Opinião de Mário Alcântara, docente da pós-graduação em Marketing Management da Porto Business School
A ascensão da Inteligência Artificial representa o maior ponto de viragem no marketing desde a transformação digital iniciada com a internet. Em Portugal, onde trabalho com empresas dos sectores do retalho, saúde, turismo e automóvel, vejo diariamente como a IA está a mudar a forma como fazemos marketing.
Durante anos, o marketing baseou-se na criatividade e na intuição. Hoje, com a inteligência artificial aplicada ao marketing, lidamos com volumes de dados impossíveis de processar manualmente. Podemos prever comportamentos de compra, personalizar campanhas quase individualmente e ajustar estratégias em tempo real. No retalho português, já vi projectos onde a personalização com IA permitiu aumentar taxas de conversão de forma quase cirúrgica – algo inalcançável há poucos anos.
Mas esta revolução levanta também novas responsabilidades. Na saúde, a IA obriga-nos a um cuidado ético redobrado. As ferramentas indicam caminhos, mas a decisão final cabe ao marketeer, que deve proteger a privacidade dos pacientes e garantir a fiabilidade da informação.
No turismo, a IA reconfigura a forma como atraímos e fidelizamos visitantes. Desde pacotes dinâmicos ajustados às preferências até à previsão de procura e optimização de preços, a inteligência artificial permite adaptar ofertas em tempo real. Em destinos portugueses, antecipar comportamentos sazonais e ajustar campanhas tornou-se uma vantagem competitiva clara.
Na indústria automóvel, os algoritmos já ajustam campanhas, preços e inventário com base em dados sempre actualizados. O marketeer tornou-se também analista de dados, com a responsabilidade de interpretar correctamente o que a IA apresenta.
A questão já não é se a IA vai substituir o marketeer, mas quem conseguirá adaptar-se. O futuro do marketing pertencerá a quem unir pensamento estratégico, criatividade e literacia tecnológica. Quem ficar preso aos modelos antigos arrisca-se a perder relevância.
Defendo que a Inteligência Artificial não elimina o factor humano – amplifica-o. Os algoritmos tratam dados, mas não substituem empatia, intuição e conhecimento cultural. O verdadeiro diferencial continuará a ser o marketeer que souber colocar a IA ao serviço da estratégia.














