As marcas portuguesas serem a alavanca decisiva para a competitividade global e o crescimento económico depender da capacidade de criar valor foram as principais conclusões e recomendações que saíram da conferência “Marcas de Portugal: o próximo capítulo da competitividade?”, promovida pelo IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing.
Neste encontro que reuniu líderes empresariais, especialistas em marca e decisores do setor académico procurou-se discutir o posicionamento estratégico de Portugal num contexto internacional “exigente e competitivo”, num debate que se centrou na “valorização da marca como ativo económico estrutural”.
“Quando falamos de competitividade da economia portuguesa, falamos quase sempre de produtividade, exportações, inovação ou talento, mas há um tema que continua subvalorizado – as marcas”, disse Daniel Sá, diretor Executivo do IPAM, referindo que estas “são um capital económico invisível, mas absolutamente determinante” e que, por isso, “devem deixar de ser apenas um tema de marketing para serem um tema económico e político”.
Já numa mesa-redonda, Cristina Vanconcelos, diretora de Marketing da Lactogal, defendeu que “é necessário radicalizar o papel da marca na cultura empresarial portuguesa. A marca é efetivamente um ativo”, ainda que atualmente seja um “assunto de segundo linha”.
A mesma visão foi defendida por Raquel Seabra, administradora da Sogrape, que referiu só através de marcas comerciais se pode criar valor. “É através da inovação que podemos reconhecer e tornar relevante” o legado da tradição da cultura portuguesa, apontou ainda.
Os intervenientes sublinharam ainda que internacionalizar não é apenas exportar, mas também “construir reputação, gerar confiança e garantir coerência estratégica a longo prazo”, sendo que “o sucesso depende da visão integrada entre produto, marketing e estratégia empresarial, numa lógica em que o marketing assume estatuto equivalente ao da engenharia e da produção”, refere-se em nota de imprensa.
Já Filipe Mesquita, diretor criativo do estúdio de design da This is Pacifica, introduziu uma dimensão prática ao debate, demonstrando como a narrativa e a criatividade transformam estratégia em valor percecionado, e sublinhou a relevância da execução criativa na concretização da estratégia empresarial.
A conferência “Marcas de Portugal: o próximo capítulo da competitividade?” demonstrou que “o próximo capítulo da economia portuguesa se deve escrever através de marcas capazes de gerar valor, confiança internacional e diferenciação sustentável”, aponta-se também em comunicado.
“Num contexto de crescente afirmação externa de Portugal, a construção de marca surge como instrumento central de política económica e estratégia empresarial”, lê-se na mesma informação.














