmo para delinear novos caminhos para o futuro?

O Oceanário nunca tinha fechado. Nós há 22 anos que abríamos todos os dias. E de repente ficámos sem visitantes. Mas no Oceanário de Lisboa o trabalho não parou. O trabalho foi normal e só toda a parte dos visitantes é que desapareceu. Mas não ter visitantes, de repente, também era uma oportunidade. As paredes foram todas pintadas e houve uma série de trabalhos de manutenção de difícil execução – e que normalmente só podem ser feitos à noite -, que foi aproveitado para fazer neste período.

Nas partes que lidavam com o público, a nível de comunicação e de educação, tivemos de reinventar-nos de alguma forma para continuarmos a nossa missão.

Mas, sim, estes momentos são sempre de reflexão e de pensar – sabendo que vamos ter uma realidade diferente passado algum tempo e em que a própria capacidade económica do Oceanário reduz um pouco – como vamos conseguir cumprir com a nossa missão, como vamos conseguir continuar a fazer conservação ainda mais do que fazíamos (porque vai ser ainda mais necessário) e com recursos menores. A reflexão foi feita e temos ideias possíveis, de negócios e actividades futuras. As ideias ficaram cá todas e vão ser aprofundadas para podermos ver a sua viabilidade. Certo é que não vamos deixar de financiar a conservação dos oceanos. Vamos poupar noutras áreas, mas não nessa.

Referiu que a área da educação e da ligação às escolas se manteve em actividade. O que foi feito para manter a ligação às escolas e às crianças que ficaram fechadas em casa?

Foi mais um dos desafios. Enquanto as crianças estiveram de férias [da Páscoa], nós criámos nas nossas redes sociais uma série de actividades para entreter as crianças em casa e ajudar à sua diversão. Quando recomeçaram as aulas, fizemos um piloto com seis escolas para ver se funcionaria o programa educativo com as turmas que estão a ter aulas online e funcionou tão bem que abrimos candidaturas para escolas terem essas aulas online dadas pelo Oceanário. Num primeira semana tivemos logo 150 candidatos. Neste momento, fechámos as candidaturas porque estamos com alguma dificuldade em dar resposta a tantos pedidos. Conseguimos adaptar-nos a uma nova realidade e estamos todos os dias nas turmas a trabalhar e a sensibilizar para a conservação dos oceanos.

Depois de algumas semanas fechado a visitantes, o Oceanário reabriu as visitas a 11 de Maio. Como tem evoluído a afluência de visitantes desde então?

Tem corrido bem. Tem aumentado o número de visitantes de dia para dia. Não tem nada a ver com o que habitualmente tínhamos até porque não temos turistas. Neste momento estamos com cerca de 400 a 500 visitantes por dia, o que é mais do dobro da semana anterior. Estamos longe da capacidade do Oceanário de Lisboa que neste momento estará entre as 2.500 e as 3.000 pessoas por dia. Está a ser uma experiência diferente e a satisfação de quem visita é muito grande. Ninguém tem memória de visitar o Oceanário de Lisboa com 400 pessoas num dia. É muito agradável. É um espaço quase todo só para nós, um privilégio.

Ainda não sabemos quando é que Lisboa retomará o seu novo normal, com turistas. Que impacto é que isso tem tendo em conta que estes representavam cerca de 65% dos visitantes do Oceanário?

Agora, são praticamente só portugueses, com excepção dos estrangeiros residentes em Lisboa. Em períodos normais, oscilam entre os 60 e os 65% de estrangeiros. Esses agora não estão. Para ter noção dos números, nesta altura do ano, em períodos normais, estaríamos já acima dos 4.000 visitantes por dia. Como lhe disse, estamos com 400… É outra realidade. Mesmo quando o número de portugueses voltar ao normal, e imagino que isso não demore muito, não serão os números normais [devido à ausência dos turistas estrangeiros]. Vale a pena vir ao Oceanário visitar agora porque vai ser sempre uma visita mais agradável.

Sei que é uma pessoa muito preocupada com as questões ambientais. Esta pandemia trouxe o abrandamento de alguns tipos de poluição, mas começam a ouvir-se vozes relativas ao regresso da utilização de muitos objectos descartáveis como copos, talheres e máscaras. Vão fazer algum tipo de comunicação a este respeito?

