Opinião de Sónia Lage Lourenço, CEO do Portal da Queixa
Reputação: aquele conceito que nos expõe, nos deixa visíveis e especialmente em posição de sermos avaliados. Marcas e pessoas partilham o mesmo desafio de construir uma reputação sólida, assente em valores claros, em propósito genuíno e em escuta ativa. Porque, quando tentamos erguer a nossa reputação baseada apenas em superficialidade ou em estratégias de aparência, o abismo é o caminho sem retorno. A informação corre veloz, está disponível a todo o momento e por isso, a incoerência pode ser rapidamente exposta.
Para as marcas, reputação é confiança. É o elo invisível que liga consumidores e empresas, que transforma clientes em seguidores e críticas em oportunidades de crescimento. Já não basta anunciar bons produtos ou serviços. É necessário demonstrar, todos os dias, consistência entre o que se promete e o que se entrega. Para os profissionais, o cenário é semelhante. A reputação não se constrói em discursos polidos ou em títulos acumulados, mas na forma como interagimos, influenciamos e deixamos a nossa marca pessoal no mercado.
Hoje, os líderes são escolhidos não apenas pelo currículo, mas pelo impacto positivo que têm no mercado e pela credibilidade que conquistaram junto de quem os acompanha.
E se quisermos um exemplo maior, basta olhar para o legado do Comendador Rui Nabeiro. Reconhecido como um dos empresários mais confiáveis do país, construiu não apenas uma marca de enorme reputação, mas também uma história de liderança feita de humanidade, proximidade e respeito. O seu exemplo mostra-nos que a reputação não se herda nem se compra, mas conquista-se, todos os dias, com coerência e verdade. O que deixou à Delta Cafés vai muito além de uma empresa sólida. Deixou um património de confiança, valores e impacto positivo que se tornou referência para gerações futuras.
Mas é importante não romantizar. A reputação não se fortalece apenas com elogios. Nem sempre recebemos bons feedbacks, e a forma como reagimos ao confronto é que define a nossa essência. Gerir críticas, aprender com as falhas e assumir vulnerabilidades é parte do processo de evolução, seja para uma marca, seja para um ser humano. No fim, não é a perfeição que nos torna credíveis, mas a transparência e a humildade. Quem nunca falhou? A diferença está em como escolhemos transformar esses momentos em oportunidades de crescimento.
No fundo, reputação é entrega. É a forma como nos mostramos ao mundo, com verdade, consistência e propósito. Porque só assim conseguimos construir um legado coerente, capaz de resistir ao tempo, às mudanças e às inevitáveis adversidades.
Seja para marcas ou para profissionais, reputação é, e continuará a ser, o ativo mais valioso do nosso tempo.