Comunicar sobre o comportamento das pessoas nesta realidade, não. Tem havido alguns problemas, mas muitas vezes são maiores na comunicação do que na realidade. Mas se virmos que é uma coisa que se mantém, no médio prazo, iremos certamente trabalhar. Neste momento, diria que os impactos positivos para o ambiente de toda esta situação ultrapassam grandemente estes problemas. Se vir a quantidade de pessoas que andam na rua… Mesmo que façam algum lixo, comparando com o passado é muito reduzido. Temos agora novas realidades e temos de ver o comportamento das pessoas e garantir que os objectos vão parar ao sítio onde devem ser descartados.

O Oceanário gostava de ajudar toda a gente para que esta retoma, esta volta seja uma em que escolhemos mudar e escolhemos ser mais sustentáveis.

E, nesse sentido, o Oceanário está a aproveitar a data em que se comemora o Dia Mundial dos Oceanos para lançar a sua loja online. Porquê a escolha desta data?

Desde 2018, quando inaugurámos a nossa nova loja, assumimos o compromisso de ter produtos sustentáveis. Comprometemo-nos de, em três anos, ter 95% dos nossos produtos sustentáveis. Não tínhamos loja online. E agora que percebemos que há uma necessidade de mudança mais rápida, decidimos lançar a loja online, hoje, Dia Mundial dos Oceanos, para que seja mais fácil para todos escolher mudar e comprar aquilo que é mais sustentável e os produtos que têm menor impacto. Temos de ter sempre a consciência de que tudo tem um impacto. Nós existirmos tem impacto. Temos é de fazer as escolhas que tenham menor impacto. Ao longo dos anos, acumulámos bastante conhecimento na área, na sustentabilidade dos produtos e quais têm o menor impacto. A linha da loja online é ajudar todos os portugueses e estrangeiros a ser mais fácil serem sustentáveis. Isso passa por muitas coisas, como baixar o consumo. A qualidade do produto vendido/comprado tem de ser melhor para o produto ter uma maior longevidade. Há muitos pequenos detalhes como mudar os materiais que são utilizados, as tintas, se tem etiquetas (que não são necessárias), a forma como é embalado, de onde vem a matéria-prima, como é fabricado… Tudo isso tem impactos diferentes. O que nós tentamos fazer com os nossos produtos é tornar fácil a opção que é a melhor.

Todos os produtos que estarão online terão a questão da sustentabilidade assegurada?

Sim. Temos oito carimbos referentes a aspectos como produção local, grande/pequena escala, comércio justo (valores éticos de justiça e dignidade na produção), materiais naturais e sustentáveis, certificações, embalagem, materiais reciclados e o desperdício. Para cada produto trabalhamos os oito critérios. Os nossos produtos têm de ter no mínimo cinco destes oito critérios assegurados. No médio prazo, gostaríamos de todos tivessem os oito. É um percurso.

No online vai ficar claro quais os carimbos que o produto tem e os que não tem. Com transparência completa. Na loja física ainda não temos a sustentabilidade tão visível e fácil de escolher. Mas diria que no médio prazo irá caminhar para isto também.

No Verão de 2018 apenas 30 a 35% dos produtos vendidos na loja eram sustentáveis. Qual o rácio actual de produtos sustentáveis versus os outros na loja física?

Temos o compromisso de, até ao final deste ano, ter 95%. Estávamos no início do ano já nos 76% na nossa loja. Provavelmente vamos atingir, mas as vendas pararam… No entanto, estamos confiantes de que vamos conseguir.

A existência da loja online era uma solicitação dos vossos visitantes?

Foi em resposta à situação actual. Não estava previsto. Mas quando percebemos esta nova realidade foi imediato. Pusemos mãos à obra e em menos de dois meses temos a loja pronta. E no Dia Mundial dos Oceanos que hoje se comemora, contribuímos para que seja mais fácil para todos os portugueses mudarem também. Gostávamos que os clientes da loja online fossem mais do que os clientes que visitam o Oceanário de maneira a conseguirmos ajudá-los a serem mais sustentáveis.

Na realidade, ao comprarem estão a dar um contributo ao Oceanário de Lisboa, nesta fase de menor capacidade financeira para apostar na conservação e na educação. Relembro que todos os resultados financeiros do Oceanário são aplicados em projectos de conservação e educação. Se as pessoas nos ajudarem a ter mais capacidade financeira conseguiremos contribuir mais para a conservação. Melhor para o Planeta.

Texto de Maria João Lima

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